domingo, 28 de outubro de 2007

O trem passou novamente.
Hoje acordei com meu marido e dois médicos, enfermeiros ou sabe lá o que, olhando-me com cara de assustados. E uma dor de cabeça terrível. É, acho que não tem saída. Ao menos, não agora. O negócio é aceitar a realidade e seguir em frente, com todas as restrições do pacote.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Esses dias, em meio a uma reunião, sem pensar mencionei que tinha um blog. O que não é assim uma grande novidade, mas nem todo mundo tem obrigação de adivinhar isso, afinal, eu não faço muita propaganda. Sabe como é, casa de ferreiro... Enfim, fui surpreendida com uma cara de espanto e as perguntas “você tem um blog?” ao que respondi “claro, você não?” e “por que você tem um blog se não divulga?”, e aí foi quando fiquei sem resposta. Eu tenho uma resposta pra isso, claro. Só que nunca pensei muito sobre ela. Hoje o assunto voltou a pipocar entre minhas divagações, e escrevi o texto aí de baixo.

Da arte das enumerações

Capítulo 1: Porque ter um blog

1 – Para não ter a obrigação de escrever sempre certinho.
2 – Para escrever sobre qualquer coisa.
3 – Para escrever sobre qualquer coisa, sem ter prazo para terminar.
4 – Para escrever sobre qualquer coisa sem ter ninguém alterando o que você escreveu.
5 – Para não desaprender a escrever com leveza.
6 – Para ignorar as críticas.
7 – Porque escrever um livro levaria tempo demais.
8 – Porque é moda.
9 – E finalmente, a resposta suprema: porque sim.

(Mas alguém poderia dizer que as listas boas mesmo têm no mínimo 10 tópicos, então, para complementar, a razão 10 seria a pergunta a todas as respostas: “e por que não?”)

sábado, 20 de outubro de 2007

Não era um trem. Mas, sei lá, ainda não estou levando muita fé. Gata escaldada...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Táctica Y Estrategia

Mi táctica es mirarte
aprender como sos
quererte como sos
mi táctica es hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible
mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé como, ni sé
con qué pretexto
pero quedarme en vos.
Mi táctica es ser franca
y saber que sos franco
y que nos vendamos simulacros
para que entre los dos no hayan telón
ni abismos.
Mi estrategia es en cambio más profunda y más simple,
mi estrategia es;
que un día cualquiera
ni sé como, ni sé
con que pretexto por fin me necesites.

(Mario Benedetti)

domingo, 14 de outubro de 2007

Dês

As desavenças
Os desenganos
Os desafetos
Os desajustes
Os desditos
Os desmedidos esforços para desfazer os “dês”...
"La llama y yo cambiamos señas,
ella torciéndose, yo enclavada.
Le encargo quemar mi cuerpo
en caoba derribada.
Y la llama aceptando me toma
y le veo y le sigo su hazaña.
Caen sienes, caen manos,
y voy con mi soplo y con mi diestra
atizando, en patrona, la llama..."
(Gabriela Mistral)

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Dicas para se tornar uma das Melhores Empresas para se Trabalhar

A nova moda entre as empresas brasileiras agora é figurar no guia das Melhores para se Trabalhar da revista Exame/Você S.A. Por que as empresas querem estar lá, se tem tanta gente procurando emprego? simples: tem vagas sobrando no Brasil, o que falta é profissional qualificado. Procura emprego quem não conseguiu ou não quis estudar. Em se tratando do nosso país, as duas hipóteses são válidas. E os poucos que têm qualificação são disputados com unhas e dentes pelas organizações. Outra versão da teoria (do porque as empresas querem estar no Guia) é que é mais fácil manter os profissionais na empresa - que já conhecem as regras, estão adaptados à cultura e capacitados para as atividades - do que treinar profissionais novos (alguns levam mais de um ano para ficarem "no ponto" e usarem todo seu potencial).

