sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Resoluções de Ano Novo

Ano passado, na empresa, fizemos uma coisa diferente no final de ano: cada um escreveu em um bilhete 3 resoluções para o ano novo, dobrou o bilhete, escreveu seu nome na frente e colocou-o em uma urna, que em seguida foi lacrada. Hoje, na reunião mensal - que também foi uma comemoração natalina - cada um pegou novamente seu papel. Para minha surpresa, eu cumpri 2 das resoluções que tinha escrito. É certo que estabeleci metas alcançáveis - envolviam algum esforço, mas nada sacrificante. E a meta que sobrou permanece em andamento, em 2008 devo atingi-la.

Na mesma data escrevi 3 outras resoluções, essas mais difíceis, e guardei na carteira. Não lembrava do que tinha colocado na urna da empresa, mas as da carteira ficaram em minha memória indo e vindo o ano inteiro. Cumpri uma delas. As outras tomaram forma - cheguei na metade do caminho - e também devem ser realidade em breve.

A sensação foi reconfortante. 2007 valeu a pena, apesar das surpresas, dos desencontros, dos fatos que chegam sem aviso e mudam nossa forma de pensar e de viver. Prova de que, no fim das contas, sempre temos escolha.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A Cor da Estação


Vermelho
Como a bola na árvore
A touca sem dono
A meia no pé da lareira –
Vazia e sem sentido
Em pleno verão

Vermelho
Como a cor do querer
Da gula
Do medo
E da vida

Vermelho
De amor e de vergonha
Vermelho de felicidade
Vermelho de natal

(eu devia tentar vender isso pra Coca-Cola...)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Os enfeites, as pessoas comprando presentes, hordas de gente caminhando pelas ruas em meio ao calor infernal, a chuva e o céu cinza que vêm interromper, por instantes, tudo isso. A vida moderna não nos deixa sentir direito esse tal "espírito de natal". Chega quase a ser só mais uma data.

Na infância havia o suspense, o mistério, uma aura de bondade no mês de dezembro. Nada dessa corrida desenfreada que parece não ver a hora do ano terminar. A tecnologia nos roubou o tempo. De sentir, escutar, sorrir, apreciar. Tudo é tão veloz que até as horas passam rápido. E logo teremos 80 anos, com memórias dos natais que vivemos até os 12 ou 13. Todo o resto simplesmente passou, e nós passamos junto. Nem as cigarras cantam mais.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Humores

Feliz e triste
Feliz e triste
Feliz e triste
Um sorriso
Uma lágrima
Feliz, mas triste
O desencanto
Acalanto
Os braços seus
Feliz
Os sonhos meus
Tão triste
Escorado no canto
Pranto
Vou dormir até que se acabe essa alternância
Assim
Feliz e triste
Feliz e triste
Feliz

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Bicho de 7 Cabeças
Zé Ramalho

Não dá pé, não tem pé nem cabeça
Não tem ninguém que mereça, não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito, não tem nem talvez
Ter feito o que você me fez, desapareça
Cresça e desapareça

Não tem dó no peito, não tem jeito
Não tem ninguém que mereça, não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada, eu não fiz nada disso e você fez um
Bicho de sete cabeças
Não dá pé, não tem pé nem cabeça
Não tem ninguém que mereça, não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito, não tem nem talvez
Ter feito o que você me fez, desapareça
Cresça e desapareça
Não tem dó no peito, não tem jeito
Não tem ninguém que mereça, não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada, eu não fiz nada disso e você fez um
Bicho de sete cabeças

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Passei a linha dos 30. Tem ar aqui do outro lado. Ainda posso andar, mexer os braços, sonhar. Ah, e os neurônios vão bem, obrigada. A diferença é uma certa nostalgia, mas isso acho que é mais parte do meu temperamento que conseqüência da mudança. O lado bom é que a carinha ainda é de 25, e a modéstia então... O lado muito bom é que faltam 30 anos para os 60, e 60 para os 90. Uf! É muito tempo! Deve ser suficiente para todas as vidas que vêm por aí.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Sexo e História

Assistindo à série The Tudors do People&Arts não pude deixar de refletir sobre libertinagem. Segundo o dicionário, libertinagem significa 1. Vida de libertino. 2. Devassidão, licenciosidade. Como essa definição ajuda pouco, indo mais a fundo libertino quer dizer 1. Livre de qualquer empecilho. 2. Desregrado nos costumes, dissoluto, licencioso, devasso, lascivo. Enfim, trata-se de viver para o prazer, sem dar bola para a opinião (e as regras) dos outros.

A série, além de uma boa lição de história, mostra um retrato dos costumes da sociedade da época – sexuais inclusive. O que me deixou com uma pulga atrás da orelha. Não eram as mulheres guardadas à sete chaves para seus maridos? E o sexo não seria um tabu? Tudo bem, os homens podiam pular a cerca a qualquer momento, mas as mulheres também? Seria essa suruba generalizada um recurso dos produtores da série para aumentar a audiência, ou os bons tempos romanos não morreram com a invasão bárbara?

Não canso de ouvir os mais velhos dizendo que “os tempos não são mais os mesmos”, que “antigamente não existia esse negócio de ‘ficar’, sexo antes do casamento ou morar junto”. Será? Tenho duas teorias a respeito: a primeira é que tudo se repete infinitamente. Os acontecimentos, costumes, moda e tudo o mais nunca deixam de existir, só ficam latentes por algum tempo, esperando a hora de retornar. Então, talvez nossos avós, quiçá nossos pais (eu não sou tão velha assim), viveram num mundo mais reprimido sexualmente. E agora nosso papel é ressuscitar os bacanais. E pior (ou melhor, tudo é relativo), na geração de nossos filhos o sexo libertino estará no auge.

A segunda teoria é menos ingênua: o sexo sem freios sempre esteve aí, só que já foi mais escondido. Agora, com tantas formas de comunicação e essa urgência em ter e saber, o ser humano está deixando a vergonha de lado. Já tem mulher nua na novela das 21h! E sexo na das 18h, com a tela ficando escurinha, mas só depois de mostrar os peitos da atriz. Aliás, queria agradecer aos produtores do The Tudors pelo lindo ator que escolheram para interpretar o rei Henrique VIII. O último filme que vi contando a história dele mostrava um homem barbudo e gordo. Estou certa de que o público feminino concorda comigo nesse aspecto: senhores cineastas, esqueçam a total veracidade dos fatos e abram exceção para as aparências. É muito melhor ver um jovem musculoso nas telas – para nós mulheres e para o seu Ibope.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

terça-feira, 13 de novembro de 2007




Da arte das enumerações
Capítulo 2 - Chato Mesmo

1 - Chato mesmo é celular no cinema
2 - Chato mesmo é ficar sóbrio no meio dos bêbados
3 - Chato mesmo é programa de comentarista de futebol
4 - Chato mesmo é feriadão com chuva
5 - Chato mesmo é trabalhar em feriadão
6 - Chato mesmo é fumaça de cigarro no apartamento
7 - Chato mesmo é propaganda política
8 - Chato mesmo é político em quermesse
9 - Chato mesmo é político em qualquer lugar
10 - Chato, chato mesmo, é ser obrigado a votar em político

domingo, 11 de novembro de 2007


O truque não funcionou. Ou o número de tarados e curiosos no mundo diminuiu radicalmente, ou as regras mudaram. Fico com a segunda opção. Depois da internet, tudo se transforma num piscar de olhos.
"E eras assim..."
É mesmo infantil demais ter um blog? Tenho achado terapêutico nos últimos tempos. Crazy girl... maybe I´m not so right as I thought. Sometimes I can´t control myself. And that´s my other "I" writing. The english "I". Soon I'll have an spanish "I". Who knows...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Teste

Testando... 123... testando.. (não sei se vou conseguir). Vamos lá... 123... testando... Veja as fotos do Rodrigo Santoro em nú frontal. Pronto. Foi! Mais uma: confira o ensaio da Ana Paula Arósio em poses sensuais, totalmente nua – sexo selvagem. Tá, chega. Já virou apelação.

