Cuidava dos textos como quem cultiva uma horta. Plantando sinopses, extraindo vírgulas, trocando as palavras até obter frases exatas. Algumas vezes guardava as que ficavam tortas, como se fossem filhas a quem não se pode negar abrigo. E assim criou parágrafos e mais parágrafos de metáforas, contos fantásticos, haikais certeiros, artigos polêmicos e romances memoráveis. Todos os dias, lendo e relendo o que escrevia, escrevendo e reescrevendo o que pensava, transformou letras dispersas em canteiros de idéias, alimentando o mundo à sua maneira.
Foi encontrado em seu jardim, morto de fome em meio à terra seca. Não tinha o dom para cuidar das plantas. Era um jardineiro de palavras.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Liberdade
O livre arbítrio me pegou
Inerte, nas mãos do destino
Fui resgatada ainda inconsciente
Dos braços da sorte
E agora sou obrigada a fazer escolhas
Inerte, nas mãos do destino
Fui resgatada ainda inconsciente
Dos braços da sorte
E agora sou obrigada a fazer escolhas
sexta-feira, 26 de março de 2010
Estagiário com Experiência
Confesso que esses anúncios de vagas me intrigam. Hoje mesmo recebi um para seleção de estagiários. Entre os requisitos, pasmem, era “desejável experiência”. Daí me pergunto: experiência em quê? Produção de trabalhos escolares? Engabelação de professores? Provas de final de bimestre? Sim, porque estagiário, diz nosso pai dos burros, é “aquele que está fazendo estágio”, e estágio, neste contexto, é o “tempo de prática ou tirocínio para o exercício de certa profissão”. Abre parênteses. Tirocínio, eu também não sabia, refere-se aos “primeiros exercícios, aprendizado”. Fecha parênteses. Ou seja, em termos bem claros: estagiário é aquele que não tem experiência na profissão.
Ah, mas também, não é todo mundo que tem tempo para abrir dicionário. E a legislação é tão complexa que a gente nunca lembra dos detalhes. Como, só para dar um exemplo, o capítulo que fala das definições de estágio. Olha só como é grande o primeiro artigo!
Art. 1º Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam freqüentando o ensino regular, em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos.
Ironias à parte, e antes que alguém resolva colocar a culpa no estagiário de RH que divulgou a vaga (isso seria de chorar), sei que o governo não ajuda, que é muito caro manter um trabalhador formal, que gestores têm metas para reduzir o orçamento, que a crise acabou mas pode voltar, etc, etc e etc. Agora, custa tanto assim apostar num estudante sem experiência?
Garanto que as escolas e faculdades estão cheias de gente louca por uma oportunidade, e que, se contratada, em pouco tempo faria as empresas esquecerem da tal “experiência desejável”.
Senhores empresários, gestores, profissionais de RH ou futuros donos de qualquer negócio: apostem em novos talentos e mostrem para os brasileiros que é possível crescer sem dar um “jeitinho”. Ou contratem profissionais. A sociedade agradece.
Ah, mas também, não é todo mundo que tem tempo para abrir dicionário. E a legislação é tão complexa que a gente nunca lembra dos detalhes. Como, só para dar um exemplo, o capítulo que fala das definições de estágio. Olha só como é grande o primeiro artigo!
Art. 1º Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam freqüentando o ensino regular, em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos.
Ironias à parte, e antes que alguém resolva colocar a culpa no estagiário de RH que divulgou a vaga (isso seria de chorar), sei que o governo não ajuda, que é muito caro manter um trabalhador formal, que gestores têm metas para reduzir o orçamento, que a crise acabou mas pode voltar, etc, etc e etc. Agora, custa tanto assim apostar num estudante sem experiência?
Garanto que as escolas e faculdades estão cheias de gente louca por uma oportunidade, e que, se contratada, em pouco tempo faria as empresas esquecerem da tal “experiência desejável”.
Senhores empresários, gestores, profissionais de RH ou futuros donos de qualquer negócio: apostem em novos talentos e mostrem para os brasileiros que é possível crescer sem dar um “jeitinho”. Ou contratem profissionais. A sociedade agradece.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Mudei, de novo
Nessa onda de mudanças, mudei (de novo) a cara do blog. Ou seja, você não entrou no site errado (ou entrou sim - neste caso, seja bem-vindo, aproveite a leitura, deixe sua opinião e volte sempre!), esta é apenas mais uma manifestação do meu infame talento layoutístico. Obrigada por compreender.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Breve Teoria da Mudança
A gente muda o tempo todo, não muda? Muda de idade, de cidade, de país até. Muda de humor, muda de amor, muda de idéia e muda tudo de novo. Afinal, a mudança está cravada em nosso DNA. Nascemos destinados a mudar sempre, assim, sem notar. Conscientes ou não deste destino, mudamos até aquilo que não estava programado, só para ver uma cara diferente no espelho todos os dias – como se isso não acontecesse independente de nossa vontade.
Tem gente que sofre com a mudança. Não gosta dela, teme aquilo que não pode prever. Esquece o dia em que veio ao mundo, quando teve que conhecer tudo pela primeira vez. Não lembra, talvez, que até andar já foi um ato estranho .
Não dá para negar que a mudança traz no pacote aquele friozinho na barriga e, algumas vezes, nas embalagens VIP, duas ou três noites de insônia. Pudera, diriam os agraciados com o prêmio máximo da oferta, além de nos desenharem mutantes, incluíram em nosso código o terrível gene do afeto. E então, assim como o Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry, nos tornamos responsáveis por aquilo que cativamos.
Sim, mudar também é cortar laços. Algumas vezes para logo remendá-los, noutras para perdê-los completamente de vista. Faz parte da lógica da vida: encontrarmos e desencontrarmos nossos pares até aprendermos que crescer é uma tarefa solitária.
Então, mudar é ruim? Não, mas pode ser tão doloroso quanto gratificante. Só depende de quem muda e de sua capacidade de guardar a sete chaves aquelas qualidades que não deveriam mudar nunca. Afinal, não temos como escapar da mudança, mas ainda temos como esconder dela aquilo que deveria permanecer. Ao menos até que algum ser maior ou a inteligência coletiva (ou qualquer outra coisa que nos supere em sabedoria ou força) mude nossos conceitos sobre o que é bom e o que é mal.
