quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sustentabilidade

Mais um texto que vale a pena transcrever. Retirado do Portal EcoDebate*, publicado em 31 de janeiro de 2009.

Sustentabilidade: na crise, é hora de ser mais responsável. Entrevista com Rachel Biderman e Roberta Simonetti

A crise econômica que se alastra pelo planeta gera um paradoxo aparentemente impossível de se solucionar. Enquanto governos buscam incentivar o consumo, de modo a tentar evitar uma recessão, é consenso que o consumismo desmedido está na origem dessa crise. E que um dos passos para se alcançar o tão desejado desenvolvimento sustentável é reavaliar o modelo econômico, consumindo com menos exagero. Diante deste cenário, fica a dúvida: a crise pode trazer uma oportunidade para que empresas e governos comecem a trilhar o caminho da sustentabilidade ou ela pode pôr esse novo modelo em risco?

Para responder essas questões conversamos com duas especialistas do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas: Rachel Biderman, coordenadora-adjunta, e Roberta Simonetti, do Programa de Sustentabilidade Empresarial. Leia a seguir a íntegra da entrevista, cujos principais trechos foram publicados em carderno especial sobre sustentabilidade de ‘O Estado de S. Paulo’. Entrevista realizada por Giovana Girardi, do O Estado de S. Paulo, 29/01/2009.

# Como a recessão e falta de crédito generalizadas devem afetar os programas de sustentabilidade de empresas e as políticas governamentais nesse sentido? A sustentabilidade vai sobreviver à crise?

Rachel - Esta crise é uma crise também da sustentabilidade. Em todos os sentidos. É uma crise da ética empresarial, do meio ambiente, dos direitos humanos e sociais, da governança corporativa, enfim, de tudo que está sob o guarda-chuva da sustentabilidade. Se a sustentabilidade fosse enraizada nas organizações, a crise não estaria acontecendo. E o movimento em prol da sustentabilidade empresarial e governamental tem que se fortalecer ainda mais a partir de agora. Não é momento de preocupação sobre eventual arrefecimento do movimento. É uma chance de trazer esse debate à tona, de chamar à responsabilidade os tomadores de decisão, sejam eles de governo ou do setor empresarial. E jogar a luz sobre os bons exemplos, para que se tornem os guias desta nova fase da história da humanidade. Os atuais tomadores de decisão têm em suas mãos a chave para um futuro saudável. Aqueles que abraçarem a causa socioambiental serão os líderes do futuro.

Roberta - Na edição anual da Economist “The world in 2009″, o editor Daniel Franklin afirma que este será o ano de teste da sustentabilidade, de ver quais empresas e quais governos estão levando a sério esta questão. Empresas que de fato incorporaram a sustentabilidade a sua estratégia verão oportunidades. Por outro lado, empresas que ainda compreendem a sustentabilidade apenas como instrumento de marketing ou como apoio a ações sociais terão que cortar despesas e isso pode afetar o poder de ‘venda’ do que acreditam ser sua imagem de sustentabilidade, e que boa parte do público ainda acredita. O que será também uma oportunidade de “separar o joio do trigo”. A ideia de que sustentabilidade necessariamente implica em aumento de custos não é verdadeira. Existem muitas iniciativas que podem gerar redução de custos e aumento de receitas.

Aumentos significativos de custos podem ocorrer quando há desenvolvimento de novas tecnologias, investimentos em P&D. Mas ainda que recursos para isso sejam mais escassos com a crise, é preciso lembrar que sustentabilidade implica em longo prazo e que, considerando este horizonte, o custo de “não fazer” pode ser maior do que o custo de fazer. Além do mais existem muitos aspectos da sustentabilidade, cuja implementação não tem custos significativos. Por outro lado, é preciso que os bancos de desenvolvimento (como o BNDES) comecem a direcionar seus recursos de outra maneira e não desperdiçar valiosos recursos como têm feito.

# Mas na prática diária, é isso mesmo que tem se observado ou, no susto, o comportamento padrão deve continuar em torno do velho, e doente, modelo econômico?

Rachel - Não existe mais espaço para o modelo econômico em decadência. E a transição tem que ser genuína, completa. Não é suficiente ´pintar uma fachada´, ´arrumar a sala´, se a sujeira ainda ficar escondida. Esta crise é estrutural, e sua superação não depende de um reforço nas vigas, mas da troca das colunas que sustentam a casa. Há crises simultâneas, correlacionadas, profundamente entrelaçadas, como a crise financeira, a energética, as mudanças climáticas, pobreza, segurança, a geopolítica do petróleo e as guerras daí decorrentes. A resolução de tudo isso depende da tomada de consciência e imediata ação de cidadãos, empresários, governantes, enfim, de todos os atores sociais. A eleição de Obama nos EUA parece ser uma resposta da cidadania cansada. É preciso ver se essa vontade de mudança está generalizada no planeta. Há muito trabalho a ser feito. É hora de se colocar a boa energia a todo vapor para empreendermos os necessários movimentos para consecução do tão almejado desenvolvimento sustentável, para que deixe de ser elucubração de acadêmicos e militantes, e passe a nortear nosso futuro.

Roberta - Permanecer no conforto do conhecido é de fato mais fácil. Ainda mais quando a mudança é profunda e mexe com crenças e sistemas cristalizados, ainda que falidos. Foram necessários mais de cem anos para que o modelo heliocêntrico fosse aceito em substituição ao geocêntrico, e sabemos qual era o destino dos ‘hereges’: abdique da sua compreensão ou vá para a fogueira. Dizer que o comportamento deve ser profundamente modificado, que precisamos nascer menos drasticamente, fazer uma “moratória populacional”, consumir menos (é claro que isso vale para os 20% que consomem 80% de tudo que é produzido), objetivar lucros menores e se satisfazer com outros resultados positivos dos negócios e crescer menos (ou até decrescer) soa como heresia para a grande maioria (felizmente não temos mais o hábito de sair por aí “fritando” pessoas). Aparentemente, há um número crescente de pessoas (físicas e jurídicas) percebendo a necessidade de rever nossos valores, de agir de maneira ética e responsável, considerando tudo e todos ao nosso redor.

# Entretanto, alguns setores que adotam práticas sustentáveis vêm mostrando sinais de retração, como o de madeira certificada, cujas vendas caíram. Como ainda está em fase de consolidação, esse tipo de produto é mesmo mais caro, e em época de crise, o que parece contar é o preço.

Rachel - O consumo de certos produtos está mais internalizado nos hábitos corriqueiros do que outros. Alguns mercados estão mais estruturados que outros. É preciso não misturar os canais. Preço é um fator relevante, mas não é o único. Na Europa o consumo de produtos sustentáveis já se tornou mais comum, a produção de muitos bens já se tornou competitiva. No Brasil também temos exemplos de produtos sustentáveis já competitivos em termos de preços. Não podemos esquecer, no entanto, que o preço do não-sustentável esconde uma série de externalidades, que são pagas pela sociedade. Ou seja, uma madeira não certificada, de origem ilegal, certamente gera um custo para a sociedade que é o desmatamento ilegal de algum remanescente de vegetação, emissão de gases de efeito estufa, queimadas que geram internações de crianças e idosos em hospitais, e alguém esta pagando esse custo - dentre as atuais e futuras gerações.

A viúva que paga esta conta é o governo em geral, através dos sistemas de saúde, de gestão ambiental, dentre outros, com os impostos pagos por nós. Ou então, a conta é paga pelos próprios afetados por doenças ou danos ambientais, com seus próprios bolsos. Mas, na maioria das vezes, é o dano ou a doença que prevalecem, pois não há quem pague pelo estrago. Então que preço é esse da madeira não certificada (ou não manejada legalmente e sustentavelmente)? Certamente é o preço que prevalece no mercado hoje, de uma madeira ilegal, gerada de forma irresponsável e desrespeitosa das atuais e futuras gerações. Precisamos tomar consciência de que toda vez que compramos um bem que não foi gerado com respeito ao meio ambiente e à cidadania, estamos matando nossos filhos e netos, de forma cruel e lenta. Algo está equivocado nessa economia que ignora os custos que a sociedade tem que arcar,e transfere o ônus da conta para os mais pobres, ou toma de empréstimo de quem sequer está no planeta . Ou seja, damos um tiro em nossos próprios pés, se não optamos pelo bem sustentável. Os economistas ambientais já vêm alertando há mais de uma década que é preciso alterar a forma como fazemos nossa contabilidade e precificamos os bens. Algumas variáveis do cálculo estão ficando de fora, às custas do planeta, e das atuais e futuras gerações que aqui residem.

Roberta - Nosso desafio é mostrar que isso não é necessariamente verdade. Conhecemos o caso de uma empresa que conseguiu madeira certificada, atravessando o país de norte a sul, e com um preço inferior ao da madeira não certificada. É real. E se o único tipo de madeira disponível fosse a madeira certificada? O desafio seria encontrar o menor preço dentre as certificadas. Isso é possível. Não faz muito tempo em que as geladeiras eram fabricadas usando CFC e, possivelmente, sua produção era mais barata do que usar outro gás, mesmo porque era preciso pesquisar, desenvolver novas tecnologias. Hoje não há mais CFC e não foi porque os consumidores acharam que a outra era mais barata, mas porque houve uma mobilização, um acordo, uma legislação, enfim uma vontade de mudar que deu certo. O mesmo poderia ocorrer com a madeira. Hoje diferentes fabricantes de geladeiras competem para oferecer o melhor preço e ganhar clientes, mas nenhuma utiliza CFC.

# E qual poderia ser a alternativa para os produtos sustentáveis não afundarem enquanto eles ainda se esforçam para expandirem?

Rachel - Por exemplo a promoção de uma revolução no sistema de cálculo dos impostos e distribuição de receitas do governo. E da forma como se faz a contabilidade nacional, dentre outros cálculos econômicos relevantes. O mercado também deve refletir essa tomada de consciência, incorporando as variáveis da sustentabilidade no cálculo de produtos e serviços, sem transferir integralmente esse custo para os consumidores. Cada um (produtor e consumidor) deve fazer uma parte desse investimento, compartilhar o ônus da readequação, para poder colher os frutos dessa repaginação da sociedade. Se déssemos o devido peso e valor aos recursos naturais, direitos sociais e humanos, certamente os produtos e serviços seriam precificados de outra maneira.