Não entendeu nada? Acha que essa que vos escreve está à beira do manicômio? Bom, essa até que é uma hipótese provável. Mas ao menos nesse momento não é a correta. Como diz o início do post, estou testando uma teoria: a do engana Google. É do maridão. Diz ele que assim vai aumentar a audiência do meu blog. Hahahahahahaha (não sei se quero isso). Explicando melhor: tem tanta gente tarada nesse mundo, procurando pelas palavras nú, sexo e fotos de famosos nús na internet, que é muito provável que, por conter essas palavras, meu blog seja localizado nessas buscas. Se isso ainda funcionar (porque ele usava isso há 5 ou 6 anos, o que é equivalente ao século passado tratando-se de internet) logo logo terei dezenas de ninfomaníacos decepcionados visitando isso aqui. Se você é um deles, deixe seu comentário para eu saber que funcionou. Curiosidade é uma atividade de alto risco...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Dez pras onze

Se as pessoas soubessem o quanto eu detesto telefone, me enviariam mais e-mails. É sério. Levei anos para aderir ao celular, e praticamente só uso para receber chamadas. Ligar, só em caso de urgência. Nem na adolescência, época em que as meninas costumam ficar horas penduradas no telefone (costumavam, no meu tempo, agora devem ficar na internet, celular, msn, sei lá) eu usava.

Curiosamente, comecei a escrever o texto acima hoje após o almoço e só agora descobri que já escrevi algo bem parecido, há quase um ano (acho) no início do horário de verão. Lá eu também dizia que amo horário de verão. Essa tendência a repetição é coisa de velho. Quanto mais tempo na Terra temos, mais nos repetimos. Meu avô contava vezes seguidas as mesmas histórias de suas caçadas, sempre como se fosse a primeira vez. E eu achava engraçado esse saudosismo, esse eterno recontar a própria vida. É quase como manter a chama acesa, alimentá-la fingindo que o tempo não passou. Mas o pior é que não nos damos conta. Sempre parece a primeira vez, exceto, talvez, por uma sensação leve de déjá-vou (http://www.deja-vou.com - achei o site enquanto pesquisava a palavra – elogio al olvido).

Mas chega, vou dormir ao som de Madredeus. “Haja o que houver, eu estou aqui. Haja o que houver, espero por ti...”

domingo, 4 de novembro de 2007

Farsa



como se fosse febre
e não queimasse
como se tivesse sombra
e não existisse
como se fosse um poema
e não rimasse

ah, se ele soubesse
desse abismo
como se fosse raso
e, sem esforço,
chegasse ao fundo
como se fosse pouco
como se vivesse mudo
o grito que nasce do peito
perfeito, contudo,
é como se não fosse

sábado, 3 de novembro de 2007

Preciso parar de escrever sobre lucidez (ou a falta dela). Alguém pode juntar as peças e achar que estou muito fora da casinha.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Repeat

Nesses dias em que me pego perdida em pensamentos
Tristes, sem saída
E acrescento a eles outros pensamentos
Tão perdidos quanto os primeiros
Queria descobrir o sentido de tudo
Para que todos os sentidos fossem sensatos
Mas a vida é loucura
E os momentos, insanos
Não há lucidez na rotina
De repetir-se eternamente
Nenhuma novidade pra contar. Só que o feriadão tá batendo na porta e ainda não tenho roteiro para ele.

domingo, 28 de outubro de 2007

O trem passou novamente.
Hoje acordei com meu marido e dois médicos, enfermeiros ou sabe lá o que, olhando-me com cara de assustados. E uma dor de cabeça terrível. É, acho que não tem saída. Ao menos, não agora. O negócio é aceitar a realidade e seguir em frente, com todas as restrições do pacote.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Esses dias, em meio a uma reunião, sem pensar mencionei que tinha um blog. O que não é assim uma grande novidade, mas nem todo mundo tem obrigação de adivinhar isso, afinal, eu não faço muita propaganda. Sabe como é, casa de ferreiro... Enfim, fui surpreendida com uma cara de espanto e as perguntas “você tem um blog?” ao que respondi “claro, você não?” e “por que você tem um blog se não divulga?”, e aí foi quando fiquei sem resposta. Eu tenho uma resposta pra isso, claro. Só que nunca pensei muito sobre ela. Hoje o assunto voltou a pipocar entre minhas divagações, e escrevi o texto aí de baixo.

Da arte das enumerações

Capítulo 1: Porque ter um blog

1 – Para não ter a obrigação de escrever sempre certinho.
2 – Para escrever sobre qualquer coisa.
3 – Para escrever sobre qualquer coisa, sem ter prazo para terminar.
4 – Para escrever sobre qualquer coisa sem ter ninguém alterando o que você escreveu.
5 – Para não desaprender a escrever com leveza.
6 – Para ignorar as críticas.
7 – Porque escrever um livro levaria tempo demais.
8 – Porque é moda.
9 – E finalmente, a resposta suprema: porque sim.

(Mas alguém poderia dizer que as listas boas mesmo têm no mínimo 10 tópicos, então, para complementar, a razão 10 seria a pergunta a todas as respostas: “e por que não?”)

sábado, 20 de outubro de 2007

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Táctica Y Estrategia

Mi táctica es mirarte
aprender como sos
quererte como sos
mi táctica es hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible
mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé como, ni sé
con qué pretexto
pero quedarme en vos.
Mi táctica es ser franca
y saber que sos franco
y que nos vendamos simulacros
para que entre los dos no hayan telón
ni abismos.
Mi estrategia es en cambio más profunda y más simple,
mi estrategia es;
que un día cualquiera
ni sé como, ni sé
con que pretexto por fin me necesites.

(Mario Benedetti)

domingo, 14 de outubro de 2007

Dês

As desavenças
Os desenganos
Os desafetos
Os desajustes
Os desditos
Os desmedidos esforços para desfazer os “dês”...
"La llama y yo cambiamos señas,
ella torciéndose, yo enclavada.
Le encargo quemar mi cuerpo
en caoba derribada.
Y la llama aceptando me toma
y le veo y le sigo su hazaña.
Caen sienes, caen manos,
y voy con mi soplo y con mi diestra
atizando, en patrona, la llama..."
(Gabriela Mistral)

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Dicas para se tornar uma das Melhores Empresas para se Trabalhar

A nova moda entre as empresas brasileiras agora é figurar no guia das Melhores para se Trabalhar da revista Exame/Você S.A. Por que as empresas querem estar lá, se tem tanta gente procurando emprego? simples: tem vagas sobrando no Brasil, o que falta é profissional qualificado. Procura emprego quem não conseguiu ou não quis estudar. Em se tratando do nosso país, as duas hipóteses são válidas. E os poucos que têm qualificação são disputados com unhas e dentes pelas organizações. Outra versão da teoria (do porque as empresas querem estar no Guia) é que é mais fácil manter os profissionais na empresa - que já conhecem as regras, estão adaptados à cultura e capacitados para as atividades - do que treinar profissionais novos (alguns levam mais de um ano para ficarem "no ponto" e usarem todo seu potencial).