Tem gente que sofre com a mudança. Não gosta dela, teme aquilo que não pode prever. Esquece o dia em que veio ao mundo, quando teve que conhecer tudo pela primeira vez. Não lembra, talvez, que até andar já foi um ato estranho .
Não dá para negar que a mudança traz no pacote aquele friozinho na barriga e, algumas vezes, nas embalagens VIP, duas ou três noites de insônia. Pudera, diriam os agraciados com o prêmio máximo da oferta, além de nos desenharem mutantes, incluíram em nosso código o terrível gene do afeto. E então, assim como o Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry, nos tornamos responsáveis por aquilo que cativamos.
Sim, mudar também é cortar laços. Algumas vezes para logo remendá-los, noutras para perdê-los completamente de vista. Faz parte da lógica da vida: encontrarmos e desencontrarmos nossos pares até aprendermos que crescer é uma tarefa solitária.
Então, mudar é ruim? Não, mas pode ser tão doloroso quanto gratificante. Só depende de quem muda e de sua capacidade de guardar a sete chaves aquelas qualidades que não deveriam mudar nunca. Afinal, não temos como escapar da mudança, mas ainda temos como esconder dela aquilo que deveria permanecer. Ao menos até que algum ser maior ou a inteligência coletiva (ou qualquer outra coisa que nos supere em sabedoria ou força) mude nossos conceitos sobre o que é bom e o que é mal.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Pessimista não, realista.
Algumas vezes as semanas passam sem que me ocorra uma só idéia que dê vontade de dissecar, e deixo o blog em branco, com memórias velhas e praticamente solitárias, com pouco ou nenhum leitor. Noutras elas vêm em pencas, maduras e loucas para servirem de alimento a qualquer mente que se dê ao trabalho de chegar até aqui. Essa é uma delas.
Então, para não embaralhar tudo, como minha mente adora fazer, escolhi uma só idéia, aquela que mais me incomoda – afinal, este é um blog egocêntrico.
Sempre fui realista. Mas as pessoas à minha volta insistem em chamar isso de pessimismo. Na onda dos livros de auto-ajuda, segredos, neurolinguística e outros blábláblás do gênero, quase pensei que estava virando a gota de óleo perdida na piscina olímpica. Quase. Mas, como realista que sou, sei que o mundo baseia-se em equilíbrio – mesmo que precário – e tudo tem, no mínimo, dois lados (exceto uma linha, diria um espertinho, e eu responderia: não me venha com xurumelas que não estou a fim de discutir geometria!). Então, nesse embalo de procurar pelo outro lado da moeda, eis que me deparo com uns posts muito interessantes abrangendo justamente esse ponto de vista! (Deixa eu contar um segredo: não sou realista. Sou otimista. Vejo o copo com água pela metade, mas sei que, no fundo, tudo vai dar certo. Só não espalha ainda – vamos criar uma reputação de cada vez). Os posts são do @raraujo28, antes que eu me esqueça de mencionar.
Por que sou realista? Porque quem se recusa a ver uma situação em sua totalidade não enxerga possíveis problemas. E, sem enxergar possíveis problemas, não pode se antecipar a eles, evitando-os. Simples assim. Essa máxima é especialmente útil se você trabalha ou pretende trabalhar com organização de eventos. Não há na face da Terra uma área onde ocorram tantos imprevistos quanto esta. Já escapei de algumas ciladas só por conseguir prever com antecedência coisas que não funcionariam. Isso não é ser pessimista, é ser prática. Aí o Sr. Espertinho vai me dizer: problemas não existem se você acreditar firmemente que tudo vai dar certo. Hahahahahahahahahahahahahahahahahahaha.. é... hehehehehuahuahuahua.. bom, hehehehe, tem gente que acredita em Papai Noel...
Vou terminar o post por aqui hoje, porque as outras idéias estão me pinicando e está difícil me concentrar. Mas faça um favor para você mesmo e leia “O Golfinho Benevolente e a Vitória da Auto-Ajuda” (http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2010/03/o-golfinho-benevolente-e-a-vitoria-da-autoajuda.html), “Do pessimismo calvinista ao otimismo paralisante” (http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2010/03/do-pessimismo-calvinista-ao-otimismo-paralisante.html) e “O motor do consumismo e a morte da iniciativa” (http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2010/03/o-motor-do-consumismo-e-a-morte-da-iniciativa.html). São posts, não livros. E, se você é um otimista nato, não devem abalar sua fé, apenas iluminar seu senso crítico. Lembre-se que, no fim, tudo vai dar certo.
quinta-feira, 11 de março de 2010
"Minha alma canta..."
"... vejo o Rio de Janeiro..", esse post é só porque, Rio eu gosto de você... :))
Brincadeiras à parte, acabo de passar uns ótimos e ensolarados dias na Cidade Maravilhosa. E, espanto: volto sem a velha impressão de sujeira e violência que mantive desde a primeira estadia, há 18 anos. Também, 18 anos, você deve estar pensando, muita coisa muda em 18 anos. Mas nem sempre, e os noticiários não contribuíam em nada para melhorar a imagem desta grande cidade.
Enfim, as entradas para os principais pontos turísticos continuam caras, especialmente se você comparar com outras atrações de cidades famosas no mundo, e na primeira noite uma chuva quase nos deixou ilhados - eu e o maridão. Mas, tirando isso, o sol foi pontualíssimo (e sempre muito quente, claro), andei por Copacabana (à noite, inclusive), visitei o Centro e suas antiguidades e tive uma vista pra lá de bonita do alto do Pão de Açúcar. Isso sem falar numa comédia teatral excelente ("A Morte Bate à Sua Porta", no teatro Ipanema - se estiver por aí, assista), comida da melhor qualidade e táxi a preço de banana (se comparado ao praticado em nossa recôndita província catarinense). Nem os vôos de avião atrasaram, pasme!
Mas houve um porém - sempre existe um, do contrário o caro leitor pensaria que é sorte demais para uma pessoa só: na volta de Curitiba, já de carro, pegamos um acidente na BR, e ficamos bem umas três horas esperando liberar a pista... dos males, o menor.