O consumidor tem muito poder nesse redirecionamento, ao optar por produtos e produtores mais sustentáveis, mas sozinho não consegue fazer milagre. E mais, é injusto permitir que apenas os mais ricos possam adquirir comida mais saudável e carros menos poluentes. Deve ser direito de todos consumir o que gera menos danos à sociedade. Mais importante ainda é garantir acesso ao consumo dos bens essenciais e uma vida digna a todos. Se não houver um casamento entre políticas públicas e empresariais, entre instrumentos econômicos e jurídicos, entre mercado e consumidores, em prol da sustentabilidade, a superação desses dilemas não acontecerá.

# Um mundo mais sustentável passa necessariamente por sociedades que consumam menos produtos, energia e recursos naturais e ao mesmo tempo reciclem e reutilizem mais. Só que, em época de recessão, o que mais se ouve de governantes é um incentivo, na verdade um pedido, justamente pelo aumento do consumo. Como é possível lidar com esse paradoxo?

Rachel - Essa crise é do modelo da atual sociedade de consumo, que está contaminada pelo modelo norte-americano de desenvolvimento e consumo, que ultrapassou o ´tipping point´(ponto de retorno), ou seja, tornou irreversíveis certos danos. Não é possível todos os seres humanos manterem o mesmo padrão de consumo dos norte-americanos - e, quiçá, dos futuros chineses. E, como nós, seres humanos, operamos pelo sentido da emulação, acabamos almejando aquilo que nosso vizinho possui, para nos sentirmos realizados. Não há recursos suficientes para que todos sigam o modelo ocidental de consumo, propagado pela indústria cultural, despejado nas telinhas azuis dos lares como receita e garantia de felicidade eterna. Já ultrapassamos a capacidade de regeneração do planeta. Estamos na rota do irreversível, conforme já alertam muitos centros de ciência. Não pode haver alerta mais eloquente do que os quatro relatórios de cientistas de todo o mundo - inclusive do Brasil -, que compõem o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), publicados desde 1990 até 2007, afirmando que a mudança climática é real, causada pelas atividades humanas, e se tornará irreversível em poucos anos.

O presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, tem avisado, por onde anda no globo, que os próximos quatro anos serão os mais definitivos da história de toda a humanidade, pois está em nossas mãos, cidadãos da atualidade, a chave do futuro. Unem-se a ele nesse alerta Al Gore, Nicholas Stern, dentre outros formadores de opinião. Portanto parece ser evidente que é necessária uma radical e imediata mudança de postura, de quem investe, de quem produz, de quem consome, de quem elege, que, afinal, somos nós. Não necessariamente teríamos que abrir mão de conquistas importantes. Basta agir com inteligência. Talvez tenhamos que distribuir melhor e abrir mão de luxos e excessos. E pedir isso não é demais, em nome de nossos filhos e netos, certo? Se isso não acontecer, a Terra voltará a viver sem nós…O sistema climático tem sido nosso melhor despertador. Está tocando um alarme já faz tempo, e estamos com preguiça de acordar… Esse sono demorado pode nos fazer perder o bonde da história. Portanto, dentre as inúmeras tarefas que temos pela frente, uma delas é distinguir o consumo de bens essenciais dos supérfluos, e trabalhar um modelo de economia que se sustente, não no consumo exacerbado de bens inúteis e poluentes, mas no modelo de prestação de serviços que agreguem ao capital intelectual humano e melhorem o nível de vida das pessoas. Certamente a existência física dos seres humanos pode prescindir de alguns excessos que produzimos. Precisamos mais inteligência, cultura, arte, criatividade.

Comida há para todos no planeta, basta que se organize um sistema inteligente de distribuição. E mais, que tal consumirmos mais tempo em família, mais livros, tempo nos parques e jardins, passar parte de nosso tempo fazendo trabalho voluntário, ao invés de gastarmos dinheiro que temos (e muitas vezes não temos), em consumo de bens etéreos e passageiros, que não nos trazem satisfação? A sociedade hiperconsumista da atualidade certamente não é uma sociedade feliz. A felicidade não está à venda costurada como adereço de um ultimo modelo da moda, numa embalagem superfashion, ou num carro hiperturbinado. Ela está nas coisas simples. No fundo, precisamos de uma nova doutrina, um choque de ´generosidade´, e um resgate de valores que ficaram para trás. Acho que é essa a mensagem que a crise nos traz, e o planeta também.

Roberta - Isso não é um paradoxo, é uma contradição, uma inconsistência e fruto do analfabetismo ecológico, que precisa ser erradicado. Nossos governantes (e isso não é ‘privilégio’ deles) não sabem o significado de sustentabilidade e suas implicações, não perceberam sequer a insustentabilidade do nosso modelo, não sabem o que é entropia, não se deram conta que os recursos são realmente finitos, que a capacidade de suporte da vida foi superada e que estamos em rota de colisão com o nosso fim. Ainda há a crença no modelo econômico vigente onde “com trabalho e capital suficientes podemos fazer crescer ilimitadamente o bolo, e dividi-lo quando estiver suficientemente grande” (e após, é claro, ter satisfeito a ‘gulodice’ dos consumistas, que comem mais do que necessitam). Herman Daly, para explicar o contraponto de Georgescu e a inconsistência do modelo econômico clássico, deu o exemplo do bolo: este modelo implica na visão de que para se fazer um bolo maior bastaria aumentar a velocidade da batedeira (tecnologia), como se o tamanho do bolo resultante independesse da quantidade de ovos, farinha, leite, etc. (recursos naturais).

Qualquer criança percebe o absurdo desta visão, mas os economistas não, e foram ainda mais longe, premiando seus autores. Aproveitando este exemplo, é como se estivéssemos usando um fermento “mais moderno” que faz o bolo parecer maior, mas esse aumento é virtual, pois a quantidade de nutrientes não se altera. Isso nos remete a algumas questões no epicentro da crise financeira: foram criados produtos e mercados sofisticados, que leigos não entendem (e muitos financistas tampouco) baseados em ilusões, isto é, não existe riqueza subjacente. O benefício desta crise é mostras estas inconsistências e, portanto, há esperança de mudança.

# O modelo econômico atual terá de implodir para que essa mudança ocorra?

Rachel - Enquanto assistimos à crise financeira por nossas telinhas, está acontecendo, nos bastidores, uma tremenda corrida tecnológica para ver quem será o detentor da nova fórmula energética que impulsionará o motor da economia globalizada daqui para frente. Estamos vivendo os estertores da economia do petróleo. A crise climática e energética trouxeram ao primeiro plano a necessidade de mudança da base energética que faz o planeta e as economias se movimentarem. Os dias do petróleo estão contados e quem dominar a próxima tecnologia - ou as próximas tecnologias -, terá o poder econômico e, consequentemente, político. Essa tem sido a história da humanidade. As guerras mais recentes confirmam isso. O crescimento da demanda dos norte-americanos por petróleo gerou a invasão do Iraque.

O Brasil é tanto mais forte nesse cenário, quanto mais autônomo for em geração de energia, como é hoje. O domínio da tecnologia nuclear, que pode ser usada tanto para geração energética, como para guerra, é nevrálgico nessa geopolítica. As negociações do regime internacional do clima (Convenção da ONU e Protocolo de Kyoto) têm nós que aguardam o desenrolar dessa corrida tecnológica. Portanto, o novo modelo produtivo e econômico dependerá de quanto será investido na superação do petróleo e em quanto tempo isso acontecerá. O novo modelo de produção sustentável dependerá em grande parte da disponibilidade de energia. Espera-se que a transição se dê na direção das novas fontes renováveis (sol, vento, marés, geotérmica, etc) e não no garimpo do que nos resta de fontes fósseis.

Roberta - A refilmagem de “O dia em que a Terra parou” (1951) nos aponta a ideia de que “o ser humano muda apenas quando está à beira do precipício”. É provável. E nós já estamos lá. A questão é saber quantos de nós já percebemos a aproximação do precipício. A mudança radical é uma revolução, uma mudança de paradigma, que é mais do que um simples modelo. Segundo Thomas Kuhn (”A estrutura das Revoluções Científicas”) um paradigma “é aquilo que os membros de uma comunidade partilham”, ou um modelo consensuado, onde também são compartilhados um conjunto de valores, compreensões e visões. Um importante paradigma que precisa ser mudado é o do crescimento. Não podemos continuar crescendo, seja economicamente, seja fisicamente. Nada no universo cresce sem parar, sem que haja uma contrapartida. O universo se expande, mas sua densidade diminui. Tumores crescem, mas se não forem contidos provocam a morte. Ultrapassamos os limites da Terra para atender os padrões de consumo da sociedade moderna, ainda que de sua minoria. Já dizia Gandhi, “a Terra satisfaz a necessidade de todos, menos a ganância dos consumistas”. Mas é provável que nós vamos escorregar no precipício, nos arranhar e nos machucar e, talvez, sobrevivamos.

# Se a crise servir mesmo como uma oportunidade, pode ser que essa transição se acelere?

Roberta - Acredito que sim. Mas veja, a crise econômica vai passar em alguns anos (esperando que o modelo evolua), mas a crise ambiental, da sustentabilidade da vida no planeta será um desafio para algumas gerações. A crise econômica está relacionada à ganância de poucos, à visão míope de um modelo cujos valores se baseiam no interesse de poucos e de curto prazo, não incluindo interesses comuns. Mas a crise econômica é apenas uma parte da crise. A crise é mais profunda é, sobretudo, uma crise ética, de valores, de significado. Afinal, ‘viver a que será que se destina?’, para alguns poucos para a acumulação sem sentido, sem razão, vazia. O modelo econômico-financeiro atual deve mudar, não pode continuar como está. O problema é se quisermos usar a crise como uma oportunidade para continuar fazendo do mesmo, isto é, buscando oportunidades de aumentar os lucros e crescer. Se não houver a profunda, ampla e necessária mudança verdadeira.

O discurso do presidente Barack Obama dá sinais de uma mudança americana neste sentido. Mas o que pode ocorrer se ele falhar nessa promessa ou se a economia dos Estados Unidos não responder adequadamente em direção à sustentabilidade?

Rachel - Os olhos de todo o planeta estão em Obama e sua equipe. Certamente seu sucesso poderá conduzir à superação de parte dos problemas que hoje afligem a humanidade. Mas o mundo hoje tem muitos epicentros socioeconômicos e culturais, e é fundamental a ação de outras forças mobilizadoras ao redor do globo. Não é possível, nem desejável, depositar tanta esperança e responsabilidade sobre os ombros de um único homem e seus assessores. Essa é uma tarefa monumental que deve ser compartilhada por todos que têm responsabilidade e enxergam a fresta de luz que é oferecida para gerar a energia que deve mover nosso futuro. É um momento sem volta, que será registrado na história com maior peso do que foram todas as guerras mundiais ou crises de recessão ou depressão econômica do passado. Vivemos uma conjunção de crises, que só vão ser solucionadas com muita inteligência, boa vontade e generosidade. A história nos dirá.

