terça-feira, 20 de março de 2007

"Tudo Bem"

Sinto-me como aquela mulher da propaganda do novo Ford Fiesta (não, não estou ganhando comissão pela propaganda), a do "tudo bem", sabe? "Débora queria um computador funcionando sem problemas, mas perdeu quase todos os seus arquivos na tentativa de consertá-lo e teve que se contentar com as informações que ela lembrava de memória. Tudo bem (sorriso amarelo)".

Deixa eu explicar: no feriado de 9 de março (aniversário de Joinville) deixei meu computador com o help desk aqui da empresa para consertar uns probleminhas de performance. Quando voltei, na segunda-feira, descobri que havia ocorrido um problema inexplicável no processo de partição do HD (não me perguntem, eu também não sei) e, aparentemente, todos os arquivos estavam perdidos. Daí fiz a pergunta óbvia: "tá, e onde você deixou o backup?" e recebi a resposta trágica: "que backup?".

Duas barras de chocolate e muita lágrima contida depois, fiquei sabendo que restava uma esperança: um programa milagroso que iria recuperar meus dados. Só que ia demorar até o dia seguinte para isso acontecer. Ufa! No dia seguinte, chego na empresa e o cara do help desk, olhando para o chão com cara de desgraça, me informa que “alguém” desligou o computador que estava rodando meu HD. Mas “tudo bem” que agora ele ia rodar tudo no servidor, e servidor ninguém desliga. O dia em que eu conhecer esse tal de Ninguém vou dizer umas boas pra ele. Eis que, no final da tarde, o servidor foi magicamente desligado. Nessa hora eu já estava seriamente pensando em procurar uma benzedeira (não acredito nessas coisas, mas quando o certo não funciona, a gente tem que dar uma chance para o duvidoso).

Segunda tentativa: vamos rodar novamente o HD no servidor. Porque um servidor ser desligado uma vez é até aceitável, mas duas é impossível. Foi nesse ponto que eu comecei a acreditar em olho gordo. Não é que o fdp do servidor desligou de novo? Só pode ter sido Ninguém. Para encurtar a história, já se passou uma semana, e somente hoje consegui recuperar alguns arquivos. Alguns poucos. Mas, “tudo bem”. Estou aprendendo a me libertar dessas coisas materiais. Quem precisa de 3 anos de trabalho mesmo...

3 comentários:

Rogério Ferreira disse...

Tudo bem...
É só trabalho mesmo...
Nunca ninguém conseguiu me explicar como é que esta maquininha (nosso computador) consegue registrar todas as nossas idéias (incrível, somente com combinações de 0 e 1) e nos deixar totalmente dependentes dela.... George Orwell tinha razão Grande Irmão. Ficamos presos à ela e registrando nossas impressões deste mundo. Uma hora ela consegue criar coisas próprias, a partir das definições que nós mesmos colocamos nela (é que ao contrário da gente, a máquina não esquece).
Então fique tranquila quando alguém (é sempre alguém), perde tudo o que você tinha no HD. Pense que o Grande Irmão Computador irá ficar sem suas impressões e idéias dos últimos 3 anos. Caso isso nunca aconteça com você, faça como os mais idosos (ou como a minha mãe). Na dúvida, arranque o plug da tomada (computadores ainda não geram energia elétrica).
É bom tomar cuidado, daqui a pouco os computadores irão me achar subversivo (sabe, é que vi todos os filmes do Exterminador do Futuro recentemente e estou meio que entendendo a paranóia do filme).

Rogério Ferreira disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Débora disse...

Incrível, mas a gente vira refém mesmo. O legal é constatar que depois de uns dias o desespero vai embora, e a gente começa a aceitar que essas páginas da vida sejam apagadas. Tudo passa, de qualquer jeito...