No mais, este parece ser um ano em que meu horóscopo vai funcionar: as mudanças anunciadas começam a dar as caras. Mas elas vão esperar um outro post..
Brincadeiras à parte, acabo de passar uns ótimos e ensolarados dias na Cidade Maravilhosa. E, espanto: volto sem a velha impressão de sujeira e violência que mantive desde a primeira estadia, há 18 anos. Também, 18 anos, você deve estar pensando, muita coisa muda em 18 anos. Mas nem sempre, e os noticiários não contribuíam em nada para melhorar a imagem desta grande cidade.
Enfim, as entradas para os principais pontos turísticos continuam caras, especialmente se você comparar com outras atrações de cidades famosas no mundo, e na primeira noite uma chuva quase nos deixou ilhados - eu e o maridão. Mas, tirando isso, o sol foi pontualíssimo (e sempre muito quente, claro), andei por Copacabana (à noite, inclusive), visitei o Centro e suas antiguidades e tive uma vista pra lá de bonita do alto do Pão de Açúcar. Isso sem falar numa comédia teatral excelente ("A Morte Bate à Sua Porta", no teatro Ipanema - se estiver por aí, assista), comida da melhor qualidade e táxi a preço de banana (se comparado ao praticado em nossa recôndita província catarinense). Nem os vôos de avião atrasaram, pasme!
Mas houve um porém - sempre existe um, do contrário o caro leitor pensaria que é sorte demais para uma pessoa só: na volta de Curitiba, já de carro, pegamos um acidente na BR, e ficamos bem umas três horas esperando liberar a pista... dos males, o menor.
No mais, este parece ser um ano em que meu horóscopo vai funcionar: as mudanças anunciadas começam a dar as caras. Mas elas vão esperar um outro post..
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Lacuna
Na falta de coisa melhor
escrevo para você
leitor atemporal
que me espia quem sabe porquê
Mas não se arme ainda
esqueça o menosprezo que as primeiras palavras levam a crer
Na falta de coisa melhor
mal me descrevo,
mal me faço entender
São assim as idéias que surgem de repente
Inexatas, imprecisas e indelicadas
talvez.
Esqueça as primeiras impressões
Apenas lembre deste final e,
na falta de coisa melhor,
volte sempre.
escrevo para você
leitor atemporal
que me espia quem sabe porquê
Mas não se arme ainda
esqueça o menosprezo que as primeiras palavras levam a crer
Na falta de coisa melhor
mal me descrevo,
mal me faço entender
São assim as idéias que surgem de repente
Inexatas, imprecisas e indelicadas
talvez.
Esqueça as primeiras impressões
Apenas lembre deste final e,
na falta de coisa melhor,
volte sempre.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Terminou o Carnaval
Barro vermelho, chuva, lama, calor. O caos de Ciudad del Este não vence a breve satisfação proporcionada pelo consumo fácil e barato de suas infinitas lojas e barracas espalhadas ao longo das ruas desconexas. Turistas de todos os cantos abrindo caminho dão o acabamento final a esta visão do inferno, pintura expressionista sem começo nem fim, eternamente colorida por artistas anônimos cuja idéia de sucesso consiste em uma casa na praia para os fins de semana e um mês de férias por ano. Vai saber.
O caso é que gosto disso. Não do caos ou da lama, mas da experiência. Assim passei meu carnaval, saindo da rotina e desligando os neurônios dos fúteis problemas do dia a dia, para concentrá-los em outros fúteis problemas, bem menos estressantes. Bom é viajar assim e aproveitar cada segundo da vida. E agora "outra ilusão desaparece quarta-feira. Queira ou não queira, terminou o carnaval.."
O caso é que gosto disso. Não do caos ou da lama, mas da experiência. Assim passei meu carnaval, saindo da rotina e desligando os neurônios dos fúteis problemas do dia a dia, para concentrá-los em outros fúteis problemas, bem menos estressantes. Bom é viajar assim e aproveitar cada segundo da vida. E agora "outra ilusão desaparece quarta-feira. Queira ou não queira, terminou o carnaval.."
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
What a surprise
Engraçado ficar tanto tempo sem escrever uma linha que valha a pena e ainda assim ter audiência. Obrigada tuiteiros que me visitaram nos últimos dias - principalmente se tiveram a paciência de voltar. É que escrevo pra mim mesmo - este é um blog egocêntrico, na falta de uma palavra melhor (se souber, publica aí nos comentários, conhecimento nunca é demais). Apesar de intimista, meu ego tem uma quedinha pelas estatísticas de acesso.
sem título
Engraçado ter tanta idéia na cabeça e nada para escrever. Ando num ritmo tuiteiro ultimamente, e as semanas passam como clipes...
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Resíduos de "Resíduo"
"De tudo ficou um pouco...". Lembra desse poema de Drummond? Abaixo, um pedacinho de Resíduo e o link para ler todos os versos.
"(...)Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil... (...)"
Para ler completo, clique aqui.
"(...)Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil... (...)"
Para ler completo, clique aqui.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Se é inevitável, relaxa...
As redes sociais chegaram para ficar. Não tem mais volta - e quem ainda acredita que elas são só mais um fenômeno passageiro deveria rever seus conceitos com urgência. Ou digitar “internet no Brasil” no Slide Share e ler algumas das apresentações publicadas sobre o assunto por lá, principalmente as baseadas em pesquisas recentes (se você ainda não levou a sério as redes sociais e nem faz idéia do que é Slide Share, está aí uma ótima oportunidade para ingressar nesse admirável mundo novo).
O fato é que até em países ultraconservadores do Oriente Médio as pessoas usam aplicativos como Orkut, Twitter, Blog ou Facebook, só para citar os mais conhecidos. E nós, brasileiros, só perdemos para os norte americanos em matéria de Internet. Claro, as redes seguem a velha tendência de crescimento (explosão de brasileiros aderindo ao Twitter), auge (o Orkut até 2008) e queda (o Orkut hoje) – mas a queda, se e quando tende a zero, é influenciada pelo surgimento de outra rede social, melhor ou diferente das existentes. O Google, por exemplo, já cria um aplicativo para unir diversas funcionalidades de rede social a e-mail e comunicadores instantâneos – uma “mega rede social” que pode desbancar as que conhecemos hoje. E pode, lembre-se, não tem o mesmo sentido de vai.