Roberta - Seu discurso, realmente, traz muita esperança. A mudança não falhará porque já aconteceu, está acontecendo. A meu ver, a falha está na crença de que o novo presidente vai resolver todos os problemas do mundo, incluindo a sustentabilidade da vida. A mudança já começou e ele tem o importante papel de ser um catalisador de parte destas mudanças. Uma pessoa sensível, inteligente e culta; comprometida com uma história de luta e um propósito de vida significativo. Em minha opinião, é preciso nos distanciar dos aspectos econômico-financeiros da crise para podermos ter outra perspectiva e perceber toda a sua dimensão; redimensionar seu peso que ganha uma gigante proporção dada a sua presença constante e exclusiva nos noticiários.

*Entrevista publicada no O Estado de S. Paulo, quinta-feira, 29 de janeiro de 2009, 17:09

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Já leu esse?

Eu tinha que postar esse texto. Diz a lenda que é do Arnaldo Jabor.

O que as mulheres serão para as gerações futuras?
Arnaldo Jabor


Acabo de voltar do carnaval na praia, onde fiz uma triste constatação: tá dominado, tá tudo dominado!!! Só dá funk! O "neo forró" tenta uma reação, mas suas letras não são cafajestes e não trazem a "alegria compulsória" que o brasileiro tanto gosta.

Aí não dá, né, pô?! Como é que o cara quer fazer sucesso sem tratar mulher como lixo?! Esses forrozeiros, vou te contar...

A indústria do CD pirata vai tratar de enfraquecer esse negócio, mas o jabá e a televisão devem insistir na onda por um bom tempo. Xuxa, Luciano Huck, Raul Gil, Gugu, enfim, toda essa gente boa vai se virar pra ganhar em cima. A Bandeirantes até já vai lançar um programa semanal com duas horas de duração dedicado ao funk. Isso, claro, até o "Tigrão", a mente por trás do "movimento", ser domesticado, o que, em termos mercadológicos, significa botar um terninho e gravar uma babinha pra novela das oito da Globo.

O "Tigrão", aliás, deu uma elucidativa entrevista pra revista VIP de março. Eu digo elucidativa, pois ele dissipa a névoa de ignorância (por parte do público) que encobria alguns aspectos do "movimento". Vejamos: em determinado trecho da entrevista, "Tigrão" diz: "....As pessoas gostam desse erotismo. Mas, se você analisar, as letras nem são tão pesadas.. Elas têm duplo sentido, até porque o público infantil ouve funk".

Muitas coisas interessantes nessas sentenças! Então vamos por partes: "...se você analisar, as letras nem são tão pesadas". Eu analisei e ele está certo. Quem, em sã consciência, poderia achar pesada a letra do funk "Máquina de Sexo", que diz:

"Máquina de sexo, eu transo igual a um animal
A Chatuba de Mesquita do bonde do sexo anal /
Chatuba come cu e depois come xereca
Ranca cabaço, é o bonde dos careca"?


Nota-se a leveza de termos como "sexo anal", "cu", "xereca" (!) e "cabaço". "Elas têm duplo sentido...".

Procurei demais e não ache i o duplo sentido no funk "Barraco III":

"Me chama de cachorra, que eu faço au-au /
Me chama de gatinha, que eu faço miau /
Goza na cara, goza na boca /
Goza onde quiser".


Ah, agora entendi! "Goza na cara" é porque o cara ficava tirando sarro da menina pelas costas. Aí ela diz "Goza na cara!". Que coisa... "...até porque o público infantil ouve funk". Eis uma verdade e a preocupação do "Tigrao" se justifica. Foi pensando nas crianças que o garoto Jonathan, de 7 anos (ele mal tem coordenação motora para reproduzir a coreografia) foi incentivado a gravar o funk "Jonathan II", de edificante letra:

"De segunda a sexta, esporro na escola
/ Sábado e domingo, eu solto pipa e jogo bola
/ Mas eu já estou crescendo com muita emoção
/ E eu já vou pegar um filé com popozão".


7 anos!!! 7 anos!!! Pô, foi mal... A culpa é minha, gente grande, feia e besta, que não entendo. Então, vamos lá, repetir o discurso de dez em cada dez apresentadores d e programas femininos e de auditório: todo mundo junto, um, dois, três e já: "A malícia está na cabeça do adulto, a criança só quer se divertir. Onde já se viu, se preocupar com uma coisa dessas. Das crianças que passam fome na rua ninguém fala nada...". Aplausos entusiasmados e urros de apoio, por parte do auditório.

É bom que se diga que as crianças que passam fome nas ruas são um sério problema social, cuja resolução deve ser uma das prioridades máximas de qualquer governo (detalhe sem importância: os funks da moda não passam nem perto dessa questão.. Mas, beleza, vamos lá...). Só que é um problema do governo, a gente não tem nada com isso, não é mesmo? Ao invés disso, vamos dar risada e incentivar o moleque de 7 anos (7 anos!!!) a "pegar um filé com popozão". Afinal, nunca é cedo demais pra mostrar pro papai que se é um garanhão, que não deixa passar nenhuma cachorra. Isso é que é uma infância saudável!

E pensar que eu perdi tanto tempo assistindo "Bambalalão", "Sítio do Pica-Pau Amarelo" e ouvindo aqueles discos da "Turma do Balão Mágico". Ao invés disso podia estar por aí, transando umas cachorras...

Enquanto a gente dá risada, a molecada vai crescendo com a certeza de que mulher não passa de uma bunda e um par de peitos siliconados, que gosta de ser chamada de cachorra e que acha que só um tapinha não dói. Se "só um tapinha não dói", o primeiro deveria ser dado no popozão dos tigrinhos e cachorrinhas que curtem essas coisas. Depois a gente não entende o motivo do aumento dos índices de violência contra a mulher e porque ela é tão desrespeitada na sociedade.

Será que não é óbvio? Você, cadela... quero dizer, mulher que está lendo isso, levante-se e lute! Não seja uma cachorra! Um tapinha dói, sim! Exija respeito antes que nós, homens, acreditemos que é isso mesmo que vocês querem. Deponham as Xuxas, Carlas Perez , Feiticeiras, Tiazinhas, Enfermeiras, Internéticas, Vampiras, Fernandas Abreu e Vanessinhas Pikachu de seus reinados de miséria intelectual! Conto com vocês!!!

E lembrem-se sempre da cada vez mais pertinente frase de Oscar Wilde: "Todo crime é vulgar, assim como toda vulgaridade é criminosa."

quarta-feira, 22 de abril de 2009

E o nosso dinheiro voa...


"Passagens da Câmara serão só para os deputados, anuncia Temer
Assessores só poderão usar passagens para representar parlamentares. Gastos com bilhetes aéreos serão expostos na internet.


fonte: http://g1.globo.com

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), anunciou nesta quarta-feira (22) que somente os deputados poderão receber passagens aéreas da Casa e somente para voos nacionais. Só será permitido o repasse de passagens para assessores que forem representar os parlamentares em eventos e com anuência prévia da 3ª secretaria da Câmara. Os gastos com as passagens serão publicados na internet.

A decisão, segundo Temer, foi tomada após conversas com integrantes da Mesa Diretora e líderes partidários durante o feriado de Tiradentes.

“Conversei com integrantes da Mesa e líderes desde sábado e chegamos a uma conclusão de que as passagens aéreas serão só para os parlamentares e para voos no Brasil”, disse Temer. (...)"


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Pergunto: por que levaram tanto tempo para chegar a esta conclusão???
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"Eles voam para o Exterior, nós pagamos

fonte: www.clicrbs.com.br

Novo levantamento do site Congresso em Foco revela que nada menos do que 261 deputados usaram a cota de passagens aéreas pagas pela Câmara para viajar ao Exterior. Nessa lista estão 20 dos 31 deputados gaúchos e nove catarinenses. No RS, o campeão é Afonso Hamm (PP), deputado da região de Bagé e que cedeu 19 bilhetes aéreos para terceiros flanarem em terra estrangeira.

Já em SC ninguém bate Fernando Coruja (PPS). O líder do PPS também emitiu 19 passagens aéreas para o Exterior. Vejam abaixo a lista dos parlamentares dos dois estados que viajaram ou emprestaram passagens para o Exterior.

Rio Grande do Sul


Afonso Hamm (PP) - 19
Ruy Pauletty (PSDB) - 15
Vieira da Cunha (PDT) - 14
Adão Pretto (PT) - 8
Darcísio Perondi (PMDB) - 7
Tarcísio Zimermmann (PT) - 7
Enio Bacci (PDT) - 6
Paulo Roberto (PTB) - 6
Cláudio Diaz (PSDB) - 5
Germano Bonow (DEM) - 4
José Otávio Germano (PP) - 4
Pompeo de Mattos (PDT) - 4
Luciana Genro (PSOL) - 3
Vilson Covatti (PP) - 3
Eliseu Padilha (PMDB) - 2
Luiz Carlos Busato (PTB) - 2
Nelson Proença (PPS) - 2
Renato Molling (PP) - 2
Luiz Carlos Heinze (PP) - 1
Beto Albuquerque (PSB) - 1


Santa Catarina

Fernando Coruja (PPS) - 19
Nelson Goetten (PR) - 14
Djalma Berger (PSB) - 8
João Matos (PMDB) - 8
Ângela Amin (PP) - 6
Edinho Bez (PMDB) - 4
Paulo Bornhausen (DEM) - 4
Ivan Ranzolin (PP) - 2
João Pizolati (PP) - 1"

terça-feira, 21 de abril de 2009

Adendo

A última ligação para a Net levou 83 minutos. Eles pediram para aguardar um pouco porque iam verificar uma informação e, 83 minutos depois, simplesmente desligaram. Fico pensando quanto dinheiro essa empresa perde com ligações telefônicas por pura incompetência. Mas, enfim, agora terminando a saga, nossa conexão subitamente voltou a funcionar. E vivemos felizes para sempre...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Para fechar com chave de ouro:

Encerramos a conta de tv a cabo na Net, mas mantivemos a assinatura da Internet (tínhamos contrato para os dois serviços com a empresa). Adivinha o que aconteceu? Cortaram a tv e a Internet, mas mandaram o carnezinho com a fatura... legal, né? Mais legal ainda foi esperar 17 minutos no telefone para não ser atendido (será que é regra da casa, cansar o cliente para ele não ligar nunca mais?).