Mas, para variar, divaguei. O que eu queria mesmo é dar a minha contribuição para as melhores práticas das melhores (ou futuras melhores) empresas para se trabalhar. Afinal, creche, plano de saúde, ginástica laboral e vale refeição todo mundo tem. Você, diretor de rh que lê esse blog (pausa para um ataque de megalomania desta que vos escreve) anota aí para colocar no próximo plano estratégico:

a) Sala do descarrego: essa é uma idéia simples e barata para aliviar o estresse da rapaziada. Libere uma daquelas salas de reunião que só servem para o pessoal bater papo e almoçar e forre com um isolante sonoro (dizem que caixas de ovos fazem milagres nesse sentido). Pendure um saco de box bem no meio da sala. Do lado de fora da porta, pendure uma plaquinha com a inscrição “ocupado” de um lado e “livre” do outro. Pronto. Agora, cada vez que um funcionário, ops, esqueci, é colaborador, estiver fulo da vida com aquele fornecedor que não fez a entrega na hora certa, ou com o computador que resolveu pifar, ele pode entrar na sala e bater no saco de box até liberar todas as suas frustrações. Ou simplesmente gritar, o que achar melhor (liberdade de escolha é outro fator muito bem visto entre os funcionários – você pode ganhar uns pontos no Guia com isso).

b) Sala do soninho: outra alternativa para aproveitar aquela sala de reunião que só serve para filosofar. Tire as cadeiras, mesas e quadros da sala e instale uns ganchos na parede. Pendure várias redes nos ganchos. Para melhor aproveitar a sala, distribua almofadas no chão. Está feita a sala do soninho, que seus colaboradores podem usar depois do almoço ou a hora que der na telha. Acredite: sem sono, eles vão trabalhar muito melhor. Ah, não esqueça do ar condicionado no verão e aquecedor no inverno. Benefício pela metade ninguém merece...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Se você acredita que é bom o bastante, nunca será melhor.

(só para não esquecer da frase e lembrar de filosofar mais tarde).

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Disneylândia para adultos


Tinha até uma quase montanha-russa. Assim foi nosso passeio para Bento Gonçalves e arredores no último feriadão. Está quase virando uma tradição: todo 7 de setembro uma vinícola. Quer dizer, dessa vez foram várias. Isso deve valer para os próximos 6 anos, acho.

Já disse um turista nesses sites de roteiros turísticos: Bento Gonçalves é a Disneylândia dos bebuns. Um comentário muito justo. E, se você pensa que as degustações são só uns golinhos de vinho, está muitíssimo enganado: algumas vinícolas deixam até as garrafas à sua disposição, para beber o quanto quiser. Com a vantagem de poder conversar com o dono do lugar em várias ocasiões, conhecer a história do vinho que se está tomando, como foi feito, quais os processos que sofreu para chegar até aquele ponto, com aqueles aromas e sabores tão distintos.

Claro que tive que abrir uma exceção nessa minha nova vida de abstêmia, mas algumas experiências merecem o risco. Ah, e a quase montanha-russa fica em Canela, e passa no meio da mata, vale a pena até para quem tem medo de altura, como eu. Fora que Gramado é o ó do borogodó. Uma cidadezinha pitoresca, toda bonitinha, bem cuidada, acolhedora, enfim. Outro programa que vale a pena é visitar a loja da Tramontina em Carlos Barbosa. Todos os produtos com 20% de desconto, além de uma sessão de produtos de 2ª mão pela metade do preço, e você não consegue achar o defeito.

3 dicas importantes para quem quer fazer essa viagem: leve dinheiro, porque você vai gastar. Não leve crianças. Como bem comentou um menino no saguão do nosso hotel, “não tem nada para eu fazer aqui”. Eles ficam de saco cheio, e acabam deixando os adultos ao redor de saco mais cheio ainda. A 3ª dica é em relação às estradas: leve a sério os avisos de fiscalização eletrônica, e não espere uma plaquinha 100 metros antes avisando onde fica o pardal. Acredite, eles existem. Palavra de quem levou multa.

Para terminar, como dizia aquela música antiiiiiiiga: “Vou voltar, sei que ainda vou voltar....”

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Releitura

Eu ia escrever algo sobre essa mania horrorosa que o mundo corporativo adotou de falar tudo no gerúndio quando, sem saber porque, acabei relendo esse blog e descobri que deixei muitos planos pela metade.