Tamanha mudança vem causando rebuliço na cabeça de muitos empresários – principalmente os que dirigem empresas onde o uso do computador é essencial para a atividade produtiva. Afinal, rede social envolve os colaboradores, tirando a atenção do trabalho que precisa ser feito. Verdade? Só para quem ainda não aprendeu a lidar com ela ou tem sérios problemas de concentração. Verdade mesmo – e que deveria ser enxergada por presidentes, diretores, gerentes e coordenadores – é que as redes vão impactar cada vez mais nos negócios das empresas influenciando na imagem de marca, percepção do consumidor (para B2B e B2C), e, claro, VENDAS.
Indicação sempre foi a melhor forma de propaganda que uma empresa poderia ter. No Brasil então, onde relacionamento é parte importante dos negócios, mais ainda. E colaboradores interagindo nas redes sociais são praticamente uma vitrine do que a empresa tem de bom. Ou de mal, se não forem corretamente orientados. Agora, proibir o acesso às redes definitivamente não é solução. Até porque a troca de informações que as redes sociais propiciam é uma excelente fonte de conhecimento para empresas que não querem parar no e com o tempo.
Finalmente, tratando-se de redes sociais, aquele velho ditado é mais conclusivo: “o estupro é inevitável”! Então, se você dirige uma empresa (ou é dirigido por uma que ainda não entendeu “esse tal de Orkut”) deveria simplesmente relaxar e seguir algumas dicas essenciais:
- Oriente colaboradores para que eles entendam o impacto (positivo e negativo) que sua interação em redes sociais como Twitter, Orkut, LinkedIn, Facebook e outras pode causar
- Depois que eles aprenderem bem os conceitos (você vai se surpreender quando descobrir que muitos já estão craques na matéria), libere o acesso às redes
- Ok, pode liberar em horários alternativos se desejar (almoço, 15 minutos de manhã, 15 minutos à tarde..), mas libere
- Comece a elaborar uma estratégia para atuação da empresa nas redes sociais – e divulgue essa estratégia entre os colaboradores. Lembre-se: eles são seus maiores aliados, e vão ajudá-lo a divulgar produtos, serviços, prêmios, boas ações e todas aquelas coisas que as empresas devem contar para todo mundo
- Lembre-se de incorporar a estratégia às atividades de integração de novos funcionários
Gostou da idéia? Então veja um post com mais argumentos ainda: http://gabrielbranding.com.br/branding/porque-seu-colaborador-precisa-utilizar-as-redes-sociais
O fato é que até em países ultraconservadores do Oriente Médio as pessoas usam aplicativos como Orkut, Twitter, Blog ou Facebook, só para citar os mais conhecidos. E nós, brasileiros, só perdemos para os norte americanos em matéria de Internet. Claro, as redes seguem a velha tendência de crescimento (explosão de brasileiros aderindo ao Twitter), auge (o Orkut até 2008) e queda (o Orkut hoje) – mas a queda, se e quando tende a zero, é influenciada pelo surgimento de outra rede social, melhor ou diferente das existentes. O Google, por exemplo, já cria um aplicativo para unir diversas funcionalidades de rede social a e-mail e comunicadores instantâneos – uma “mega rede social” que pode desbancar as que conhecemos hoje. E pode, lembre-se, não tem o mesmo sentido de vai.
Tamanha mudança vem causando rebuliço na cabeça de muitos empresários – principalmente os que dirigem empresas onde o uso do computador é essencial para a atividade produtiva. Afinal, rede social envolve os colaboradores, tirando a atenção do trabalho que precisa ser feito. Verdade? Só para quem ainda não aprendeu a lidar com ela ou tem sérios problemas de concentração. Verdade mesmo – e que deveria ser enxergada por presidentes, diretores, gerentes e coordenadores – é que as redes vão impactar cada vez mais nos negócios das empresas influenciando na imagem de marca, percepção do consumidor (para B2B e B2C), e, claro, VENDAS.
Indicação sempre foi a melhor forma de propaganda que uma empresa poderia ter. No Brasil então, onde relacionamento é parte importante dos negócios, mais ainda. E colaboradores interagindo nas redes sociais são praticamente uma vitrine do que a empresa tem de bom. Ou de mal, se não forem corretamente orientados. Agora, proibir o acesso às redes definitivamente não é solução. Até porque a troca de informações que as redes sociais propiciam é uma excelente fonte de conhecimento para empresas que não querem parar no e com o tempo.
Finalmente, tratando-se de redes sociais, aquele velho ditado é mais conclusivo: “o estupro é inevitável”! Então, se você dirige uma empresa (ou é dirigido por uma que ainda não entendeu “esse tal de Orkut”) deveria simplesmente relaxar e seguir algumas dicas essenciais:
- Oriente colaboradores para que eles entendam o impacto (positivo e negativo) que sua interação em redes sociais como Twitter, Orkut, LinkedIn, Facebook e outras pode causar
- Depois que eles aprenderem bem os conceitos (você vai se surpreender quando descobrir que muitos já estão craques na matéria), libere o acesso às redes
- Ok, pode liberar em horários alternativos se desejar (almoço, 15 minutos de manhã, 15 minutos à tarde..), mas libere
- Comece a elaborar uma estratégia para atuação da empresa nas redes sociais – e divulgue essa estratégia entre os colaboradores. Lembre-se: eles são seus maiores aliados, e vão ajudá-lo a divulgar produtos, serviços, prêmios, boas ações e todas aquelas coisas que as empresas devem contar para todo mundo
- Lembre-se de incorporar a estratégia às atividades de integração de novos funcionários
Gostou da idéia? Então veja um post com mais argumentos ainda: http://gabrielbranding.com.br/branding/porque-seu-colaborador-precisa-utilizar-as-redes-sociais
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Para começar 2010
Já fiz uns dez textos mentais para postar aqui, mas todos ficaram nisso mesmo. Perderam-se na confusão das minhas idéias, nas festas de final de ano, na nova rotina de academia e caminhadas em busca da juventude eterna (depois dos 30 vêm os 40, e, depois dos 40, ou a gente pára de olhar no espelho ou aceita que tudo tem um fim). Tá difícil parar e escrever ultimamente.