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Apesar de não ser fã de futebol, para o bem de todos e felicidade geral da nação lá de casa, liberei* o pagamento da transmissão do campeonato paulista pro maridão. Pela Net. Eu não devia citar o nome da empresa aqui porque, mesmo falando mal - que é o que vou fazer - isso é uma forma de propaganda. Mas acho que a parca mas valorosíssima audiência deste blog merece saber do caso.

Eu disse paz e felicidade. Pois é. Acontece que a cada jogo que o maridão quer assistir, tem que ligar pra Net e pedir para liberarem o canal. E eles nunca liberam antes de começar a partida. Da última vez, simplesmente não liberaram. Apesar de umas cinco ligações implorando para que o contrato assinado fosse levado a sério. Resultado: cara amarrada, frustração, e eu que aguente o mau humor. Se a nossa justiça não fosse tão lenta eu diria que deveríamos processar a empresa. Mas, sejamos realistas: nós moramos no Brasil.

A título de curiosidade, fui pesquisar com aquele-que-tudo-sabe (o Google) e achei no site Reclame Aqui (www.reclameaqui.com.br) um ranking com as empresas mais reclamadas. A Net está na 10ª posição.

*Aos machistas de plantão, o termo "liberei" é apenas uma forma de dizer. Nosso regime é praticamente democrático. :)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

"Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu..."

(e o medo de me repetir...)

sexta-feira, 27 de março de 2009

"É uma crise causada e fomentada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis que, antes da crise, parecia que sabiam tudo e agora demonstram que não sabiam nada." (Luiz Inácio Lula da Silva)

Estamos virando um país racista, com preconceitos que parecem vingança de outros tempos. Ao invés de evoluir, nosso ilustre presidente ressuscita o tempo todo a filosofia dos coitadinhos, numa lógica burra e irresponsável. Não dava para deixar essa passar em branco.

Aff, e isso lá é jeito de terminar a semana? Melhor me concentrar no céu AZUL com suas nuvens BRANCAS...

terça-feira, 24 de março de 2009

Crise, demissões, falta de perspectiva... quem quer ouvir notícia boa, com tanta catástrofe anunciada? É verdade que adoramos uma tragédia, mas isso não quer dizer que ela nos faça bem. O problema de se concentrar nas notícias ruins é que passamos a acreditar que o mundo é feito só disso. Expandindo um pouco o raciocínio, como país, acreditamos mesmo que não temos solução. E pensamento ruim atrai situações ruins, vida ruim. Por que não pensar positivo? E daí você se pergunta "tem algo positivo em que pensar?". Tem. Stephen Kanitz montou um blog para provar. É, "o" Stephen Kanitz, não uma blogueira qualquer. Você pode não dar bola para a minha opinião, mas vai ignorar os comentários dele? Visite O Brasil que Dá Certo e comprove. O link está na coluna à direita desta página, com os títulos dos últimos posts, pra facilitar.

sexta-feira, 20 de março de 2009

No mês da mulher (freqüentemente me pergunto se precisamos disso e, no fim, chego a conclusão que somos imaturos demais para abolir) o Hamás paga 3 mil dólares para o homem que casar com uma viúva de guerra, enquanto Michelle Obama organiza visitas de mulheres famosas a escolas norte-americanas.

O mundo de lá ainda acha que devemos ser protegidas, sustentadas, regidas por um ser superior e sábio (????). O mundo de cá tenta mostrar às mulheres que tudo é possível, inclusive adotar posturas e formas de vida totalmente masculinas. Tenho que reconhecer que já fui mais revoltada com as duas situações. Mas a velha lei da relatividade ensina que tudo tem sua razão de ser. Não vou explicar porque - minha preguiça deixa ao leitor a oportunidade de julgar por si mesmo.

Leia a notícia sobre o "dote" do Hamás aqui: http://www.elpais.com/articulo/internacional/mil/dolares/casarse/viuda/martir/elpepuint/20090320elpepuint_7/Tes

E sobre as visitas da Sra. Obama aqui:
http://www.nytimes.com/2009/03/20/us/politics/20michelle.html?_r=1

quarta-feira, 18 de março de 2009

Ajudando a divulgar:

Visite o site http://www.brasilpontoaponto.org.br e diga o que precisa mudar no Brasil para a sua vida mudar de verdade. Sua colaboração ajudará na elaboração do Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU.

Depois não, agora! Vai lá, é só um clique e algumas palavrinhas (ou um vídeo, se preferir). É o mínimo que você pode fazer. Faça já!
Pensando...

Ás vezes temos a sensação de que a vida está nos passando a perna e achamos tudo muito injusto, só para descobrir depois que, na verdade, havíamos ganho um presente. Nossa visão é estreita demais para perceber todos os caminhos do mundo.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Bonitinho...

Canção Pra Quando Você Voltar
Composição: Herbert Vianna / Leoni

Quando o sol de cada dia entrar
Chamando por você
Querendo te acordar
Vai ter sempre alguém pra receber
Fazer o seu jantar
Dormir no seu sofá
Alguém pra olhar a casa
E alguém que regue o seu jardim
Até você voltar
E como é normal acontecer
Se num entardecer
A dor te visitar
Vai ter sempre alguém pra socorrer
Fazer o seu jantar
Dormir no seu sofá
Enquanto a noite passa por mim
Eu rego o seu jardim
Você já vai voltar

sexta-feira, 6 de março de 2009

Há quanto tempo você não olha para o céu? Ontem o calor infernal obrigou-me a debruçar sobre a varanda e olhar para cima, procurando nuvens que pudessem trazer chuva e algum alívio para a sauna noturna. Mais tarde elas até vieram, breves e nem tão refrescantes mas, naquele momento, o que vi mesmo foi o céu. E veio novamente, depois de muito tempo, aquela sensação de ser pequenininha num universo imenso, de fazer parte de algo maior. Daqui há algum tempo (talvez pouco) já não veremos mais esse céu assim tão grande, invadidos que estamos pelas luzes da civilização.

Falando em civilização, com minha paz abalada pela idéia do fim de um mundo "natural", coincidência ou não, enviaram-me hoje o link para um vídeo sobre essa nossa insensata cultura do consumismo. É de 2007, mas ainda muito relevante:

http://www.storyofstuff.com/international/

quinta-feira, 5 de março de 2009

Indicação
Há pouco tempo, descobri Julieta Venegas, cantora mexicana, ao ouvir a música Ilusión, cantada com Marisa Monte - só um pedacinho da obra. Se você ainda não ouviu, vale a pena conhecer essa e outras gravações dela. O link http://www.overmundo.com.br/overblog/julieta-venegas-musa-internacional reúne mais informações sobre a artista, para quem tiver interesse.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Esbranquiçado

Ora, vejam, achei uns poeminhas que tinha escrito lá pelos idos de 2001, guardadinhos aqui no computador. De Desdefinições, publico um para os caros e raros leitores:


ESBRANQUIÇADO, adj. Alvacento; descorado.

branco, branco, branco
feito poesia de antigamente
mármores, nuvens, névoa
neve.
Promessas de sabão em pó

terça-feira, 3 de março de 2009

Você é extrovertido, introvertido, sensorial, intuitivo, pensador, sentimental, julgador, perceptivo ou um pouquinho de cada? Há um ano descobri não lembro como um teste de personalidade bem interessante. Hoje, por alguma coincidência do destino, enviaram-me o link da página que tem esse teste - a mesma que acessei da primeira vez. Não lembrava mais do resultado, então, reli o texto (que fica gravadinho lá, é só digitar login e senha pra acessar). Sabem que foi bem assertivo? Não sei o caro leitor, mas eu, pessoalmente, adoro essas coisas. A gente sempre aprende um pouco sobre quem somos, ou sobre quem não somos. Como ando um pouco esquecidinha, há o risco de já ter publicado um post sobre isso neste blog. Neste caso, ignorem. Mas, se você é leitor recente ou se eu não tiver mesmo publicado nada, acesse o link abaixo e faça o teste - é gratuito e vale a pena. E eu não estou ganhando um centavo pela propaganda. :)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

“...Carnaval, carnaval, carnaval – eu fico triste quando chega o carnaval...”

A música está na cabeça desde que a data apareceu no calendário. Carnaval é praia, sol, mar, tempestades e até uns dias nublados, para combinar com quarta-feira de cinzas. Mas não é feriado. E que motivo teria para ser? Alegria, festa, descontração não são motivos para um feriado nacional, diriam os alemães do sul com sua frieza habitual. O ganho de algumas horas de felicidade eles não saberiam mencionar, não faz parte de sua lógica (?) visão de mundo. Viver é acumular posses e títulos. Carnaval, carnaval, carnaval... eu não fico triste quando chega o carnaval. Mas as crises existenciais ficam à flor da pele.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Primeiro quero esclarecer o óbvio: este não é e nunca se propôs a ser um blog de luluzinhas. Só para o caso de alguém estar na dúvida. Aliás, se tem uma coisa que não consigo identificar é o gênero dos escassos, mas valorosos, leitores. Dito isso, falemos sobre o post abaixo.

Não sou fã de futebol. E creio que boa parte das mulheres deste planeta também não. Simplesmente não consigo achar graça naquele bando de homens correndo atrás de uma bola. E ponto. Mas o maridão, como muitos outros maridões, ainda não desistiu de me converter às "sagradas" cerimônias dos domingos futebolísticos. Então, mandou esse post aí de baixo direto do seu blog, também futebolístico, que é pra ver se nós mulheres nos inteiramos um pouco do assunto. Veja aí:


Futebol com Batom
Tentando explicar o mundo da bola para as torcedoras nem tão fanáticas
Cortesia: Estatística Verde (http://www.estatisticaverde.blogspot.com/)

Epílogo – Uma breve história da bola

Prometo que será realmente breve, porque tirando um número bem pequeno de pessoas, a maioria não tem paciência para ficar descobrindo como as coisas chegaram onde estão hoje.

No nosso caso, basta saber que esportes com bola são praticados desde os primórdios da humanidade. O futebol como o conhecemos hoje foi criado na Inglaterra e era praticado por estudantes e filhos da nobreza inglesa em meados do século XIX (no início, o futebol era praticado apenas por pessoas da elite, sendo vedada a participação de negros em times de futebol).

A FIFA (Fédération Internationale de Football Association), entidade maxima do futebol até hoje, responsável por manter as regras do jogo e por organizar os campeonatos mundiais (incluindo-se as copas do mundo), foi criada em 1904.

Em 1930 foi realizada a primeira copa do mundo, no Uruguai. Participaram treze países (entre eles o Brasil, único país no mundo a participar de todas as edições) e o Uruguai foi o primeiro campeão mundial de futebol.