Mas, para variar, divaguei. O que eu queria mesmo é dar a minha contribuição para as melhores práticas das melhores (ou futuras melhores) empresas para se trabalhar. Afinal, creche, plano de saúde, ginástica laboral e vale refeição todo mundo tem. Você, diretor de rh que lê esse blog (pausa para um ataque de megalomania desta que vos escreve) anota aí para colocar no próximo plano estratégico:

a) Sala do descarrego: essa é uma idéia simples e barata para aliviar o estresse da rapaziada. Libere uma daquelas salas de reunião que só servem para o pessoal bater papo e almoçar e forre com um isolante sonoro (dizem que caixas de ovos fazem milagres nesse sentido). Pendure um saco de box bem no meio da sala. Do lado de fora da porta, pendure uma plaquinha com a inscrição “ocupado” de um lado e “livre” do outro. Pronto. Agora, cada vez que um funcionário, ops, esqueci, é colaborador, estiver fulo da vida com aquele fornecedor que não fez a entrega na hora certa, ou com o computador que resolveu pifar, ele pode entrar na sala e bater no saco de box até liberar todas as suas frustrações. Ou simplesmente gritar, o que achar melhor (liberdade de escolha é outro fator muito bem visto entre os funcionários – você pode ganhar uns pontos no Guia com isso).

b) Sala do soninho: outra alternativa para aproveitar aquela sala de reunião que só serve para filosofar. Tire as cadeiras, mesas e quadros da sala e instale uns ganchos na parede. Pendure várias redes nos ganchos. Para melhor aproveitar a sala, distribua almofadas no chão. Está feita a sala do soninho, que seus colaboradores podem usar depois do almoço ou a hora que der na telha. Acredite: sem sono, eles vão trabalhar muito melhor. Ah, não esqueça do ar condicionado no verão e aquecedor no inverno. Benefício pela metade ninguém merece...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Se você acredita que é bom o bastante, nunca será melhor.

(só para não esquecer da frase e lembrar de filosofar mais tarde).

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Disneylândia para adultos


Tinha até uma quase montanha-russa. Assim foi nosso passeio para Bento Gonçalves e arredores no último feriadão. Está quase virando uma tradição: todo 7 de setembro uma vinícola. Quer dizer, dessa vez foram várias. Isso deve valer para os próximos 6 anos, acho.

Já disse um turista nesses sites de roteiros turísticos: Bento Gonçalves é a Disneylândia dos bebuns. Um comentário muito justo. E, se você pensa que as degustações são só uns golinhos de vinho, está muitíssimo enganado: algumas vinícolas deixam até as garrafas à sua disposição, para beber o quanto quiser. Com a vantagem de poder conversar com o dono do lugar em várias ocasiões, conhecer a história do vinho que se está tomando, como foi feito, quais os processos que sofreu para chegar até aquele ponto, com aqueles aromas e sabores tão distintos.

Claro que tive que abrir uma exceção nessa minha nova vida de abstêmia, mas algumas experiências merecem o risco. Ah, e a quase montanha-russa fica em Canela, e passa no meio da mata, vale a pena até para quem tem medo de altura, como eu. Fora que Gramado é o ó do borogodó. Uma cidadezinha pitoresca, toda bonitinha, bem cuidada, acolhedora, enfim. Outro programa que vale a pena é visitar a loja da Tramontina em Carlos Barbosa. Todos os produtos com 20% de desconto, além de uma sessão de produtos de 2ª mão pela metade do preço, e você não consegue achar o defeito.

3 dicas importantes para quem quer fazer essa viagem: leve dinheiro, porque você vai gastar. Não leve crianças. Como bem comentou um menino no saguão do nosso hotel, “não tem nada para eu fazer aqui”. Eles ficam de saco cheio, e acabam deixando os adultos ao redor de saco mais cheio ainda. A 3ª dica é em relação às estradas: leve a sério os avisos de fiscalização eletrônica, e não espere uma plaquinha 100 metros antes avisando onde fica o pardal. Acredite, eles existem. Palavra de quem levou multa.

Para terminar, como dizia aquela música antiiiiiiiga: “Vou voltar, sei que ainda vou voltar....”

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Releitura

Eu ia escrever algo sobre essa mania horrorosa que o mundo corporativo adotou de falar tudo no gerúndio quando, sem saber porque, acabei relendo esse blog e descobri que deixei muitos planos pela metade.

Depois daquele acidente, minha vida congelou. Ou quase: nas últimas semanas estive mergulhada em dois eventos, desconectada de todo o resto para não perder a razão. Deixei uns pensamentos pela metade, umas frases incompletas pelo caminho. E quase esqueci de tudo. Este é o ponto em que descubro o melhor e mais egoísta lado de um blog: as pistas que ficam sobre a minha vida. Graças a ele lembrei de coisas que haviam ficado escondidas em alguma parte de mim que nem eu sei onde fica. É como se os dias que passaram ainda estivessem vivos – descobri uma forma de preservar o passado, e eu mesma.

Opa, a bateria está chegando ao fim. Melhor encerrar por aqui e continuar outro dia. Besos aos leitores acidentais.
eco eco eco eco eco eco eco eco ecoooooo
EEEEEECOOO
ECO
eco

domingo, 12 de agosto de 2007

"Minhas lágrimas não caem mais
Eu já me transformei em pó
E os meus gritos não se escutam mais
Estão na direção do sol
Meu futuro não me assusta ou faz
Correr pra desprender o nó
Que me amarra a garganta e traz o vazio de viver e só
Se alguém encontrou um sentido pra vida, chorou
Por aumentar a perda que se tem ao fim de tudo
Transformando o silêncio que até então é mudo
Naquela canção que parece encontrar a razão
Mas que ao final se cala
Frente ao tempo que não para
Frente a nossa lucidez..."


(Cidadão Quem - banda que descobri dia desses...)

domingo, 5 de agosto de 2007

Reflexões sobre a morte

I
Ontem fez 7 dias que meu avô faleceu. Prefiro pensar que foi para um lugar melhor. E fico pensando de onde afinal veio esse costume de relembrar a pessoa que se foi 7 dias depois. Os católicos têm a missa de sétimo dia. Os luteranos (igreja onde fui batizada) também, acho – só não usam o termo “missa” (lá chamam de culto). Das outras religiões não sei.

II
Um quadro caiu na sala da minha mãe na noite em que meu avô se foi. Um quadro pintado por minha avó. Um dia depois do culto/missa de sétimo dia dela, um relógio de porcelana caiu na sala da minha mãe. Um relógio pintado por minha avó. Gosto de imaginar que foram sinais – de alguém do outro lado dizendo para não perdermos a fé, como uma mensagem que diz “olhem, estou aqui, ainda existo, e vocês também continuarão existindo depois”.