O fato é que este foi um início de ano muito incomum: não enviei felicitações aos amigos, não fiz planos, não defini metas. Natal e ano novo passaram meio que num limbo, onde levitei sem raciocinar por alguns dias. A razão disso? Não tem razão, é só a crise dos 32, ou como queira chamar, se é que tudo precisa ter um nome (meu mundo é o das sensações, não consigo nomear objetivamente todos os momentos).
Gostaria de ter alguma obsessão, um vício, sabe? Pintar, correr, colecionar selos – qualquer coisa que proporcionasse metas e um conseqüente sentimento de realização ao alcançá-las. Mas não me encaixo nesse modelo de vida, sou eclética demais. Quero saber de tudo, aprender tudo, entender o mundo. Rotinas tornam a vida simples, o que é uma pena, pois nasci complexa (convexa, avessa, dispersa e amante das palavras – mas não viciada o suficiente).
Enfim, eis aqui um post para começar o ano e confundir os classificadores de blog, que podem lê-lo e pensar que se trata de um diário.
O fato é que este foi um início de ano muito incomum: não enviei felicitações aos amigos, não fiz planos, não defini metas. Natal e ano novo passaram meio que num limbo, onde levitei sem raciocinar por alguns dias. A razão disso? Não tem razão, é só a crise dos 32, ou como queira chamar, se é que tudo precisa ter um nome (meu mundo é o das sensações, não consigo nomear objetivamente todos os momentos).
Gostaria de ter alguma obsessão, um vício, sabe? Pintar, correr, colecionar selos – qualquer coisa que proporcionasse metas e um conseqüente sentimento de realização ao alcançá-las. Mas não me encaixo nesse modelo de vida, sou eclética demais. Quero saber de tudo, aprender tudo, entender o mundo. Rotinas tornam a vida simples, o que é uma pena, pois nasci complexa (convexa, avessa, dispersa e amante das palavras – mas não viciada o suficiente).
Enfim, eis aqui um post para começar o ano e confundir os classificadores de blog, que podem lê-lo e pensar que se trata de um diário.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Let it Shine
Adorei a música - ou melhor, pedaço dela - que uma empresa de cosméticos está usando em sua campanha de Natal. Simples e feliz, como todos deveríamos ser. Aqui, a letra completa:
"This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
Every day, every day, every day, every day
Gonna let my little light shine.
On Monday, he gave me the gift of love
On Tuesday, peace came from above
On Wednesday told me to have more faith
On Thursday, gave me a little more grace
On Friday, told me to watch and pray
On Saturday, told me just what to say
On Sunday, gave power divine
Just to let my little light shine. (oh.)
This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
Every day, every day, every day, every day
Gonna let my little light shine.
Now some say you got to run and hide
But we say there's no place to hide
And some say let others decide
But we say let the people decide.
Some say the time's not right
But we say the time's just right
If there's a dark corner in our land
You got to let your little light shine. (oh.)
This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
Every day, every day, every day, every day
Gonna let my little light shine..."
(This Little Light of Mine)
This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
Every day, every day, every day, every day
Gonna let my little light shine.
On Monday, he gave me the gift of love
On Tuesday, peace came from above
On Wednesday told me to have more faith
On Thursday, gave me a little more grace
On Friday, told me to watch and pray
On Saturday, told me just what to say
On Sunday, gave power divine
Just to let my little light shine. (oh.)
This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
Every day, every day, every day, every day
Gonna let my little light shine.
Now some say you got to run and hide
But we say there's no place to hide
And some say let others decide
But we say let the people decide.
Some say the time's not right
But we say the time's just right
If there's a dark corner in our land
You got to let your little light shine. (oh.)
This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
This little light of mine, I'm going to let it shine
Every day, every day, every day, every day
Gonna let my little light shine..."
(This Little Light of Mine)
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Roteiro
Nasci assim
quadrada, rígida
Cheia de sonhos que me encaixam na vida
como perfeita peça de quebra-cabeças
Mas vejam só que surpresa:
Não faço parte deste script
Neste mundo minha rija presença
Precisa ser moldada
Reinventada, renascida
Ah, Deus
O que faço agora
Se decorei as falas erradas?
quadrada, rígida
Cheia de sonhos que me encaixam na vida
como perfeita peça de quebra-cabeças
Mas vejam só que surpresa:
Não faço parte deste script
Neste mundo minha rija presença
Precisa ser moldada
Reinventada, renascida
Ah, Deus
O que faço agora
Se decorei as falas erradas?
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Sobre a Fé
Posso estar muito errada - e isso só a morte me dirá - mas não consigo acreditar em um Deus punitivo, mau, o Deus do Velho Testamento. Também não acredito no Deus da prosperidade, que quer ver você num carro zero ou com uma casa na praia. Não creio em orações para obter vantagens pessoais relacionadas ao consumo. E, sobretudo, não acredito num Deus barbudo sentado em um trono cercado por anjos de todas as hierarquias.
Queria acreditar. Sério. A vida é mais simples assim. Já dizia minha professora da terceira série: "um dia vocês vão duvidar de tudo isso. Vão saber cada vez mais e, com o conhecimento que adquirirem, vão deixar de acreditar. Lembrem disso, e não percam a fé". Bom, não eram exatamente estas as palavras - até porque faz tanto tempo que fica difícil guardar tudo ao pé da letra - mas o sentido garanto que foi transmitido fielmente.
Deus, se houver reencarnação - na qual também gostaria de acreditar, mas que perde o sentido quando penso que a quantidade de pessoas no mundo só aumenta de um ano para o outro (de onde surgiram essas almas que não estavam aqui antes?) - faça-me nascer com menos senso crítico. Na próxima vinda, se ela existir, "só quero ser feliz e mais nada". É possível?