Em 1894, Charles Miller, brasileiro que passou grande parte da infância estudando na Inglaterra, volta ao Brasil trazendo a primeira bola de futebol e um livro de regras. Ele é considerado o pai do futebol no país.



O primeiro negro a participar de uma partida de futebol no Brasil foi Carlos Alberto (que na verdade era mulato), pelo Fluminense em 1914. Na época ele cobria o próprio corpo com pó-de-arroz para disfarçar (daí vem uma das maiores tradições da torcida do Fluminense, time carioca, que é jogar pó-de-arroz para o alto antes do início das partidas).

O São Paulo Athletic Club (não confundam com o time atual do São Paulo, esse não existe mais) foi a primeira equipe de futebol do Brasil, formada em 1894 por Charles Miller. O Sport Club Rio Grande é considerado primeiro clube de futebol, ainda em atividade, a ser fundando no Brasil. Está localizado na cidade do Rio Grande no Estado do Rio Grande do Sul. Em homenagem ao clube, a extinta CBD (Confederação Brasileira de Desportos, hoje CBF – Confederação Brasileira de Futebol, uma espécie de FIFA brasileira, responsável pelos campeonatos nacionais) em 1976 instituiu a data de fundação do clube - 19 de julho - como o “Dia do Futebol”. Dos maiores clubes do país, o mais antigo é o carioca Flamengo, fundado em 17 de novembro de 1895.


O Palmeiras foi fundado em 1914, com o nome Palestra Itália pela colônia de italianos de São Paulo. Desde o início o time foi perseguido como eram os italianos nessa região naquela época.

Em 1942, por ocasião da segunda guerra mundial, após o Brasil ter se declarado inimigo dos italianos, a perseguição chegou ao seu auge, fazendo com que o clube tivesse que mudar de nome (para Palmeiras) para que não perdesse as suas terras (entre elas o terreno na Avenida Matarazzo onde mais tarde seria erguido o estádio Palestra Itália, onde o Palmeiras manda os seus jogos até hoje (e que está sendo reformado para dar lugar à Arena Palestra, o melhor estádio do estado de São Paulo, dentro das normas da FIFA e pronto para a realização de partidas da copa do mundo que será realizada no Brasil em 2014).




quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

''Amó aquella vez como si fuese máquina
Besó a su mujer como si fuese lógico
Alzó en el balcón cuatro paredes flácidas
Sentóse a descansar como si fuese un pájaro
Y flotó en el aire cual si fuese un príncipe
Y terminó en el suelo como un bulto alcohólico
Murió a contromano entorpeciendo el sábado"

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Thousands of Weeks

Thousands of weeks
And nothing more
Just a few days of brightness

Thousands of thousands of thousands of weeks
Podes ver, no espelho, o tempo mesclado à tua epiderme?
O quanto ele soma em ti, o quanto tu te perdes nele?
Há uma pergunta que brota aos trinta e nos desespera aos cinqüenta, para enfim voltar a dormir
Thousands of weeks and more
But just a few days of brightness
Leio Anaïs Nin e penso na complexidade do feminino.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Perdi quase todos os meus e-mails de 2008 e o mundo não acabou. Nenhum terremoto, enchente ou sucessão inexplicável de problemas ocorreu. E eu que tinha uma dificuldade enorme para apagar qualquer e-mailzinho trocado. Todos os dias aquela mensagem convidando para eliminar os itens antigos, todos os dias cancelar, prorrogar até que não houvesse mais jeito.

Eis que o computador começa a empacar e todo mundo que dizia que o Vista era uma tranqueira passa a mudar o dicurso para um “até que tem umas vantagens” ou “não é tão ruim assim”. Diante das evidências e da sensação súbita de velhice – quanto mais velhos ficamos, maior a nossa resistência ao novo – decidi largar mão de ser desconfiada e instalar de vez esse negócio, formatando primeiro o note, claro. Considerando que minha última experiência nesse campo não foi muito enriquecedora, para não dizer traumatizante, até que foi uma atitude corajosa. Então faço o backup, formato, reinstalo os arquivos e redescubro uma verdade mais do que óbvia: quanto mais conhecimento temos em um assunto, mais negligentes ficamos quando temos que resolver coisas relacionadas a ele. E aí a merda tá feita, com o perdão da palavra. Alguma vez havia perdido arquivos do Outlook por ter feito backup errado? Nunquinha. Fiz tudo rápido e rasteiro. E não copiei a pasta certa. Simples assim. Mas não é aí que quero chegar.

A mensagem por trás do post está na leveza que passa a existir quando conseguimos ignorar o passado e nos concentrarmos no presente. Receita de felicidade, eu diria. E também é simples assim.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Num passeio por Curitiba, volto a ver o primeiro lar onde morei: um prédio antigo no Largo da Ordem (ou numa rua próxima?) do qual não tinha lembrança alguma. Também, não deu nem tempo de me paranalizar que já me trouxeram para Santa Catarina. Hoje, mais catarinense que outra coisa, vejo essa cidade cheia de morros, um tempo louco que consegue reunir todas as estações num só dia, parques, feiras e inúmeros lugares onde você encontra tudo que precisa e sinto uma certa inveja do povo que passeia nas ruas. Nada grave. No fundo, é bom saber que o mundo tem mais de um lugar onde a gente se encaixa.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

2009

Não mandei cartões, nem e-mails, nem mensagens. 2008 passou sem as minhas congratulações. Pra não dizer que não falei das flores, acho que pelo orkut enviei alguma coisa, mas foi só. É estranho terminar o ano assim, principalmente porque lembrei que deveria enviar algo, mas isso só depois do dia primeiro, e aí as datas já haviam passado.

2008, se for relembrar, passou tão rápido que nem merece o título de ano. Sem grandes comemorações, sem grandes conquistas ou feitos. Teve os seus momentos, é verdade, mas foi um ano de esperas. E, agora, cá estou em 2009, ainda olhando para a frente, procurando navios no horizonte.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Foi

>
>
>
Era só um mar
De malha, de marchar
De seguir o vento
Ventar tanto
Era só cegar
Deixar os olhos, ir andando
Pra um lugar qualquer
Pedaço de terra
Tragar de volta
esse ar que faz tanta falta
esse mar
era só
>
>
>

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Um pouco de poesia. A primeira, porque o momento exige, a segunda porque uma irresistível e fúnebre atração pela tristeza não deixou ignorar.



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa



Despedida

"Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão. -
Por não Ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras?
Tudo.
Que desejas?
Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão"

Cecília Meireles

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Retirado de O Globo, de 02/12, e totalmente apoiado por esta que vos transcreve (http://oglobo.globo.com/pais/moreno/post.asp?t=aos_senadores&cod_Post=144212&a=27):

Aos senadores

ALI KAMEL

No debate sobre cotas raciais, há três correntes de pensamento.

A primeira diz que o racismo no Brasil é forte e que é ele o responsável pela desigualdade encontrada entre negros, pardos e brancos. Por essa razão, advoga a adoção de cotas raciais sem corte de renda. Se é o racismo que explica a desigualdade, afirma, não faz sentido excluir dos benefícios nenhum negro (ou pardo) apenas porque ele tem dinheiro, já que o preconceito será sempre uma barreira ao seu pleno desenvolvimento. Essa corrente acredita também que cotas raciais não provocarão ódio racial, e, como prova, diz que inexiste conflito nas universidades que a adotaram. Já li, porém, reportagens mostrando que cotistas sofrem discriminação em salas de aula, um ponto que se investiga pouco.

A segunda corrente não nega a existência do racismo, porque este sentimento abjeto, infelizmente, existe em maior ou menor grau em todas as sociedades. Mas afirma que, no Brasil, o que mais explica a desigualdade é a pobreza: os negros e pardos estão em pior situação porque formam a maioria entre os pobres. Como há, porém, cerca de 19 milhões de brasileiros brancos pobres, esse grupo defende a adoção de políticas para a promoção dos pobres independentemente da cor da pele. Ao se combater a pobreza, os negros e os pardos serão ajudados naturalmente numa proporção maior do que os brancos. Essa política teria a vantagem de não promover ódio racial: deixado à margem de políticas sociais, um branco pobre sentiria enorme rancor ao se ver estagnado na pobreza enquanto um vizinho, tão pobre quanto ele, progride apenas porque é negro ou pardo. Essa corrente advoga investimentos maciços nas escolas públicas como forma de democratizar o acesso à universidade. Mas, se a sociedade insistir em experimentar o sistema, admite a adoção de cotas, desde que elas tenham um corte de renda, jamais racial.

Por fim, uma terceira corrente acredita também que a desigualdade se explica pela pobreza, defende a promoção de políticas sociais voltadas para os pobres em geral, independentemente da cor, com destaque para investimentos em educação básica, mas é absolutamente contrária à adoção de cotas. Porque a experiência internacional mostra que elas são ineficazes, mas, fundamentalmente, porque elas solapam o princípio do mérito, única alavanca para o sucesso individual, provocando, se adotadas, a degradação do ensino superior.

O que fez o projeto de cotas aprovado na Câmara no fim de novembro, e que agora tramita no Senado? Uma salada confusa, um emaranhado de conceitos que só revela pouca reflexão sobre o tema.

O artigo primeiro destina 50% das vagas nas universidades federais para alunos de escolas públicas. Um parágrafo único estipula que metade dessas vagas deve ser preenchida por alunos com renda per capita de um salário mínimo e meio. Se o projeto tivesse esse único artigo, a Câmara teria aprovado uma política de cotas sociais: independentemente da cor da pele, metade das vagas seria destinada a alunos das escolas públicas de qualquer renda, mas em geral pobres, e a outra metade beneficiaria especificamente os mais pobres entre os pobres. O grande senão dessa política seria o tamanho da cota, 50%, uma proporção danosa sob todos os ângulos.

A confusão começa com os outros artigos. O terceiro determina que as vagas sejam preenchidas por autodeclarados negros, pardos e indígenas, "no mínimo", na mesma proporção que esses grupos têm na população de cada estado. Se a população tem 15% de negros, 40% de pardos e 1% de indígenas, ao menos 15% dos 50% das vagas a que se refere o artigo primeiro devem ser destinados a negros, 40% aos pardos e 1% aos indígenas. Ocorre que isso totaliza 56% dos 50% das vagas. O que fazer com os restantes 44%? Atendida a proporção mínima, as universidades podem dispor do restante das vagas para distribuí-las, como quiserem, entre negros, pardos e indígenas. Podem dar mais para pardos do que para negros ou vice-versa.