III
Não é bem a saudade que nos deixa tristes quando perdemos alguém. O que dói mesmo é a percepção de que perdemos um pouco da gente. De que tudo aquilo que vivemos com a pessoa que se foi deixou de existir junto com ela. Quando alguém que amamos morre, um pedaço da nossa história morre junto (até aquela data, parece que tudo pode ser revivido a qualquer instante). E isso é difícil de superar. É como se morrêssemos um pouco.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

As Histórias Suas

Nunca mais ouvir suas histórias
Seu eterno pedir licença para falar um pouco mais
E o ficar nervoso ao ser interrompido
Talvez a única coisa que o tirava do sério
Mas era um nervoso tão ameno que nem se sentia

Nunca mais ver sua alegria
Ouvir sua música
Ler os seus textos
Nunca mais saber do tempo das caçadas
Quando ainda havia caçadas nesse mundo
E bichos, e plantas, e espaço
E não se ouvia falar em politicamente correto
Pois você, que foi tão correto quanto seu tempo permitiu
Teria nos contado outras histórias se já conhecesse o termo

Nunca mais admirar esse seu jeito de conversar
E fazer amigos aonde quer que fosse
Nunca mais ter a oportunidade de aprender aquilo que nunca aprendi
(Mas deve ser porque da sua massa eu fiquei com muito pouco)
Agora, só posso guardar o seu exemplo
E torcer para que um dia eu tenha metade do seu bondoso coração
Esse coração que decidiu parar justo agora

Vá, descanse em paz
Nos encontramos do outro lado
No dia em que eu for embora
Levo minhas histórias para lhe contar.

(Para o meu “opa”, que nos deixou em 28 de julho de 2007. Um exemplo de caráter, retidão e bondade difícil de encontrar nesse mundo.)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

A culpa é nossa!

Sabe porque o avião da TAM caiu? Por sua causa. É, a culpa é sua sim. E minha. E do nosso presidente, dos nossos políticos, dos órgãos reguladores, do piloto, dos passageiros, da tripulação, da TAM.

Chega de colocar a culpa nas ranhuras da pista, nas falhas do avião. Chega de procurar um culpado. A culpa é nossa! Da nossa acomodação em ver durante meses, anos, esse monstro que agora chamamos de caos aéreo tomando forma até que não pudéssemos mais contê-lo. Por que não protestamos? Por que deixamos que esses políticos que estão lá, comendo e bebendo nosso dinheiro nos melhores restaurantes, continuem fazendo nada com os impostos que nós pagamos? Por que continuamos elegendo os mesmos sujeitos que nos roubam mandato após mandato? Por que deixamos que as empresas aéreas nos tratem feito bicho e continuamos pegando os mesmos aviões, perdendo horas em filas e aeroportos? Por que permanecemos de braços cruzados, agindo feito gado que deixa-se conduzir?

Enquanto agirmos feito gado, é como gado que seremos tratados. É fácil ser assim. Deixar a vida correr, sem preocupações, apontando culpados cada vez que as coisas dão errado. Até o dia em que as coisas dão errado com a gente. Ou com quem a gente ama.

Vamos fazer um impeachment: um impeachment do povo brasileiro! Não merecemos o país que temos. Somos gado.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

"Todas las mañanas que viví
todas las calles donde me escondí
el encantamiento de un amor
el sacrificio de mis padres
los zapatos de charol
los domingos en el club
salvo que cristo sigue allá en la cruz
las columnas de la catedral y la tribuna
gritan gol el lunes por la capital

Todos giran y giran
todos bajo el sol
se proyecta la vida
Mariposa technicolor
cada vez que me miras
cada sensacion
se proyecta la vida
Mariposa technicolor

Vi sus caras de resignacion
los vi felices llenos de dolor
ellas cocinaban el arroz
el levantaba sus principios
de sutil emperador
Todo al fin se sucedió
solo que el tiempo no los esperó
la melancolia de morir en este mundo
y de vivir sin una estupida razon

Todos giran y giran
todos bajo el sol
se proyecta la vida
Mariposa technicolor
cada vez que me miras
cada sensacion
se proyecta la vida
Mariposa technicolor

Yo te conozco de antes
desde antes del ayer
yo te conozco de antes
cuando me fui
no me alejé
llevo la voz cantante
llevo la luz del ayer
llevo un destino errante
llevo tus marcas en mi piel
y hoy solo te vuelvo a ver"

(Mariposa Technicolor - Fito Paez)

domingo, 22 de julho de 2007

Fim de semana perfeito

Ontem, um dia de sol, nem muito quente, nem muito frio. Ideal para longas caminhadas, boas conversas e filosofias sobre o sentido da vida. Além de um cineminha no meio do caminho. Hoje, a chuva, o frio, um tempo para ficar embaixo do cobertor vendo filmes, comendo bobageiras, relaxando. O clima deveria ser assim a cada 15 dias. Entre um e outro fim de semana desses, a gente viaja, sai para conhecer um lugar novo, ver um parente ou os amigos (ou tudo junto). Melhor que isso, só tudo isso com uma taça de vinho para acompanhar. Mas estou de castigo até que um certo doutor diga que é seguro colocar álcool no meu corpicho. Nada é perfeito (e que graça teria se fosse?).

Agora, devo tentar recuperar o foco e voltar ao que iria fazer inicialmente: trabalhar um pouco (mas só um pouquinhinho, que hoje é domingo e trabalhar aos domingos pode me causar um alto grau de estresse).

Acho que tenho um problema com esse tal de foco: detesto perder tempo. Quero aproveitar cada segundo do meu dia e, se um programa demora para abrir (no computador), imediatamente inicio outra atividade. Quando vejo, estou não fazendo três ou mais coisas ao mesmo tempo. É, não fazendo mesmo, porque tudo fica pela metade. Ansiedade? Talvez.

Foco, menina, foco. Voltando ao trabalho em 3... 2...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

"(...) Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.
Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,
sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño."
(Neruda, hasta que se encuentre un poeta mejor. Dicen que leído en Patch Adams.)

domingo, 1 de julho de 2007

Vermelho

Ah, a tentação
O corpo
O sexo
Um copo

Sentir, sentir, até não mais poder
Frear o beijo
Secar o vinho
Drenar as lembranças
Negar a si mesmo algum prazer
Burlar a danação

Onde ficou, onde fincou aquele momento?
Sentir, sentir até não mais poder
Perder-se na fumaça
Confundir-se com a ausência

O desejo
O impossível
A consciência
A concepção

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Tenho que tomar cuidado pra essa coisa não tomar conta de mim. Já invade todos os segundos do meu dia - nada bom, definitivamente, como diria o Ray daquele filme com o Tom Cruise (Rain Man?). Definitivamente.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Epilepsia. Um tipo que se manifesta quando a gente é adulto. 1 ano sem dirigir. Caramba, lá se vai minha independência pelo ralo....

domingo, 24 de junho de 2007


Amnésia

Aconteceu de novo. Foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça ao acordar na ambulância. Agora, preciso escrever. Preciso escrever enquanto ainda tenho lucidez suficiente. Deram-me um remédio que me deixa zonza. Zonza e com sono. Será esse o início da minha loucura? Tenho medo de não ser mais dona de mim. Vou contar o que aconteceu:

Acordei em uma maca, dentro de uma ambulância. Um paramédico me perguntava o que houve e eu, com as lembranças que me restavam, contava que estava dirigindo. Estava dirigindo e agora estou aqui, nessa maca. O que aconteceu? Você sofreu um acidente, disse ele. Começo a mexer dedos do pé e das mãos. Não perdi nenhum sentido importante, pensei. Minha coluna deve estar intacta. Machuquei alguém? Você bateu em uma árvore, ele deve ter dito, não lembro. Algum anjo deve ter olhado por mim, pois nem a árvore eu derrubei. Sorte de principiante? Ah, Deus, não sei, mas obrigada assim mesmo.