Queria acreditar. Sério. A vida é mais simples assim. Já dizia minha professora da terceira série: "um dia vocês vão duvidar de tudo isso. Vão saber cada vez mais e, com o conhecimento que adquirirem, vão deixar de acreditar. Lembrem disso, e não percam a fé". Bom, não eram exatamente estas as palavras - até porque faz tanto tempo que fica difícil guardar tudo ao pé da letra - mas o sentido garanto que foi transmitido fielmente.
Deus, se houver reencarnação - na qual também gostaria de acreditar, mas que perde o sentido quando penso que a quantidade de pessoas no mundo só aumenta de um ano para o outro (de onde surgiram essas almas que não estavam aqui antes?) - faça-me nascer com menos senso crítico. Na próxima vinda, se ela existir, "só quero ser feliz e mais nada". É possível?
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Coincidências
Hoje procurando por material para complementar um post de outro blog, encontro, também num blog, uma reflexão sobre Paris. Esse meu saudosismo começa a ficar exagerado, mas é um último complemento aos posts abaixo. E, se quer saber, o Brasil tem muito o que aprender em termos de urbanismo com esta cidade. Se quiser ler, o link é http://blogs.elpais.com/juan_cruz/2009/11/par%C3%ADs.html
Um trecho: "Ayer tarde me recordaba mi compañero Antonio Jiménez Barca, el corresponsal de EL PAÍS, lo que había sucedido en la guerra mundial: el general al que Hitler ordenó que volara los puentes de París para vencer a la Resistencia desobedeció al Führer, consideró que tanta belleza no podía quedar bajo la metralla, y salvó de la destrucción una de las bellezas más grandes del mundo." (Juan Cruz - El País)
Um trecho: "Ayer tarde me recordaba mi compañero Antonio Jiménez Barca, el corresponsal de EL PAÍS, lo que había sucedido en la guerra mundial: el general al que Hitler ordenó que volara los puentes de París para vencer a la Resistencia desobedeció al Führer, consideró que tanta belleza no podía quedar bajo la metralla, y salvó de la destrucción una de las bellezas más grandes del mundo." (Juan Cruz - El País)
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Paris - Parte IV
Demorou (bastante, confesso) mas vou terminar o relato sobre a viagem a Paris. Não poderia deixar de fora a visita ao Palácio de Versalhes, a Sacre Coer ou o Centre Pompidou.
Eu disse que no dia anterior estava frio? Nada. A visita a Versalhes sim, foi gelada! Saímos do hotel com 1ºC, pensa! Definitivamente, não estava pronta para o outono europeu. Mas tudo vale a pena se a viagem não é pequena.
Anda um pouquinho, pega o metrô, descansa um pouquinho, pega o trem. Adoro o sistema de transporte da França! É rápido, limpo e eficiente. Nada de esperar uma hora para pegar um ônibus cheirando a coxinha e refrigereco de framboesa, rodar por estradas esburacadas e enfrentar engarrafamentos para depois pegar mais uns dois ônibus urbanos ou um táxi caríssimo.
Como todas as grandes obras na França, o Palácio de Versalhes é enorme. E grande também é a fila para comprar o ingresso de entrada (leva meia hora no mínimo para chegar ao guichê). Mas brasileiro, já viu... Logo descobrimos que a fila era só para quem queria comprar ingresso para o tour no palácio principal, coisa que ninguém parecia se dar ao trabalho de investigar– ingressos para a visita completa (incluindo o Grand e o Petit Trianon, além de um áudio guia em idiomas como, pasmem, português – de Portugal, mas inteligível para não-lusitanos) podiam ser comprados em outro guichê, sem filas.
Deixados o frio e a fila para trás, ingressamos no suntuoso Palácio de Versalhes. Uma vez dentro, não é difícil imaginar porque fizeram a Revolução Francesa. Todos os aposentos são ricos em detalhes – banhados a ouro – pinturas e tapetes ornamentados. Até mesmo os tetos contêm pinturas e entalhes. Aqui, o que mais chama a atenção é a Galeria dos Espelhos: de um lado janelas para o belo jardim do castelo, de outro, espelhos na mesma proporção das janelas.
Detalhe interessante: as camas e cadeiras eram pequenas - proporcionais à altura média das pessoas no período (1,50m a 1,60m), enquanto janelas e portas foram desenhadas para gigantes de dois metros. Contradições da época.
Saindo do grande palácio (Le Chateau), fomos passear pelo “jardinzinho” real... Obras modernas (sério) permeavam os canteiros e, abaixo de uma escadaria, podia-se ver um belo chafariz. Assim, olhando de cima, estimamos uns 10 minutos de caminhada e descemos tranquilamente os degraus, apreciando calmamente a paisagem. No meio do caminho, a entrada para um labirinto – mais uma voltinha para ver como é que é. Quase meia hora depois quem disse que chegamos ao chafariz? Anote essa dica (e nunca me contrate para estimar distâncias): lá em cima, ao sair do palácio para o jardim, há um ônibus que você pode pegar para percorrer o trajeto até os outros dois palácios e apreciar a paisagem - sentado. Vale a pena, porque o jardim é simplesmente imenso. Pense nuns 3 ou 4 campos de futebol (não aqueles lá do bairro, um Maracanã mesmo): é essa a distância que percorremos a pé. Se quiser algo mais rápido e personalizado, pode alugar um carrinho – do tipo de campo de golfe, sabe? Também vale a pena. A menos que você esteja muito descansado ou seja maratonista profissional.
Sobre os outros dois palácios, 2 comentários: o Grand Trianon foi construído para que a família real pudesse, ocasionalmente, refugiar-se da corte. Já o Petit Trianon foi feito por um dos reis da França para abrigar sua amante – quando ele queria se livrar dos afazeres reais ela estava ali, pertinho (os homens podiam tudo mesmo naquele tempo). Tempos e redecorações depois, acabou sendo o preferido de Maria Antonieta – a rainha que foi decapitada na Revolução Francesa. Neste último, é possível ver instalações como uma cozinha, que curiosamente servia somente para esquentar as refeições – feitas em outra instalação para evitar ratos e doenças.
Ah, claro: ao longo do trajeto o visitante encontra alguns restaurantes e lanchonetes. Se não estiver com pressa, sente e aproveite a vista. Há inclusive uma Ladureé (confeitaria francesa citada no último post) no caminho entre o Grand e o Petit Trianon.