O artigo terceiro tem ainda um parágrafo único. Diz ele: "No caso de não-preenchimento das vagas segundo os critérios estabelecidos no caput deste artigo, aquelas remanescentes deverão ser completadas por estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas." Pode-se presumir que esse parágrafo abre a possibilidade de que, sobrando vagas, alunos brancos possam vir a preenchê-las, mas isto não está claro. Num projeto em tudo racialista, espanta que, no texto do parágrafo, não fique explícito que a referência é a alunos brancos. Sem esta explicação, a redação do projeto fica tão vaga que, muito provavelmente, os brancos pobres brasileiros vão ficar a ver navios.

Por que o projeto é uma salada? Porque não satisfaz nenhuma das três correntes de pensamento. Não acolhe a primeira corrente, porque exclui os negros não pobres. Não acolhe a segunda corrente porque dá às universidades o poder de só beneficiar negros, pardos e indígenas pobres, excluindo os brancos, mesmo quando pobres. E não acolhe a terceira corrente pelo simples fato de estabelecer cotas.

Não é segredo que eu me filio à segunda corrente. Portanto, para mim, se a sociedade quer mesmo experimentar esse mal que são as cotas, o projeto deveria ter uma redação simples assim: "Art. 1º: As universidades federais reservarão em cada vestibular para cursos de graduação, por curso e turno, 15% de suas vagas para estudantes com renda per capita de um salário mínimo e meio. Parágrafo único: Na distribuição dessas vagas não será tolerada discriminação por cor, gênero, credo religioso ou posição política."

As universidades seriam mais coloridas, mais justas, sem excluir ninguém em função da cor da pele.

Mas os nossos senadores vão admitir ser simples, e justos, assim?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

É um clima estranho. Aqui, a chuva cai a cada 5 minutos, com intervalos breves de sol intenso e pedaços de céu azul. E vem sempre de um lado diferente. Santa Catarina sofreu grandes perdas nos últimos dias. Após uma crise mundial anunciada, as inundações e quedas de morros, casas, barreiras transformam em fato o que até então era só boato - perdoem a rima fácil - e 2008 vai chegando ao fim como um ano de grandes mudanças. Um fatalista diria que é o fim dos tempos. Prefiro pensar que desastres acontecem o tempo todo, só que desta vez fomos nós os grandes contemplados. Faz parte da roleta russa da vida. E quem pode dizer que o mundo que vem pela frente não será melhor?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Mais um aniversário e todas aquelas mensagens de felicidades no orkut que eu não consigo responder. Obrigada, caro(a) leitor(a) se você está na lista, e se não está também - afinal, tê-lo(a) gastando um tempo por aqui é mais do que uma honra.

Prometo que assim que o site voltar a funcionar eu respondo a todas as mensagens.

Pra quem está só de passagem, sim, ganhei mais um ano de "experiência"...

Abraços e volto a escrever algo de útil quando conseguir tirar o mofo do cérebro (SC anda húmida demais ultimamente).

terça-feira, 18 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Lendo a história de Joana, A Louca (la reina de Castilla, hija de Fernando e Isabel), em El Pergamino de la Seducción, de Gioconda Beli, começam a surgir na mente desavisadas (ir)reflexões.

O livro é um romance, e não pretende impor-se como fato histórico. Mas a minha mente, que sempre acreditou mais nos poetas que nos cientistas, insiste em dar crédito à versão de Gioconda. Deixando esta última volta de lado e voltando às (ir)reflexões, o que quero postar aqui, após tantos dias de chuva e vazio mental, é a obviedade chocante da constatação de que a loucura, mais do que uma falta de capacidade de raciocínio, é a característica das mentes que não aceitam seguir as regras hipócritas da sociedade.

Louco é aquele que grita aos quatro ventos as verdades cochichadas pelos corredores. Louco é aquele que percebe a incongruência da rotina e, ao mesmo tempo, dá-se conta do quanto depende dela. Louco é aquele que assume sua identidade mais profunda, longe das amarras da família, dos amigos, da escola, do trabalho. A loucura é a forma mais pura de sanidade mental.

(se alguém aí quiser saber o que eu ando tomando, manda um post, hehehehe :))

Boa e louca sexta-feira de quase-sol para os improváveis leitores!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Confesso que ando meio sem inspiração para escrever, tras tantas semanas de chuva. Não fossem as parcas aparições do sol este último fim de semana, acho que nem estas linhas sairiam. A exemplo do Teco, fiel escudeiro, permaneço escondida embaixo da cama até que a situação - ou a inspiração - melhore.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Dizem que em Londres chove muito. E os dias são cinza a maior parte do ano. Até parece Joinville...

Alguém aí está indo pra Londres e precisa de uma carregadora de malas com inglês mais ou menos?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O mau do brasileiro é a pena. Brasileiro tem pena do mendigo, do cara que pede esmola no sinaleiro, tem pena até de bandido. É a maldita síndrome do coitadinho, essa coisa que nos puxa pra baixo, fazendo com que recompensemos sempre quem ficou para trás, ao invés daqueles que lutaram para chegar na frente. "Ah, mas tem político corrupto". Tem, um monte. E um povo bunda que não sabe votar. "Tem gente que não precisa trabalhar, já nasce rica". E que culpa eles têm disso? "Tem criança pedindo esmola porque está com fome". Está, mas a esmola de hoje só vai fazer com que ela peça mais esmola amanhã.

Essa síndrome horrorosa matou uma menina inocente este final de semana. A polícia ficou com pena de machucar o bandido e deixou o seqüestro evoluir até que a vítima fosse morta. Assassinada pela pena. Qualquer brasileiro que tenha ligado a TV nas últimas 24h conhece essa história.

Se ao invés da pena usássemos mais nosso cérebro, esse país perderia menos tempo se lamentando da fome, do analfabetismo, dos roubos e dos seqüestros. Mas somos coitadinhos, e coitadinho só sabe sofrer...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Quem sempre segue a mesma receita de bolo de chocolate seguirá comendo o mesmo bolo de chocolate para sempre.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"Deus fará
Absurdos
Contanto que a vida
Seja assim
Sim
Um altar
Onde a gente celebre
Tudo o que Ele consentir"

(Estrela - Gilberto Gil)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Tangos e Risadas

Nada do que vou dizer aqui é novidade, afinal, o Tangos e Tragédias já existe há muito tempo. Mas, enfim, por quê não comentar? Nunca tinha visto e ri o show inteiro! Hilário! A dança Copérnico (ou o antigo Copérnico, já que, como disseram os protagonistas, iam criar uma nova dança mas decidiram continuar com essa mesmo e só mudar o nome, mas aí não mudaram o nome ainda então... só vendo mesmo pra não entender), o amor de Marcela e Roberto, como bem citou nosso comentarista, a teoria da baba e do cuspe (essa é meio nojenta) e o gran finale, com um grande coro da platéia no meio da rua XV, tudo muito bem orquestrado para envolver o público do início ao fim na mais perfeita comédia. Enfim, lavei a alma!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Eu ganhei, eu ganhei! 2 ingressos para um show do Tangos e Tragédias! Amanhã conto como foi.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Promessas de Campanha

Descrente assumida, pero sin perder la esperanza, resolvi pesquisar melhor as promessas de nossos prefeituráveis. Como a lista nacional é grande, limito-me à pacata Joinville. E achei, vejam vocês, um "promessômetro" - página da internet onde um jornal local está publicando as promessas que são feitas pelos candidatos. A lista é grande, mas é melhor conferir agora do que reclamar depois (ou ao menos para ter do que reclamar depois). Eleitores e eleitoras (ugh!) desamparados, acessem o "linkezinho" abaixo e divirtam-se:

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Política&newsID=a2183454.xml

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Na foto a praça central de Joinville (SC) nas décadas de 60/70. Grama, árvores, flores. Assim mesmo, feito praça de interior. Muitas árvores derrubadas depois, uma praça moderna e sem vida tomou conta do lugar. Saudades daqueles tempos sem pressa...



domingo, 14 de setembro de 2008

Volver, volver, volver...

Turistas, “axá”!!! Essa deve ter sido a primeira coisa que ouvi de um portenho(a) ao pisar em Buenos Aires. Mas não assim, dito com delicadeza, amabilidade, sabe? Foi quase um tapa na cara mesmo. Péssima primeira impressão. E olha que eu estava disposta a não acreditar no estereótipo do portenho grosso.

Mas, tirando as picuinhas, vamos à descrição dos fatos. Os bons e argentinos fatos. Maravilha tirar uma semana de férias e fazer uma imersão numa cultura tão diferente. Até o frio é outro por lá. Abaixo, um resumo da semana (e um pequeno guia para quem pretende aproveitar a relação real x peso para curtir uns dias internacionais).

Beco Diagonal

Seria um filme do Harry Potter? Beco estranho, corredor esquisito... e um hotel centenário. Não, era só a entrada do quarto no Castelar Hotel. Mas bem poderia ser o Beco Diagonal saído da imaginação da J. K. Rowling. Agora já sei onde ela buscou inspiração.


Abro a porta e: tchan! Assustada não ficava sua avó. Era a casa da bisa. A total e completa casa da bisa. Depois da porta feita tão alta num tempo de pessoas baixinhas, um quarto com papel de parede descascando, armário de madeira maciça, banheira daquelas que você encontrava na casa da sua avó e cortinas, bem, cortinas que combinavam com a colcha, como as da casa da avó da sua avó, começamos a repensar esse negócio de reservar hotel pela internet. Mas tudo bem. Férias compensam qualquer coisa.

Da Casa Rosada ao Ateneo

Primeiro dia é aquele do clássico city tour. Mas o único guia que usamos foi o impresso, que Buenos Aires é plano e esse negócio de ficar pagando pra carregarem a gente de um lado para o outro não tá com nada. Puro desperdício de dinheiro. Anote a dica: compre um guia da cidade antes de sair de casa e esqueça esse negócio de pagar pacotes de passeio. Você economiza e fica livre para fazer o próprio horário. E sem medo de não entender os habitantes locais. Já estão tão acostumados com os brasileiros que quase falam português melhor que nós. Ah, a dica vale para qualquer destino.



Buenos Aires é bem antiga. E parece que faz questão de preservar essa “identidade”. Os prédios são grudados um no outro, e o clima europeu reina em meio ao frio e as construções seculares. Ao menos para pouco privilegiados como eu que ainda não puderam conhecer a Europa de perto.

Um negócio legal que fizeram lá foi revitalizar instalações antigas e criar shoppings e outras atrações no lugar. A arquitetura de 1800 e antigamente continua para as futuras gerações, e dentro ninguém precisa comer poeira. O Shopping Abasto (abaixo) é um bom exemplo.