No hospital, alguns raios-x depois, a médica queria que eu passasse a noite lá. De jeito nenhum, pensei. Vou para casa. E fui mesmo, com uma receita de um remédio esquisito nas mãos. De 8 em 8 horas tenho que tomar esse negócio. Acordei sábado vendo o mundo girar. Fecho os olhos e abro novamente, numa segunda tentativa. De nada adianta, a estante e os livros continuam balançando. O jeito é me acostumar. Quanto tempo leva para meu corpo não ser mais afetado? Perguntas, perguntas, tenho tantas. Por que justo eu? Só queria uma vida normal, família, filhos, férias na praia.... será pedir muito? Segunda-feira tenho uma consulta com um neurologista e, imagino, saem os resultados dos exames feitos na quinta. Não há de ser nada. Melhor: era só para eu ter história para contar aos netos.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Lucidez

Primeiro poema escrito às 6 da manhã..
Lucidez


O medo mora dentro da gente
E sai em passos felinos
A nos rodear nos momentos mais inoportunos
Alien de um espaço infinito
Destino imprevisível a circundar nossos planos
Anos incautos de sonhos
Haverá futuro num mundo sem livre arbítrio?

terça-feira, 19 de junho de 2007

Dizem que surtei esses dias. Num táxi, a caminho de Curitiba. Dizem, não sei. Não lembro de nada. Será um indício de loucura precoce? Os neurônios se alarmando com a proximidade dos 30? Não sei. Mas não é nada bom não ter consciência dos próprios atos. Ficamos à mercê da sorte, esperando sinceramente nunca precisar dela. Felizmente já passou, e sem maiores conseqüências. Agora é tocar a vida pra frente e torcer para continuar dona dos meus atos até que a morte - e somente ela - nos separe.

domingo, 10 de junho de 2007

Escola de Vida

Pense numa escola que ensina, na prática, para quê, afinal, serve essa tal de trigonometria. Taí um desafio. Eu não aprendi até hoje. Faço parte daquela geração – que infelizmente se perpetua até os dias de hoje – que freqüentou escola tipo linha de produção. Tudo bem, a minha era particular, tinha até umas iniciativas diferentes vez em quando, melhor que muita escola por aí. Mas nunca fugiu da linha “preparamos você para o vestibular”, esquecendo-se de nos preparar para viver.

O resultado foi que passei no vestibular. Primeira da turma. Ótima aluna, mas, já na faculdade, tive uma dificuldade enorme para entrar no mercado de trabalho. Aprendi pouco sobre me virar sozinha. Sabia quase nada do mundo, fora das carteiras escolares e da decoreba que o Ministério da Educação diz que devemos saber.

Virei uma insatisfeita. A meu ver, para a felicidade de quem trabalha comigo. Às vezes eles se enchem, é verdade. Reclamo demais. Mas surgem mudanças dessas reclamações. (Na real, acho que ultimamente ando um pouco acomodada com o sistema, frustrada e com poucas esperanças de gerar mudanças reais).

Mas não era aí que eu queria chegar. Quero falar da escola com a qual passei noites de insônia e momentos de reflexão no chuveiro idealizando. Montei verdadeiros planos mentais de como seria a escola ideal – aquela que eu gostaria de montar, dirigir e espalhar pelo planeta com a velocidade que o século XXI exige. Mas nunca cheguei na solução de um problema crucial: dinheiro para colocar tudo isso em prática. Nunca mesmo. Continuo sem idéias sobre isso. A boa notícia é que descobri que esse meu devaneio é possível. E melhor: possível no Brasil!

A primeira pista de que uma escola assim poderia existir foi um texto que li sobre “A Escola da Ponte”, em Portugal. Recebi num grupo de discussão do qual participo. Como a escola é em Portugal e eu, sem grana, estou no Brasil, guardei o texto para pesquisar melhor no dia em que eu descobrisse como financiar minha idéia. Mas esses dias recebi uma pista – não, um tratado – muito mais quente: meu marido, lendo o livro do Ricardo Semler (esse que mencionei no post anterior) virou-se pra mim e disse: “amor, ele montou a escola que você queria”. Opa! Essa eu quero ver! Li o livro, claro. E descobri que ele não só montou a escola, como estruturou toda uma forma nova de ensino. Melhor: existe um curso que ensina o método! A escola é a Lumiar (http://www.lumiar.org.br), e é possível encontrar diversos textos sobre a forma de ensino deles no site http://www.cursoideb.utopia.com.br. Lá, os alunos escolhem o que querem aprender. E os professores têm que tornar suas aulas interessantes se quiserem mantê-los na sala. É a tal da “educação democrática”, que pode parecer um centro de formação de crianças mimadas à primeira vista, mas têm métodos bastante interessantes de ensinar respeito e ética às crianças. Muito, mas muito mais eficazes do que os utilizados nas escolas “normais” (que, convenhamos, não têm funcionado muito bem ultimamente – se tem alguma dúvida, converse com um professor da rede pública ou privada...).

O Brasil tem esperança, enfim! Saber dessa escola me deixou muito feliz. E reforçou a percepção de que minha vida vem girando em torno do umbigo (não só a minha).

Antes de tudo, é preciso ter humildade para perceber a enorme diversidade do mundo. Marque na agenda (no outlook, celular, blueberrie...): HUMILDADE – esse é o segredo dos vencedores.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Você está louco! Parte 1

Estou lendo o Você está Louco, do Ricardo Semler. Primeira leitura e já virei fã do cara. Um empresário com idéias inovadoras, sem medo de mudar, fazer diferente. Quero terminar o livro e procurar o Virando a Própria Mesa. Daqui uns dias publico as lições aprendidas.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Coincidências

Ontem terminei de ler A Bruxa de Portobello, do Paulo Coelho. Se você for como eu, deve estar pensando “oh, não, ela lê Paulo Coelho” e concluir que finalmente perdeu a fé na humanidade. O fato é que eu não lia Paulo Coelho. Desde os meus 15 anos. Foi mais ou menos nessa idade que comecei a questionar os livros que caiam na minha mão – principalmente no que se refere a gramática e estilo. Não que eu seja um exemplo de escritora – nem poderia me considerar uma – mas sempre fui um pouco chata com isso.

