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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

La Lune

Eu vou pra lua
Ancorada ao universo cinza
Catar pedras imensas
Eu vou pra lua
com sua certeza do céu que não há
passear entre abismos disfarçados de queijo
sem comida, água ou fé
Flutuarei solta de um lado a outro
até que flutuar perca o sentido
então, leve, cortarei as amarras
e, rumo ao infinito,
enxergarei as estrelas.


sábado, 5 de novembro de 2011

Sombra

Sou a sombra dos poemas que faço
Um pedaço insolúvel das frases que escrevo
Minha alma não cabe no papel dos meus traços
Pedaços de mim que nem sequer vejo

Decifra-me. Talvez ao passar por minhas horas
Haja um vislumbre de mim mesma
Sem a ilusão das palavras
Ou o desejo de sê-las.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Uma Fábula do Pensamento

João acha que pensa
nos caminhos que a vida lhe dá
pensa se leva o guarda-chuva
se usa camisa ou paletó
se pega ônibus ou vai a pé

Maria também pensa
Que pensa no que faz
se faz bolo, ou tapioca
se trabalha, se vira dondoca
se estuda, se casa, se descasa
Maria pensa em nem pensar

De tanto acreditar que pensam
Maria até pensa em João
João até pensa em Maria

Pensam que pensam
Maria e João
Que tudo que sabem
Sabem porque pensam
E assim vão vivendo seus dias
Sem pensar
Que na impensável sala ao lado
João e Maria
São pensados

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Esta manhã

Um sono do tamanho do mundo
E um sol imitando Deus
Azul, infinito, Aquele que carregamos lá dentro
Sem barbas e sem sexo
Deus das crianças que somos,
Belo como as quintas-feiras de abril,
obrigada por Sermos!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Nas quartas-feiras de cinzas

Escrevo só por sentir falta
de ter o que escrever
É que a quarta-feira perdida
em seu mundo de cinzas
implora um papel 
mesmo que roto
Escrevo este poema imperfeito
Cheio de clichês reciclados
De poetas muitos
Sem purpurinas, plumas ou paetês
Escrevo para que as horas em mim existam
Também para você

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Novo Documento

Janelas em bandos
Moldam jardins imprecisos
Preciosas fórmulas para poucos
Poetas binários vivendo em universos paralelos
Janelas, não portas
Aqui, o mundo é vivido em estações solitárias
Lavadeiras cibernéticas trocam fofocas feito pássaros
Namorados guardam fotos em álbuns sem páginas
Páginas contém fatos que não levam tinta
Um outro dia, uma outra história
Ainda que a gente não sinta

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Antes de Babel

Decifrar a forma
Desconstruir o fêmur
Pintar de branco o branco
Riscar de preto o fato
É que versos feitos de tato
Nascem de poetas raros
Que aprenderam a rimar com as mãos

domingo, 7 de novembro de 2010

Dois Mundos

Há poesia aqui
E música, e dança,
e sol, cores, formas
Um mundo que você não vê
Enquanto cansa os olhos em tantos computadores
Melhor mantê-los fechados
Em nome de uma felicidade morna e duradoura
Há poesia aqui, você não sabe
Mas é preciso correr o risco de viver completamente

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Política e Amor de Cão

Domingo que vem é dia de eleição, e domingo - ontem - foi dia de debate com os presidenciáveis na Record. Momento de tristeza, o que mais se pode dizer? O único candidato que pareceu agir com um pingo de franqueza (digo pareceu porque, em tratando-se de políticos, nunca podemos estar 100% certos) foi o Plínio de Arruda. Um socialista (socialista!) de respeitáveis 80 anos e idéias ultrapassadíssimas, em quem eu votaria não fosse o “ultrapassadíssimas”. O mundo já viu o filme do socialismo, e ele evoluiu para ditaduras onde o povo, que deveria estar no poder, perdeu toda a sua liberdade. Em minha opinião, melhor que ser igual é ser livre. Gosto de ser dona do meu nariz. Uma pena, senhor Plínio, uma pena. Em quem votar então? Não quero anular meu voto, mas esta será uma semana difícil pesando prós e contras. 
Enquanto isso, e porque pretendo levar a vida com mais leveza, e talvez porque você também pretenda, um poema para meu fiel escudeiro. Tudo bem se você não entender. É preciso mais do que uma vida para chegar a essa compreensão, e muita sorte. Para mim, foi o caso de um pequeno grande presente, que chegou coincidentemente quando eu pensava que tinha muito pouco.  
Um teco de felicidade
Dorme como se a cama
Fosse menor que ele
Esparramado, 
pés e mãos para fora
sonhando com o infinito
Não tem pretensão maior
que um prato de comida
Talvez alguma brincadeira
beijos e abraços
de todos os amores que puder ter
Há pouco ciúme em seu coração inigualável
e certamente nenhum limite
É feliz, embora não saiba
o conceito de felicidade
Vive no presente
sua pedra filosofal
Inalcançável para nós, 
obtusos mortais que teimam em prever o imprevisível
Jamais aprenderia a escrever ou falar
Mas, em um gesto, é puro entendimento
Ser de outro mundo, de uma simplicidade cortante
Minha sina é saber da tua pouca existência
Tua existência é nunca entender minha sina