Outro exemplo digno de nota é a livraria O Ateneo. Feita num antigo teatro, é hoje uma das maiores do mundo, e proporciona uma vista singular aos visitantes. Vale muito a pena visitar. E comprar, se quiser se arriscar no espanhol.


Curiosidades

Nunca tinha visto por aqui, mas lá tem aos montes, principalmente em bairros como a Recoleta: passeadores de cachorro. Gente que sai com o seu cãozinho – e mais uns 10 – pra passear. Eles dão umas voltas com os bichos, chegam no parque (aqueles que Joinville não tem...) e soltam. Depois de um tempo recolhem um por um e levam pra casa novamente. Curioso.


Protestos e passeatas são outra coisa que parece enraizada na alma portenha. Segundo dia lá e já vimos uma. Os motoristas de ônibus fecharam duas das principais ruas da cidade com seus autobuses para reclamar do espaço dos táxis nas avenidas. Ou alguma coisa assim. Terceiro dia os motoristas dos ônibus escolares fizeram um negócio parecido. E depois uma ou duas marchas de estudantes, clássicas, coroadas por uma passeata da comunidade colombiana (que já deve ter absorvido a cultura local).




Não perca

O Café Tortoni (150 anos).



O MALBA, o Museo Nacional de Bellas Artes e o Museo de Ciencias Naturales, em La Plata (1h de ônibus, apenas R$ 6,00 por pessoa pela passagem, e saídas de 15 em 15 min. Inacreditável).


O Caminito, em La Boca, pertinho da Bombonera. Mas faça como diz Alfredo, o taxista com milhares de clientes brasileiros: aprecie a vista, tire umas fotos e vá embora. Os preços dos artesanatos são um roubo.



Para ir de um lugar a outro

O metrô é velho, mas funciona muito bem, além de ser barato. Menos de 50 centavos, para nós brasileiros.


O táxi também é muito barato. Abaixo Alfredo, o taxista com um CRM na cabeça, e seus telefones, se quiser agendar os passeios com ele e praticar o espanhol – tem muita história para contar.


(54) 15 5593 6756
(54) 15 3549 2030
(54) 4220 55 83

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

2 días y contando...

Narciso

Quantas cores guarda a outra metade
Que não refletem de nós?
E se é metade, não deveria ser diferente?
Que outros brilhos, formas ou sons não nos complementam?
E quanto complementamos nós a outra parte?
Haverá metade ou será nossa mente, tão complexa e já completa, querendo ver-se refletida?
De quantos espelhos precisamos para seguir em frente...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Rusia toma "medidas de precaución" en el mar Negro
El presidente ruso asiste a la cumbre de la Organización de Cooperación de Shangai en busca del apoyo de China.- La OTAN urge a Rusia a que revoque la decisión sobre Osetia del Sur y Abjazia.- Llegan a Georgia los barcos militares de EE UU con ayuda

(www.elpais.com)

Tsc, tsc, tsc, así empiezan las guerras, diría Mafalda...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ainda quero entender o critério que usaram para classificar a informática como ciência exata. Porque essa deve ser uma de suas características mais difíceis de indentificar. Quem trabalha ou trabalhou em empresa de software sabe bem o que é isso. Por exemplo, tente resolver um problema da área com um profissional. A resposta nunca vai estar completamente certa. E se você perguntar para outras 9 pessoas a mesma coisa, elas vão te dar 9 respostas diferentes. Até dá para colocar os 10 numa sala e chegar num consenso. Mas você pode ter certeza que vai aparecer um 11º com uma resposta totalmente diferente das outras 10 que você tinha conseguido, e totalmente em desacordo com o que foi alinhado na reunião. É de chorar! E ainda tem Murphy, que reina soberano nesse sanatório...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008


Múuuu

Sabia que para produzir 1kg de carne bovina são necessários em média 13 mil litros de água? E que o gado é responsável pela emissão de 18% dos gases poluentes da atmosfera? (meus pudores femininos impedem um comentário adequado sobre essa última frase :))

Não sei você, mas, mesmo com essas informações, eu continuo gostando de um belo bife mal passado.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Self

Dentro do umbigo vive um serzinho
Assim, exigente
Um dia triste
Outro feliz
Que sabe o que faz, o que quer, o que diz
Mas nunca entende
Nesse universo pequenininho
O viver de outra gente

Deve ser, quem sabe
Porque seus olhos são tão miúdos quanto o seu mundinho
Nem sonha, o pobre diminutivo,
Como é bom enxergar diferente.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Tem dia que dá vontade de bancar a avestruz - enfiar a cabeça num buraco (sem trocadilhos maldosos) e só sair quando as coisas estiverem resolvidas.

domingo, 27 de julho de 2008

Ironia é essa arma que impede as pessoas de chegarem muito perto quando não sei como reagir. O que acontece na maior parte do tempo.
Ele tem depressão de domingo. E demoooora pra sair da cama de manhã.
Gosta de comer e passear. Adora andar na grama. Feito eu. Em quase tudo, essa coisinha peludinha que um dia topei trazer pra casa, é uma miniatura de mim. Só não tem, pra sorte dele e dos que o rodeiam, essa ironia cortante. Engraçado as mudanças que um simples cãozinho fazem na vida da gente. Os sentimentos que desperta é como se estivessem encaixotados em algum lugar impossível de encontrar. Parece destino, necessidade. Um presente.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

No meio da conFUSÃO tá difícil escrever. Parece que o "lado negro da força" será dominado e Darth Vader, bom, Darth Vader não me importa. Só sei que vai sobrar peão nesse jogo de xadrez. Tem neguinho que só volta a dormir em 2010...

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u425004.shtml

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Cold

O dia está frio
O mês, o ano
O mundo está de uma frieza de dar dó
E depois não entendemos porque enlouquecem
Os doentes do coração
Porque se amarram às macas, soros, estetoscópios
À frieza dos médicos
É que amar ficou tão mais difícil
Que até as rimas estão por um fio.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Melhor para Se Trabalhar

Para mim, onde haja desafios, mas também alguns momentos para respirar e fazer as coisas com calma.
Onde haja liberdade para expor opiniões sem receber represálias.
Onde as pessoas sintam-se iguais.
Onde os chefes tenham consciência de que mais que mandar, devem ser líderes.
Onde os líderes não tenham medo de expor suas opiniões para seus líderes.
Onde a gente cresça, não só em cargos e posições, mas como pessoa.
Onde saibamos para onde afinal a empresa quer ir e as regras sobre como chegar lá sejam claras (mas que sempre possam ser melhoradas).
Onde ninguém te olhe torto quando você fala em final de semana, férias, 1h30 de almoço e ir pra casa às 18h.
Onde você trabalhe por metas e não por horários.
Onde quem define as metas tenha o bom senso de lembrar que a gente também precisa de um tempo para dormir, comer, conversar, ler, ver um filme, passear e ficar sem pensar em trabalho.
Onde a gente pense em trabalho nas horas mais inusitadas e, ao invés de estressante, esta seja uma experiência criativa e empolgante.
Onde?

quinta-feira, 19 de junho de 2008


"Depois de maio, propostas chegarão até você com mais facilidade, e aí poderá dar uma guinada definitiva em sua vida."

Propostas, propostas, cadê vocês? Será que eu estava distraída e não vi? Horóscopos....

quarta-feira, 18 de junho de 2008


"Acabou rindo. Deixou que eu segurasse sua cabeça com as mãos e buscasse seus lábios. Embaixo dos meus, que a beijavam com avidez, com ternura, com todo o amor que eu sentia, eles permaneciam imutáveis.
- Desejo você - sussurrei-lhe no ouvido, mordiscando a ponta da orelha. - Você está mais bonita do que nunca, peruanita. Quero você, desejo você com toda a minha alma, com todo o meu corpo. Nesses quatro anos, não tenho feito outra coisa senão sonhar com você, amar e desejar você. E também amaldiçoar. Todo santo dia, toda noite, sem faltar um dia.
Pouco depois ela me afastou com as mãos.
- Você deve ser a última pessoa no mundo que ainda diz essas coisas às mulheres. - Sorria, divertida, olhando-me como se fosse um bicho estranho. - Que breguices você diz, Ricardito!"

Mario Vargas Llosa - Travessuras da Menina Má

terça-feira, 10 de junho de 2008

Complementando o post abaixo, dá uma olhada na matéria que saiu esses dias no Financial Times (copiada do site da Meio&Mensagem) sobre a Record - tem um comentário revelador sobre a novela mutante da rede, Breguices do Coração. É, a Globo que se cuide...


Rede Globo e seu clone Record
Matéria do Financial Times revela os segredos da Globo para manter-se como líder de audiência e os planos da Record para tentar destroná-la
06/06/2008 - 16:43
Uma expressão futebolística no Brasil diz que não se mexe em time que está ganhando. A rede Globo, maior rede de televisão do Brasil e quarta do mundo por 30 anos mantém a mesma programação no horário das 18h às 22h, com novelas e telejornais, sempre com o incremento posterior de um jogo de futebol ou filmes, além de sitcoms. De dia e nos finais de semana, os destaques são programas de auditórios, com entrevistas com celebridades, atrações ao-vivo, competições e dramas da vida real.


Este, para o diretor geral Octávio Florisbal é o segredo do sucesso da rede: uma agenda rígida, que mantém a lealdade e captura mais telespectadores. Outro segredo é que a Globo produz quase toda sua programação, com roteiristas, atores, jornalistas e técnicos contratados, fazendo com que surjam atrações com um estilo muito próprio.

E que estilo. As novelas apresentam personagens típicos do Brasil deparando-se com situações diversas, inclusive crime e drogas, mas sempre pintadas de uma maneira melhor do que são na vida real. Os pobres, especialmente, estão melhores no mundo da Globo do que no mundo de verdade: bem alimentados e bem vestidos, estão sempre bem em seus empregos e moram em favelas que deixam as reais bem para trás. 'Os brasileiros se deparam com tantas dificuldades que eles não querem ver mais sofrimento nas novelas', defende-se Florisbal.

Mas se a Globo não muda, os telespectadores sim. Nos dois últimos anos, 20 milhões de pessoas entraram na classe média, que corresponde hoje a 46% da população. Ou seja, mais pessoas tem mais tempo e dinheiro para fazer outras coisas além de ficar sentados assistindo a Globo. Bares, restaurantes e cinemas são ameaças, embora a classe média não seja tão rica a ponto de causar grande impacto. A internet e a TV paga, esta presente em 7% das 50 milhões de casas brasileiras, causam preocupação, mas também com efeito pequeno.

Entretanto, os 70% da verba publicitária da Rede Globo estão sob ameaça. A emissora diz que a média de audiência das 7h até a meia-noite tem caído, mas isso não atinge o horário nobre, embora colunistas como Daniel Castro, da Folha, digam que tenha diminuído sim nos últimos três anos.