Enfim, o livro estava lá num canto da prateleira, voltado para mim como quem diz peque-me, e eu peguei. Lá pela 10ª página cheguei a pensar seriamente em desistir. Esotérico demais. Mas, como diz a frase pra lá de citada do Fernando Pessoa, “tudo vale a pena”. E como vale. Mesmo que a estória seja meio forçada, o final é muito bom (adoro finais que me surpreendem, por pior que seja o resto do livro, um bom final é o que me conquista) e, quem diria, quase na última página, topei com uma síntese perfeita de um poema que tinha (re)lido há alguns dias e do qual gosto muito. A frase dizia simplesmente “amar é”. E o poema, do Carlos Drumond de Andrade, diz:

“Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira,
no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor”

O livro inteiro valia pela frase. E não falo daquele amor-paixão, que a tudo cega e distorce. Falo do amor-amor, que sobrevive à distância, ao ciúme e à mesquinharia humana. Ás vezes é bom ler esses livrinhos de auto-ajuda disfarçados de literatura. Eles nos fazem sentir capazes de tudo. Até de amar.

(sobre o título: ultimamente várias coincidências do gênero vêm acontecendo comigo. Esses dias, logo após uma partida de Scrable, li um episódio no Restaurante no Fim do Universo em que algumas personagens tentavam iniciar justamente este jogo. Coinciência? Talvez. Talvez eu tenha começado a prestar mais atenção no mundo, e o mundo começado a se mostrar melhor para mim. Mistérios... :))

sexta-feira, 11 de maio de 2007

"Me esqueça sim
Pra não sofrer
Pra não chorar
Pra não sentir"


(Grão de Amor - Marisa Monte)

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Racismo e Hipocrisia

Hoje tive uma mostra do quanto nosso povo pode ser hipócrita em relação ao racismo. Não vou contar o causo, tampouco citar a fonte – privacidade é bom e todo mundo gosta – mas vou especular sobre o assunto, só para por um pouco de polêmica neste blog.

No fundo, toda a nossa sociedade dita “branca” é um pouco racista. Mesmo sem querer. Mesmo tendo absoluta convicção de que racismo é errado. Acredito que a sociedade “negra” tenha o mesmo problema, só que neste caso não se nota tanto, afinal, no Brasil, os negros é que eram os escravos. Quem nunca contou uma piadinha com conotações preconceituosas? Ou fez um comentário, uma observação, denegrindo, mesmo sem querer, um negro, ou branco, ou índio (ou português)? Quem, com mais de 20 anos, nunca fez nada disso, que atire a primeira pedra (sim, mais de 20, ou mais de 15, não estou muito certa, mas esse lance de ser politicamente correto começou faz pouco tempo).

Quero deixar uma coisa bem clara: eu não defendo atitudes racistas, não concordo com elas e não pretendo perpetuá-las. Apenas fico indignada com a hipocrisia humana. Essas pessoas que, em casa, na praia ou num bar com os amigos contam piadinhas, fazem comentários irônicos em essência extremamente racistas e, quando vêem alguém em público fazendo o mesmo, são as primeiras a apontar o dedo e condenar.

Devem achar que é uma forma de expiar os pecados. “Banimos alguns como exemplo, mantemos a imagem de bons moços e talvez o Cara Lá de Cima perdoe os nossos comentários e piadas de fim de semana.” Aquilo que ninguém vê não conta nesse nosso mundo. Hipocrisia pura. É por causa desse tipo de gente que temos que agüentar a tal da cota para negros nas nossas universidades. Mas eu sou otimista: tenho fé que algum dia vai aparecer um ministro justo que criará a cota para brancos (e a cota para os pardos, os moreninhos, os quase-índios, os judeus, os muçulmanos...).

Mas fazer o que, a realidade de hoje é essa, e, afinal, o mundo precisa de pessoas ridículas assim para ter um pouco de equilíbrio. Já pensou se todos tivessem bom senso e fossem justos? Isso aqui não seria o Planeta Terra – seria o paraíso.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Feriado de 1o de maio e eu querendo escrever, sabe, qualquer coisa. Mas, sei lá, esgotei as idéias. Só para rechear um pouco o texto, estou lendo "O Restaurante no Fim do Universo", uma seqüência do "Guia do Mochileiro das Galáxias". Vale a pena. Leitura ligth, de fácil digestão e com boas risadas garantidas. Não guie sua opinião pelo filme - livros são, em 99% das vezes, muito superiores aos filmes, e esse não foge à regra da maioria (digo 99% apenas porque acredito na imensa variedade da Criação, mas não lembro de ter visto até hoje um filme que se igualasse em qualidade ao livro que o inspirou).

Então, acabou o assunto. Fico por aqui. Beijocas e boas noites aos insones...
"O poeta é um fingidor (...)"

terça-feira, 24 de abril de 2007

Outro sintoma da proximidade dos 30 é a repetição: a gente "não se dá conta" do quanto repete algumas expressões nos textos que escreve...

domingo, 22 de abril de 2007

30 anos

De repente me dou conta do que significa ser uma mulher de 30 anos (atualmente, vivo os últimos meses dos vinte, e sair desse período de “juventude” para entrar na maturidade oficial tem sido assunto recorrente nos meus momentos de reflexão). É como se, subitamente, nos déssemos conta de que tudo vai acabar um dia, e é necessário consertar as coisas enquanto ainda não precisamos de fraldas e uma cadeira de rodas para viver decentemente.

E isso, essa urgência em resolver tudo, nos torna fortes e determinadas como nunca. Mulheres, enfim.

Passei anos me lamentando de problemas que não conseguia resolver – porque atribuía ao mundo a responsabilidade por eles. E somente há alguns meses me dei conta de que esse turbilhão de problemas que costumava me tirar o sono e a alegria nas horas mais impróprias foi, em sua maioria, causado e perpetuado por mim.

Difícil encarar uma verdade dessas. Talvez isso só tenha sido possível pelo sentimento de finitude que os 30 anos representam para uma mulher. A ameaça da velhice, de se ver feia e sozinha, sem ter realizado sequer metade do que sonhamos, mexe com a gente de uma forma indescritível.

É quase injusto ter essa percepção somente depois de tanto tempo. Pois é só agora que nos encontramos em condições de viver a vida plenamente – e lá adiante, mais perto do que nunca, já está fincada a sentença do fim.

Mas deixemos o fatalismo para os setenta, e façamos de conta que essa década que nos espera levará 50 anos para terminar. Enquanto isso, um trecho sobre as “balzaquianas”:

"Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis para um rapaz... Com efeito, uma jovem tem ilusões, muita inexperiência, e o sexo é bastante cúmplice do amor... ao passo que uma mulher conhece toda a extensão dos sacrifícios que tem a fazer. Lá onde uma é arrastada pela curiosidade, por seduções estranhas à do amor, a outra obedece a um sentimento consciente. Uma cede, a outra escolhe... dando-se, a mulher experiente parece dar mais do que ela mesma, ao passo que a jovem, ignorante e crédula, nada sabendo, nada pode compara nem apreciar... Uma nos instrui, nos aconselha... a outra quer tudo aprender... Para uma jovem seja amante, precisa ser muito corrompida, e então é abandonada com horror, enquanto uma mulher possui mil modos de conservar a um tempo seu poder e sua dignidade... A jovem... acredita ter dito tudo despindo o vestido; mas uma mulher... se esconde sob mil véus... afaga todas as vaidades... Chegando a essa idade, a mulher sabe consolar em mil ocasiões em que a jovem só sabe gemer. Enfim, além de todas as vantagens de sua posição, a mulher de trinta anos pode se fazer jovem, desempenhar todos os papéis, ser pudica e até embelezar-se com a desgraça.” (A Mulher de 30 Anos – Honoré de Balzac)