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Poema Perdido

Perdi um poema
Ele desapareceu
Estava aqui, o pobre
Descoberto em meio ao emaranhado de palavras
Tontas, tantas
E eu sem leme
Nem rumo
Nem rimas
Perdi o poema
O instante, o segundo
Que só nas letras pude encarcerar
Ou cercar, melhor seria
Até que o primeiro leitor o libertasse
Versos não têm amarras
Nem são colecionáveis como selos raros
Disse alguém de passagem
Nesse caso, vou sentar aqui e esperar com paciência
Meu poema perdido voltar por capricho
Ou curiosidade
De ver-se terminado
E conhecer minha versão do fim

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ensolarada



Dia de SOL
em caixa alta
Um céu azul
de horizonte cinza
paradoxeando a paisagem
Da janela, só os pássaros
e o vento
Na janela, 
pedaços de pensamento
Vejo o mundo aqui de dentro
Entro em estado de graça
Escrever é o que me resta
enquanto a vida se adianta
Tão rápida
e eu, tão lenta
tentando aprisionar o momento
Música impalpável 
Eterno desencontro
Amanhã, 
conto um novo começo

domingo, 25 de julho de 2010

Inevitável

Não posso evitar
tenho os pés cravados no presente
mas a cabeça teima em mirar o futuro
É parte do que sou
dessa essência tão sagitariana
sempre feita de sonhos
embora eu não acredite em coisas assim
diz meu ascendente, o sério Senhor Capricórnio
Dito isso, espero que você compreenda
o tamanho da minha incoerência
vivo presa nessa síndrome esquizofrênica
equilibrando opostos, harmonizando gostos
polemizando miudezas
Então, como se a explicação bastasse,
aqui me detenho: 
é tudo inevitável até que seja reescrito.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Assuntos complexos são para as segundas

Era sexta-feira
E eu iria escrever sobre Deus
Mas então veio a sombra do trabalho
Os raios de poesia em blogs à deriva
E um pouco de mim se perdeu no caminho
Procrastinei
Deus é complexo demais para uma sexta-feira.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sete Vezes Sete

Sete pecados
Sete virtudes
E o equilíbrio

...

Sete notas musicais
Mil vezes sete sons diferentes
Em algum lugar a harmonia

...

Sete cores do arco-íris
Um céu que já foi azul
No armário, o casaco vermelho

...

Sete pragas do Egito
Mas a estante, velha e gasta
Só guarda o Novo Testamento

...

Sete chacras no corpo
Como num computador angelical
Que não sei operar

...

Sete dias da semana
Hoje é quarta-feira
O meio absoluto

...

Sete anos aqui
Que poderia ser qualquer lugar
E leio num texto de autor indefinido
Que sete é o número da passagem
Do conhecido ao desconhecido

Só um minuto,
Vou logo ali
Reservar meu vôo para Pasárgada

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pausa para uma Prosa Futebolística

Pausa para uma prosa futebolística
E eu que do assunto nada entendo
Só nos gritos de gol me adianto
Mais uma defensora nessa causa tão brasileira
Verde, amarela, azul e branca
Bola nossa de cada dia
Dai-nos hoje a alegria da vitória
Amém.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Para o Dia de Todas as Mães

Nesta antevéspera de Dia das Mães, resolvi escrever um poeminha para a mãe minha e todas as outras que, por destino ou escolha, exercem com perícia exemplar esse papel tão importante. Aí vai:


Mãe tinha que nascer com coração duplo
Reforçado
Que é para agüentar cada susto, joelho machucado,
Emoção contida de ver o filho crescer e ganhar o mundo
Que ela, sozinha, mal conseguiu desvendar

Mãe tinha que ser de aço!
Feito os heróis de revista em quadrinhos
Mulher superpoderosa, invencível e incansável
Com armas secretas, esconderijos e habilidades especiais

Mas acontece que mãe também é ternura, abraço apertado
Sorriso de compreensão
Coisas que precisam de suavidade para existir.
Quanta incongruência!
E, no entanto, este papel que só ela há de desempenhar
É o que a torna mais completa, incomparável e insubstituível.

Mãe é.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Um momento

Vácuo
É o pedaço de tempo espremido
Entre o fazer nada
E o ser coisa alguma
Pequena e indetectável miudeza
Vivendo neste despropósito de existência

Penso que seja o tempo de colocar o cérebro em off, reprogramar os neurônios até que a vida seja plena novamente. Caos após caos, o mundo voltaria ao seu normal - livre das bactérias do hábito, que estão sempre a infectar nossos sonhos, ofuscar os olhos e impedir que avistemos caminhos felizes, ainda que de trajetórias distintas. Penso, logo insisto (muito) em continuar. Mas este ainda é um tempo de espera.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Liberdade

O livre arbítrio me pegou
Inerte, nas mãos do destino
Fui resgatada ainda inconsciente
Dos braços da sorte
E agora sou obrigada a fazer escolhas

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Lacuna

Na falta de coisa melhor
escrevo para você
leitor atemporal
que me espia quem sabe porquê

Mas não se arme ainda
esqueça o menosprezo que as primeiras palavras levam a crer
Na falta de coisa melhor
mal me descrevo,
mal me faço entender

São assim as idéias que surgem de repente
Inexatas, imprecisas e indelicadas
talvez.

Esqueça as primeiras impressões
Apenas lembre deste final e,
na falta de coisa melhor,
volte sempre.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Roteiro

Nasci assim
quadrada, rígida
Cheia de sonhos que me encaixam na vida
como perfeita peça de quebra-cabeças

Mas vejam só que surpresa:
Não faço parte deste script
Neste mundo minha rija presença
Precisa ser moldada
Reinventada, renascida

Ah, Deus
O que faço agora
Se decorei as falas erradas?