De tarde, descansar, claro. Que não. Pausa para o almoço e tomamos o trem de volta a Paris. Linhas de metrô adiante, chegamos ao bairro de Montmartre, onde fica o ponto mais alto de Paris e a Sacre Coer, enorme igreja do século XIX construída em pedra de travertino (diz a Wikipédia), o que garante sua cor eternamente branca. Vale a visita à igreja, que realmente é muito bonita, e a vista, claro (mas nesse quesito ainda prefiro a Torre Eiffel). Atrações à parte, este bairro mostra um outro lado de Paris, menos próspero, digamos assim. Mas nada muito diferente do que vemos no Brasil – aliás, bem melhor.
Calma, o dia ainda não terminou. Com um restinho de fôlego e mais um pouco de metrô, chegamos ao Centre Pompidou. Uma espécie de museu de arte moderna cuja arquitetura é, em si, uma atração. O prédio todo foi construído “ao avesso”. Tubulações, fios, encanamentos – toda a estrutura que normalmente é escondida nas paredes, aqui, fica do lado de fora. É quase um alien da arquitetura, ainda mais comparado aos antigos edifícios franceses que o circundam.
Sua estrutura abriga uma biblioteca, restaurante, café, exposições de artistas contemporâneos e modernos, onde se pode encontrar, entre outras raridades, o que é talvez o maior acervo de quadros de Pablo Picasso do mundo.
Após essa maratona cultural fomos, enfim, dormir. O dia seguinte – praticamente o último em Paris, foi preenchido com uma visita às ruínas arqueológicas (mencionadas no Paris Parte I), à Ópera de Paris, a duas FNACs e uma segunda caminhada pela Champs Eliseé. E devo dizer que ficaria lá por bem mais tempo se as finanças permitissem. É isso - se você quer uma viagem inesquecível, coloque Paris no itinerário.
Eu disse que no dia anterior estava frio? Nada. A visita a Versalhes sim, foi gelada! Saímos do hotel com 1ºC, pensa! Definitivamente, não estava pronta para o outono europeu. Mas tudo vale a pena se a viagem não é pequena.
Anda um pouquinho, pega o metrô, descansa um pouquinho, pega o trem. Adoro o sistema de transporte da França! É rápido, limpo e eficiente. Nada de esperar uma hora para pegar um ônibus cheirando a coxinha e refrigereco de framboesa, rodar por estradas esburacadas e enfrentar engarrafamentos para depois pegar mais uns dois ônibus urbanos ou um táxi caríssimo.
Como todas as grandes obras na França, o Palácio de Versalhes é enorme. E grande também é a fila para comprar o ingresso de entrada (leva meia hora no mínimo para chegar ao guichê). Mas brasileiro, já viu... Logo descobrimos que a fila era só para quem queria comprar ingresso para o tour no palácio principal, coisa que ninguém parecia se dar ao trabalho de investigar– ingressos para a visita completa (incluindo o Grand e o Petit Trianon, além de um áudio guia em idiomas como, pasmem, português – de Portugal, mas inteligível para não-lusitanos) podiam ser comprados em outro guichê, sem filas.
Deixados o frio e a fila para trás, ingressamos no suntuoso Palácio de Versalhes. Uma vez dentro, não é difícil imaginar porque fizeram a Revolução Francesa. Todos os aposentos são ricos em detalhes – banhados a ouro – pinturas e tapetes ornamentados. Até mesmo os tetos contêm pinturas e entalhes. Aqui, o que mais chama a atenção é a Galeria dos Espelhos: de um lado janelas para o belo jardim do castelo, de outro, espelhos na mesma proporção das janelas.
Detalhe interessante: as camas e cadeiras eram pequenas - proporcionais à altura média das pessoas no período (1,50m a 1,60m), enquanto janelas e portas foram desenhadas para gigantes de dois metros. Contradições da época.Saindo do grande palácio (Le Chateau), fomos passear pelo “jardinzinho” real... Obras modernas (sério) permeavam os canteiros e, abaixo de uma escadaria, podia-se ver um belo chafariz. Assim, olhando de cima, estimamos uns 10 minutos de caminhada e descemos tranquilamente os degraus, apreciando calmamente a paisagem. No meio do caminho, a entrada para um labirinto – mais uma voltinha para ver como é que é. Quase meia hora depois quem disse que chegamos ao chafariz? Anote essa dica (e nunca me contrate para estimar distâncias): lá em cima, ao sair do palácio para o jardim, há um ônibus que você pode pegar para percorrer o trajeto até os outros dois palácios e apreciar a paisagem - sentado. Vale a pena, porque o jardim é simplesmente imenso. Pense nuns 3 ou 4 campos de futebol (não aqueles lá do bairro, um Maracanã mesmo): é essa a distância que percorremos a pé. Se quiser algo mais rápido e personalizado, pode alugar um carrinho – do tipo de campo de golfe, sabe? Também vale a pena. A menos que você esteja muito descansado ou seja maratonista profissional.
Sobre os outros dois palácios, 2 comentários: o Grand Trianon foi construído para que a família real pudesse, ocasionalmente, refugiar-se da corte. Já o Petit Trianon foi feito por um dos reis da França para abrigar sua amante – quando ele queria se livrar dos afazeres reais ela estava ali, pertinho (os homens podiam tudo mesmo naquele tempo). Tempos e redecorações depois, acabou sendo o preferido de Maria Antonieta – a rainha que foi decapitada na Revolução Francesa. Neste último, é possível ver instalações como uma cozinha, que curiosamente servia somente para esquentar as refeições – feitas em outra instalação para evitar ratos e doenças.Ah, claro: ao longo do trajeto o visitante encontra alguns restaurantes e lanchonetes. Se não estiver com pressa, sente e aproveite a vista. Há inclusive uma Ladureé (confeitaria francesa citada no último post) no caminho entre o Grand e o Petit Trianon.