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Acordada

Não sei não
Escrevendo à uma hora dessas, devo estar fora de mim
Fora do corpo
Levitando em um teclado irreal
Cinderela sem sapatos de cristal
Nem carruagem de abóbora
Não sei não
As palavras vêm em bandos
E vão embora
Vão e vem, vem e vão
Ah, noite adentro
E a sensação do sono batendo à porta
- Já vou! Já vou...

terça-feira, 10 de abril de 2007

A Páscoa foi boa. Todo mundo reunido, muito riso, comida, bebida (claro) e uma sensação de paz que há tempos não sentia. Estou leve, num daqueles dias em que tudo parece possível. E talvez seja mesmo. Ouvi em algum lugar que felicidade é quando não desejamos nada além daquilo que temos e somos. É assim que me sinto hoje. Tudo parece perfeito. Complementando o pensamento, acho que felicidade mesmo só é possível no tempo presente. Porque naquilo que já vivemos fica sempre um pouquinho de saudade - uma tristeza disfarçada - e o que está por vir é carregado de expectativa - e felicidade completa leva mais paz do que ansiedade na receita.

Então, feliz Terça-feira, 13h27min e os segundos que vão passando!

terça-feira, 3 de abril de 2007

Do Vazio ao Verso

Duas ou três páginas de rabiscos
E as impressões brancas no papel
Escrever é uma arte temporal

Pena que as palavras fluem quando estamos sem tinta
(ou sem teclado, nesses dias de pressa)
Mais tarde, há que se espremer lembranças
Espantar as inutilidades - palavras que vêm em bandos
Há que se buscar as rimas
Preencher a folha em branco
E ver o verso, pequenininho
Tomar forma
Deixando nascer a metáfora

domingo, 1 de abril de 2007

"Escribirte, escribirte, dibujarte. Llenarte el pelo de todas las palabras detenidas, colgadas en el aire, en el tiempo, en aquella rama llena de flores amarillas del cortes cuya belleza me pone los pelos de punta cuando vengo bajando sola, por la carretera, pensando. Definir el misterio, el momento preciso del descubrimiento, el amor, esta sensación de aire comprimido dentro del cuerpo curvo, la explosiva felicidad que me saca las lágrimas y me colorea los ojos, la piel, los dientes, mientras voy volviéndome flor, enredadera, castillo, poema, entre tus manos que me acarician y me van deshojando, sacándome las palabras, volteandome de adentro para afuera, chorreando mi pasado, mi infancia de recuerdos felices, de sueños, de mar reventando contra los años, cada vez más hermoso y más grande, más grande y más hermoso. (...)"

Escribirte - Gioconda Belli

quinta-feira, 29 de março de 2007

Enquanto o Palmeiras joga...

A semana passou tão rápido que nem lembrei de dizer que, finalmente, está “tudo bem”. Devo agora retirar minhas colocações sarcásticas sobre o help desk (não cito nomes – privacidade é bom e eu também gosto) e agradecer por, enfim, ter recuperado todos os meus arquivos e poder dormir em paz. Nós dois, porque eu infernizei tanto a vida dessa criatura que ele deve ter me amaldiçoado até a quinta geração.

Mudando radicalmente de assunto: vi o Rodrigo Santoro no Lost hoje (lindo, né?). Vai uma dica para as fãs do moço: não vejam os próximos capítulos da série. Estou me coçando para não contar o que acontece, em respeito àqueles que, diferente de mim, conseguem esperar a programação da TV. Mas não assistam. É apav.... ai, que vontade de escrever! Chega, melhor incorporar meu lado sério e escrever uns poeminhas para fazer par com o da hora do almoço, publicado aí abaixo.

Besos latinos de uma fã indignada com Holywood.
(2 x 0 para o Palmeiras - um tributo ao maridão)

Fuga

Eterna e tênue é a linha da loucura
Caminha, companheira, presa aos nossos passos
Feito sombra que não se perde
Fronteira sem alfândega
Basta um pé pisar errado
E lá estamos, nessa terra sem limites
Sanatório, manicômio, lugar de quem perdeu o juízo
Encontrá-lo de que jeito, nesse mundo infinito?
Tentadora
É a linha da loucura.

terça-feira, 27 de março de 2007

terça-feira, 20 de março de 2007

"Tudo Bem"

Sinto-me como aquela mulher da propaganda do novo Ford Fiesta (não, não estou ganhando comissão pela propaganda), a do "tudo bem", sabe? "Débora queria um computador funcionando sem problemas, mas perdeu quase todos os seus arquivos na tentativa de consertá-lo e teve que se contentar com as informações que ela lembrava de memória. Tudo bem (sorriso amarelo)".

Deixa eu explicar: no feriado de 9 de março (aniversário de Joinville) deixei meu computador com o help desk aqui da empresa para consertar uns probleminhas de performance. Quando voltei, na segunda-feira, descobri que havia ocorrido um problema inexplicável no processo de partição do HD (não me perguntem, eu também não sei) e, aparentemente, todos os arquivos estavam perdidos. Daí fiz a pergunta óbvia: "tá, e onde você deixou o backup?" e recebi a resposta trágica: "que backup?".

Duas barras de chocolate e muita lágrima contida depois, fiquei sabendo que restava uma esperança: um programa milagroso que iria recuperar meus dados. Só que ia demorar até o dia seguinte para isso acontecer. Ufa! No dia seguinte, chego na empresa e o cara do help desk, olhando para o chão com cara de desgraça, me informa que “alguém” desligou o computador que estava rodando meu HD. Mas “tudo bem” que agora ele ia rodar tudo no servidor, e servidor ninguém desliga. O dia em que eu conhecer esse tal de Ninguém vou dizer umas boas pra ele. Eis que, no final da tarde, o servidor foi magicamente desligado. Nessa hora eu já estava seriamente pensando em procurar uma benzedeira (não acredito nessas coisas, mas quando o certo não funciona, a gente tem que dar uma chance para o duvidoso).

Segunda tentativa: vamos rodar novamente o HD no servidor. Porque um servidor ser desligado uma vez é até aceitável, mas duas é impossível. Foi nesse ponto que eu comecei a acreditar em olho gordo. Não é que o fdp do servidor desligou de novo? Só pode ter sido Ninguém. Para encurtar a história, já se passou uma semana, e somente hoje consegui recuperar alguns arquivos. Alguns poucos. Mas, “tudo bem”. Estou aprendendo a me libertar dessas coisas materiais. Quem precisa de 3 anos de trabalho mesmo...

segunda-feira, 5 de março de 2007

Da Adolescência e Outros Demônios


Vi o tal “Motoqueiro Fantasma” esses dias no cinema. Teria sido só mais um filme fraquinho daqueles que não vale a pena gastar neurônios lembrando, não fosse assistido numa tarde de sexta-feira, em meio a uma legião de adolescentes.

Ta, eu não li os quadrinhos do tal motoqueiro. Mas acho que nem quem leu pode dizer que o filme é bom. Até que os defeitos especiais não são de se jogar fora, mas o enredo... e aquela caveira então, apontando um dedo pretensamente ameaçador para os bandidos, era de morrer.. de rir! Trash, sem dúvida.