Depois daquele acidente, minha vida congelou. Ou quase: nas últimas semanas estive mergulhada em dois eventos, desconectada de todo o resto para não perder a razão. Deixei uns pensamentos pela metade, umas frases incompletas pelo caminho. E quase esqueci de tudo. Este é o ponto em que descubro o melhor e mais egoísta lado de um blog: as pistas que ficam sobre a minha vida. Graças a ele lembrei de coisas que haviam ficado escondidas em alguma parte de mim que nem eu sei onde fica. É como se os dias que passaram ainda estivessem vivos – descobri uma forma de preservar o passado, e eu mesma.

Opa, a bateria está chegando ao fim. Melhor encerrar por aqui e continuar outro dia. Besos aos leitores acidentais.
eco eco eco eco eco eco eco eco ecoooooo
EEEEEECOOO
ECO
eco

domingo, 12 de agosto de 2007

"Minhas lágrimas não caem mais
Eu já me transformei em pó
E os meus gritos não se escutam mais
Estão na direção do sol
Meu futuro não me assusta ou faz
Correr pra desprender o nó
Que me amarra a garganta e traz o vazio de viver e só
Se alguém encontrou um sentido pra vida, chorou
Por aumentar a perda que se tem ao fim de tudo
Transformando o silêncio que até então é mudo
Naquela canção que parece encontrar a razão
Mas que ao final se cala
Frente ao tempo que não para
Frente a nossa lucidez..."


(Cidadão Quem - banda que descobri dia desses...)

domingo, 5 de agosto de 2007

Reflexões sobre a morte

I
Ontem fez 7 dias que meu avô faleceu. Prefiro pensar que foi para um lugar melhor. E fico pensando de onde afinal veio esse costume de relembrar a pessoa que se foi 7 dias depois. Os católicos têm a missa de sétimo dia. Os luteranos (igreja onde fui batizada) também, acho – só não usam o termo “missa” (lá chamam de culto). Das outras religiões não sei.

II
Um quadro caiu na sala da minha mãe na noite em que meu avô se foi. Um quadro pintado por minha avó. Um dia depois do culto/missa de sétimo dia dela, um relógio de porcelana caiu na sala da minha mãe. Um relógio pintado por minha avó. Gosto de imaginar que foram sinais – de alguém do outro lado dizendo para não perdermos a fé, como uma mensagem que diz “olhem, estou aqui, ainda existo, e vocês também continuarão existindo depois”.

III
Não é bem a saudade que nos deixa tristes quando perdemos alguém. O que dói mesmo é a percepção de que perdemos um pouco da gente. De que tudo aquilo que vivemos com a pessoa que se foi deixou de existir junto com ela. Quando alguém que amamos morre, um pedaço da nossa história morre junto (até aquela data, parece que tudo pode ser revivido a qualquer instante). E isso é difícil de superar. É como se morrêssemos um pouco.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

As Histórias Suas

Nunca mais ouvir suas histórias
Seu eterno pedir licença para falar um pouco mais
E o ficar nervoso ao ser interrompido
Talvez a única coisa que o tirava do sério
Mas era um nervoso tão ameno que nem se sentia

Nunca mais ver sua alegria
Ouvir sua música
Ler os seus textos
Nunca mais saber do tempo das caçadas
Quando ainda havia caçadas nesse mundo
E bichos, e plantas, e espaço
E não se ouvia falar em politicamente correto
Pois você, que foi tão correto quanto seu tempo permitiu
Teria nos contado outras histórias se já conhecesse o termo

Nunca mais admirar esse seu jeito de conversar
E fazer amigos aonde quer que fosse
Nunca mais ter a oportunidade de aprender aquilo que nunca aprendi
(Mas deve ser porque da sua massa eu fiquei com muito pouco)
Agora, só posso guardar o seu exemplo
E torcer para que um dia eu tenha metade do seu bondoso coração
Esse coração que decidiu parar justo agora

Vá, descanse em paz
Nos encontramos do outro lado
No dia em que eu for embora
Levo minhas histórias para lhe contar.

(Para o meu “opa”, que nos deixou em 28 de julho de 2007. Um exemplo de caráter, retidão e bondade difícil de encontrar nesse mundo.)