De tarde, descansar, claro. Que não. Pausa para o almoço e tomamos o trem de volta a Paris. Linhas de metrô adiante, chegamos ao bairro de Montmartre, onde fica o ponto mais alto de Paris e a Sacre Coer, enorme igreja do século XIX construída em pedra de travertino (diz a Wikipédia), o que garante sua cor eternamente branca. Vale a visita à igreja, que realmente é muito bonita, e a vista, claro (mas nesse quesito ainda prefiro a Torre Eiffel). Atrações à parte, este bairro mostra um outro lado de Paris, menos próspero, digamos assim. Mas nada muito diferente do que vemos no Brasil – aliás, bem melhor.
Calma, o dia ainda não terminou. Com um restinho de fôlego e mais um pouco de metrô, chegamos ao Centre Pompidou. Uma espécie de museu de arte moderna cuja arquitetura é, em si, uma atração. O prédio todo foi construído “ao avesso”. Tubulações, fios, encanamentos – toda a estrutura que normalmente é escondida nas paredes, aqui, fica do lado de fora. É quase um alien da arquitetura, ainda mais comparado aos antigos edifícios franceses que o circundam.Sua estrutura abriga uma biblioteca, restaurante, café, exposições de artistas contemporâneos e modernos, onde se pode encontrar, entre outras raridades, o que é talvez o maior acervo de quadros de Pablo Picasso do mundo.
Após essa maratona cultural fomos, enfim, dormir. O dia seguinte – praticamente o último em Paris, foi preenchido com uma visita às ruínas arqueológicas (mencionadas no Paris Parte I), à Ópera de Paris, a duas FNACs e uma segunda caminhada pela Champs Eliseé. E devo dizer que ficaria lá por bem mais tempo se as finanças permitissem. É isso - se você quer uma viagem inesquecível, coloque Paris no itinerário.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Paris - Parte III
1. Do Arco do Triunfo à Place de la Concorde
Frio, muito frio. Menos de 10º C de temperatura, vento e, para compensar, um sol lindo. Este era o cenário quando saímos do hotel no quarto dia em Paris. Continuando a jornada pelos locais históricos, tomamos o metrô rumo ao Arco do Triunfo.
Construído por Napoleão (ou por ordem dele, como queiram), o Arco é uma homenagem às suas vitórias militares. Novamente, não decepciona nem um pouco. Em seu interior estão escritos os nomes das grandes batalhas ocorridas durante a República e o Império de Napoleão, além de 660 nomes de oficiais que lutaram nelas. Quem desejar pode subir em sua estrutura e novamente ter uma visão de Paris – mas depois da Torre Eiffel, achamos desnecessário. Se quiser anotar para futuras visitações, o preço da subida fica nos clássicos 8 euros por pessoa.Dali, rumamos pela famosa Champs Eliseé observando as vitrines de marcas famosas (e caríssimas). Uma parada na Ladurée – tradicional confeitaria da cidade conhecida por seus macarrons – justamente para conhecer os tão falados macarrons, que não têm nada a ver com macarrão (apesar do nome) ou com alfajores (apesar do formato).
Esses docinhos merecem um parágrafo à parte. Pense num biscoito extraordinariamente leve, feito de farinha de amêndoas, ovos e açúcar, recheado com glacê de chocolate ou maracujá, ou menta, ou frutas vermelhas, ou café ou o que você puder imaginar. Imaginou? Eles praticamente derretem na boca. De volta ao Brasil, a interiorana aqui descobriu a receita – e creio que alguma confeitaria nessas terras deva produzir os biscoitos também. Mas não podia deixar de registrar a experiência.2. Pausa para cenas noturnas
Segunda parada, agora no Lido, para comprar ingressos do show à noite – com direito a jantar e champanhe. A refeição é boa, mas não tanto que rende comentários. Agora, o show, vale o preço do ingresso (para quem já foi a Buenos Aires, o preço de um show de tango é uma gorjeta perto desse). São vários musicais – a maioria em francês, claro – num estilo que lembra os filmes da década de 50, mas levemente despudorados. Embora o melhor da noite seja feito por uma dupla que consegue produzir não sei com que efeitos um homem sem cabeça e uma cabeça flutuante no palco.
Ao contrário do que os guias dizem, você consegue entrar no Lido vestindo calça jeans e tênis (vi alguns casais assim), mas as roupas de gala ainda são preferência da maioria.
Ah, claro: quem já leu a respeito deve estar se perguntando por que não fomos ao Moulin Rouge. Simplesmente porque o Lido foi melhor recomendado. Mas o Moulin vai ficar agendado para a próxima viagem (um dia eu volto).
3. De volta à Champs Eliseé
Após a parada no Lido, já no início da tarde, seguimos pela bela Champs Eliseé pegando um caminho de árvores altas e outonais, no mesmo estilo do Jardim de Luxemburgo. No final da avenida, encontramos o Obelisco tirado de alguma tumba egípcia de muitos anos antes de Cristo.

Anda mais um pouquinho e pudemos finalmente visitar com calma o Jardim das Tulherias, em frente ao Museu do Louvre. Na entrada, há uma réplica do Arco do Triunfo em miniatura. Novamente, um espaço tranqüilo e belo, para sentar e relaxar apreciando o misto de moderno e clássico que caracterizam a entrada do Louvre.
(Pausa para um causo: depois de tanto andar, precisamos – adivinha – de um banheiro. Pensa que é fácil achar banheiro em Paris? As tais cabines públicas estão escondidas que nem o Wally e, quando você acha uma, não está funcionando. Rumamos ao Carrossel do Louvre – galeria de lojas no subsolo do museu. Galeria tem que ter banheiro, e gratuito, certo? Só se for no Brasil... depois de muito procurar achei um feminino – pago e não muito limpo. Mas o masculino estava fechado e o maridão teve que apelar para uma “boutique banheiro”. É isso mesmo: serviço especializado de banheiro, com direito a papel higiênico personalizado e tudo. Dois euros e cinqüenta a “suíte máster” e um e cinqüenta o simplesinho. É mole?)
Terminamos o dia com uma caminhada pela Rua Rivoli, que reúne algumas das lojas mais elegantes de Paris –e alguns “camelôs parisienses” no caminho, para turistas menos afortunados como esta que vos escreve.
Mas a viagem não termina aqui. Mais um tempinho e posto os comentários sobre os últimos passeios. Bom e ensolarado final de semana!
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