Mas, voltando ao assunto original – os adolescentes – sim, os adolescentes. Antes de tudo, vai um conselho: não vá ao cinema numa sexta-feira à tarde. Nunca, jamais. A menos que você tenha menos de 18 anos e muita paciência. (Receio que essa advertência valha para as tardes de quarta e quinta também, mas não quero criar pânico).

Eles estavam lá. Uma horda deles. (Des)organizados em grupos: os boyzinhos e as patricinhas, os nerds, os casaizinhos, os pré-adolescentes (estes corriam ao redor das cadeiras, brincando de pegar), enfim, um grupo de dar medo. Mas a gente encarou – afinal, são só adolescentes, quando o filme começar eles ficam quietos, disse o meu marido depois da advertência da moça da bilheteria – “Tem certeza que o senhor quer ir a essa sessão? Eles (apontando para o grupo do cabelo esquisito) vão todos entrar...”. Bom, não dava para dizer que a gente não foi avisado. "Eles" gritaram o filme inteiro. Isso fora os “cala-a-boca-filho-da-puta” a cada 5 minutos (adolescente adora dizer filho-da-puta, sentem-se mais adultos, vai entender...). Se arrependimento matasse...

Mas enfim, estávamos de férias, e de férias vale tudo. E, no final das contas, até que serviu para entender mais um hábito do ser humano nessa fase tão pentelha da vida – anota aí: adolescente vai ao cinema na sexta-feira à tarde, depois da aula. Gravou? Depois não diz que não avisei...

sexta-feira, 2 de março de 2007

Poema para o final




Se eu morrer amanhã
Quero que lembrem mais do meu sorriso
Que da minha seriedade
E mais daquilo que escrevi
Do que de tudo que falei
Porque as palavras que saem da boca são impensadas
E fogem à revelia das minhas vontades

Se eu morrer amanhã
Quero flores naturais
Não me venham com plástico, papel ou similares
Deixem um vaso sobre minha lápide
Porque então saberei que alguém passará por ali de vez em quando
Nem que seja para cuidar das flores
E talvez uma borboleta ou outra pare por aqueles arredores
Para passar sua última porção de tempo
E dar um colorido à minha ausência

Se eu morrer amanhã
Peçam a alguém para cantar uma música
Daquelas que falam de paz
E tragam gente, muita gente
Não quero partir na solidão

Mas não se prendam, não se prendam
Se eu morrer amanhã
Vou para muito longe
E a vida vai continuar passando

Se eu morrer amanhã
Quero que saibam que amei
Mesmo tendo demonstrado tão pouco
Que senti, sim, senti muito
Cada segundo passado nesse mundo
(procurem nas palavras, elas dizem tudo)

Se eu morrer amanhã
Talvez descubra o significado da palavra saudade
E peça então para renascer em outra língua
Que o propósito dessa vida já estará cumprido.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Não tenho muito o que escrever. De férias, as palavras meio que ficam guardadas na mala de viagem, ou nas fotos dos lugares que temos a audácia de conhecer. Mas, como todo o ser humano, tenho a tendência a querer preencher os espaços em branco - até quando se trata de um blog pouco ou quase nada lido.

Então, para resumir, depois de um carnaval cinza em Balneário Camboriú, convenci meu marido, com toda a sutileza e artimanhas femininas, a enfrentar uma viagem de carro a Foz do Iguaçu (particularmente, adoro viajar de carro, o que volta e meia é motivo de acaloradas discussões matrimoniais aqui em casa). O que posso dizer desse empreendimento? Foz continua linda! E certamente volto lá quando tiver outra oportunidade, para ver tudo de novo, duzentas vezes se for preciso, ou até que as quedas sequem e a represa desmorone (bate na madeira três vezes!).

Já do Paraguai, a impressão que fica é a de que não nasci para sacoleira. Um calor infernal, lixo nas ruas, cheiro de azedo no ar, misturado a aromas indistintos de comidas diversas. Prefiro o camelódromo de Balneário...

Passando do espanhol paraguaio ao argentino, uma doce surpresa me surpreendeu cruzando a fronteira: argentinos simpáticos, ora vejam! E um bar repleto de garrafas de bons vinhos por todos os cantos, algo incomum no Brasil (para entender: o bar ficava na cidade de Iguazu, na Argentina, e o dono até puxou um bom papo conosco, na melhor política da boa vizinhança).

Enfim, uma viagem curta, mas enriquecedora. Agora, volto aos meus livros e filmes até que o trabalho nos separe.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Chame como Quiser

Porque estou tensa
Porque hoje é domingo
Porque nada ocorre por acaso
Porque tudo ocorre por acaso
Porque sim
E por que não?

Porque não faz sentido
E todos os sentidos estão fora de controle
Porque lá fora está quente
Porque faz vento
Porque me sinto assim
Porque sinto

Porque existe a dúvida
E em algum lugar a certeza
Porque todas as flechas apontam para o norte
Porque não existe alvo ao norte

Porque decidi perguntar
Porque a resposta
A resposta eu não sei
E porque eu não sei
Não há razão para duvidar

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Os Melhores do Mundo são mesmo os Melhores!

Eu vi, eu vi! Eu vi o show da Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo! É de se rachar de tanto rir! Lavei a alma!!!
(Pra quem não sabe, são eles que fazem aquela encenação do Joseph Klimer - acho que é assim que se escreve - "a vida é uma caixinha de surpresas... qualquer um teria ficado triste, deprimido, mas esse homem é Joseph Klimer..." lembrou? Vale muuuuuito a pena ver ao vivo).

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

"Tu te tornas responsável por aquilo que cativas."

(O Pequeno Príncipe - Antoine Saint-Exupéri )

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

(Esse texto já roda a internet há tempo, mas permanece perfeito. Como recebi ele hoje novamente, resolvi deixar gravado aqui, para ler de vez em quando e me acostumar...)

A GENTE SE ACOSTUMA
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão. A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto. A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.
A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(Marina Colassanti)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Quem somos nós?

O universo é um imenso vazio. Eu e você somos um imenso vazio. O observador interfere na realidade. As coisas só existem porque olhamos para elas. Só enxergamos aquilo que conhecemos – aquilo que nosso cérebro entende como real. Nosso cérebro não faz distinção entre realidade e pensamento. Podemos alterar a realidade. Todos somos um.

Somos viciados em nossas emoções. Pior, o excesso de emoções danifica nossas células, que se tornam menos capazes de absorver elementos vitais à nossa sobrevivência. Todos somos dependentes químicos, em menor ou maior grau.

Essas são algumas conclusões tiradas do filme “Quem Somos Nós?” que assisti ontem. Não me perguntem o diretor, nem nome de atores, não prestei muita atenção, sou desatenta. Mas, independente disso, vale a pena conferir. O filme traz uma série de respostas às nossas dúvidas mais primordiais, e cria uma infinidade de perguntas em nossa mente também. Para quem não se contenta com as teorias de Adão e Eva ou a evolução dos macacos, é uma boa pedida.

Agora sigo em frente, aproveitando essa maravilhosa sexta-feira (toda sexta-feira é ótima, mesmo cinzenta e chuvosa), feliz pela perspectiva do sábado. Beijos aos leitores acidentais, se é que existem.