Quem estaria 'roubando' o share da Globo? Não são seus rivais tradicionais, SBT e Bandeirantes, mas a Rede Record, com sua fórmula adotada desde 2004: copiar a Globo.

Alexandre Raposo, diretor de televisão da Record, diz que após muitas pesquisas a emissora adotou uma nova programação, com novelas, notícias, futebol e shows de auditório, adotando a mesma estratégia da líder no horário nobre: novela e jornal. O resultado é que as novelas parecem ser as mesmas da Globo, com exceção dos atores, estúdios e qualidade gráfica de aberturas. 'Esta é a nossa estratégia. Estamos usando um condicionamento que já está presente no telespectador. E 80% dos nossos profissionais passaram pela Globo', diz Raposo.

De qualquer modo, as novelas da Record ainda diferem das da Globo. Vidas Opostas, que teve 240 capítulos, passou-se numa favela que realmente parecia com uma favela, com traficantes e policiais corruptos. Seu sucesso foi seguido por Caminhos do Coração, em que personagens da classe-média se defrontam com mutantes que disparam raios fatais dos olhos, uma alegoria para as mazelas da vida brasileira, como os crimes e os políticos corruptos.

No início do ano, a novela fez pela Record o que nenhuma rede brasileira conseguira antes: conquistou audiência no horário nobre que foi mais da metade da Globo. A emissora carioca ainda não está em pânico e mantém a estratégia de não mudar. 'Como líderes de mercado, com a audiência que temos, só podemos mudar de maneira lenta', diz Florisbal. De qualquer modo, parece que a Globo corre o risco de ser comida por seu próprio clone. Um enredo de novela, para a Record.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Os Mutantes - Caminhos do Coração. Dá pra acreditar numa novela com um nome desses? Se for como disse a propaganda no Fantástico da Record, tá no nível do Changeman (o japonês daquele programa infantil cheio de monstros toscos que passava na tv no meu tempo e espero sinceramente que as [nada]inocentes criancinhas dos dias de hoje sejam poupadas de assistir). Tosquice nível A+. E tem gente que assiste. Nunca duvidei de que o Brasil fosse um país brega. Desse jeito até novela da Globo parece superprodução.

E já está na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Caminhos_do_Cora%C3%A7%C3%A3o

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O primeiro grande desafio de uma empresa é a comunicação. O segundo é a burocracia. Todo líder, da gerência pra cima, deveria entender muito mais que a média do primeiro e aprender a abolir o segundo. Não que isso seja uma tarefa fácil.

No caso da comunicação, por exemplo, o que faz com que ela seja responsável por 95% das confusões nas empresas é o filtro. Aquele que o cara que deveria passar uma mensagem clara tem na mente na hora de transmiti-la. Ele entende as coisas de um jeito e pensa que, claro, todo mundo entende igual. Daí não se preocupa com os filtros das outras pessoas quando precisa dizer alguma coisa. Com os líderes a coisa fica pior, porque, além do filtro, entra em cena outro vilão: o ego. Líderes têm uma tendência - devidamente cultivada durante o tempo em que permanecem no poder - a achar que o mundo gira ao redor de seus umbigos. E se está lá, logicamente, tem a obrigação de entender o que eu sonho, penso e falo.

Já a burrocracia, bem, a burrocracia tem suas utilidades. O problema aqui é que o tempo ficou tão, mas tão curto, que ninguém mais pode perdê-lo pensando. É preciso produzir, produzir, produzir, uf! haja fôlego! Então, a burrocracia chega e exige que um mesmo projeto seja revisado por 10 pessoas antes de ser liberado, para evitar erros. Claro, cada uma das 10 vai acabar lendo só um pedacinho mesmo, se deixar nas mãos de uma o erro pode ser grotesco. Nas mãos das 10 vai escapar só uma caquinha ou outra (e sempre escapa).

Me pergunto (sem ênclise mesmo) se um dia vamos desacelerar ou se seremos desacelerados por alguma bomba atômica disparada sem querer por um funcionário que estava "produzindo" ou por uma mensagem mal escrita de alguém que esqueceu de tirar o filtro...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Pangea Day

Isso não é desculpa, mas eu não sabia. Nem fazia idéia do que é esse tal de Pangea Day. Fiquei sabendo pela excelente newsletter do Biz Revolution, do Ricardo Jordão. Toda semana o cara traz uma idéia nova, ou ressuscita uma velha, e passa um montão de dicas sobre sites, livros, técnicas de vendas, etc, etc, e etc. Você não sabia? Não é desculpa. Mas tudo bem, agora você já sabe.

Nesse momento tento assistir um dos muitos vídeos no site do Pangea - www.pangeaday.org - chamado "I´ll wait for the next one", um filme francês (é, eles se recusam, mas sabem falar inglês). Tem vários filmes lá que parecem bem interessantes, depois publico algum post a respeito dos assistidos. Vai lá, e entra no site da Biz Revolution também.

Ainda sobre o evento, segue uma definição do próprio site:

The Pangea Day Mission & Purpose

Pangea Day is a global event bringing the world together through film.
Why? In a world where people are often divided by borders, difference, and conflict, it's easy to lose sight of what we all have in common. Pangea Day seeks to overcome that – to help people see themselves in others – through the power of film.

domingo, 25 de maio de 2008

Aun que no sepa escribir correctamente este idioma, creo que sea lo mejor por hoy, despues de unos días lejos del trabajo y toda la locura de vivir para mi, la família, el futuro y otras cosas más de las cuales no sé como olvidar. La vida es una página de surpresas algunas vezes dispensables (no debe de ser así la palavra, pero no tengo ganas de procurala ahora, y, se la procuro, tengo que encontrar otras más - hoy es domingo, no me gustaria procurar nada hasta mañana). Además, me gustaria hoy que mi vida fuera tan sencilla quanto la de mi perro, cuyas preocupaciones están resumidas a la comida, la água y los juegos. El pobrezito se encuentra ahora un poco entristecido por no tener con quien jugar, pero mañana ya no tendrá tristezas y su vida puede seguir adelante siempre feliz como debería ser la vida de todos los mortales.

Es preciso libertarse de los otros para ser feliz, pero también necesitamos de ellos para que nuestra felicidad sea completa. Quién podrá comprender tal paradoxo? Ni escribindo en otra lengua es posible tal comprensión. Si? Quizás en chino?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Queria falar um pouco da Mafalda, e publicar uma tirinha, sabe, mas hoje o blogger não tá colaborando. Devia ser brasileiro esse negócio - um dia a página abre toda bagunçada, no outro abre certinha só que com metade das funcionalidades, e no outro nem abre. Céus...

Enfim, estou lendo essa menina, criada em 1964 (caramba, é mais velha que eu!)mas sempre engraçada. Fora que a crítica que ela faz à sociedade, infelizmente, ainda faz sentido. Ah, claro: ahora estoy leyendo en español. A ver si mejoro mis pocos conocimientos del idioma.

Bueno, ya estamos en jueves, mañana termina la semana y todo ocurrió muy bien hasta aqui. Adelante!

terça-feira, 13 de maio de 2008

"Pinta, pega na tinta, pinta uma pinta
Troca um pé de sapato e anda pra trás
Cata estrelas no céu
Junta, faz um colar
e toca a orelha com o polegar..."

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Pela Raiz

You have to cut it
Deep inside
Até o ultimo resquício de raiz
Porque então não sobrará mais nada
Só aquele vazio imenso e a sensação de incompletude
Cut it now
E, como um zumbi, você viverá em paz.

terça-feira, 6 de maio de 2008

O que é a pressa associada à falta de leitura. Esses dias alguém aqui da empresa enviou um e-mail para todo um grupo pedindo uma informação - que devia ser retornada só para ele. 95% das pessoas que recebeu o e-mail respondeu para todo o grupo, que é constituído assim de umas 200 pessoas, em média (se não mais). Resultado: caixa cheia de e-mail inútil o resto do dia. E pior: claro que teve gente muito indignada com a falta de atenção dos colegas, e essa gente começou a mandar e-mail pro resto da turma pedindo pelamordedeusparemcomisso! A coisa se multiplicou, a turma dos indignados toda resolveu se manifestar (exceto eu, que fiquei me coçando para não clicar no "responder a todos") e mais uma torrente de e-mails invadiu a caixa postal... Incrível, impressionante! Como é que desaprendemos tão rápido a ler e interpretar textos? Ou a prestar atenção, só um pouco? Ou a pensar que o mundo não gira ao redor do nosso umbigo? Te contar, isso é gente letrada, com faculdade e até mais. Imagina o coitadinho que não passou do ensino fundamental...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Porque está chovendo e frio e eu não gosto do inverno, porque o meu egocentrismo permite – ou exige – porque a solidão faz isso com a gente, porque começar com porque é meio repetitivo e não tenho nada para escrever mas quero falar do último filme do Rambo que é muito, muito ruim, e também quero falar da felicidade simples do jogo fácil, do cobertor macio e de alguma ausência ou buraco no peito que pulsa não sei porque, que os mais corporativos chamariam de “gap” mas estou farta de ser corporativa, para tornar a procrastinação útil de alguma forma, maior do que a de ter o privilégio de usar palavras difíceis como procrastinação e sempre quis escrever um parágrafo assim, sem ponto final, como faz Gabriel García Marquez em seus livros completos, complexos e maravilhosos e acho que sim, consegui, mesmo que não seja perfeito, preencher esse espaço com as palavras contidas que precisava dizer de qualquer maneira tomara que amanhã faça sol.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

"La poesía no quiere adeptos, quiere amantes." Federico García Lorca

"Ser inmortal es baladí; menos el hombre, todas las criaturas lo son, pues ignoran la muerte; lo divino, lo terrible, lo incomprensible, es saberse mortal." Jorge Luis Borges

Tiradas del wikiquote - versión española - http://es.wikiquote.org

domingo, 27 de abril de 2008

O que você faz numa tarde de domingo em que o Palmeiras está participando de uma final de campeonato? Vai pra internet, claro. Afinal, não há a menor chance do maridão sair com você, namorar ou liberar a televisão. Claro, tem sempre a opção do livro. Mas ando meio preguiçosa ultimamente. Mania de urgência, e livros não combinam com isso. Tem o cachorro também. Porém, por uma questão de condicionamento, ele dorme o dia todo e só quer brincar à noite. Daí decidi escrever, pra variar um pouco. Acontece que o assunto central da vida ultimamente tem sido o cachorro. Pudera: pequeno, fofinho, brincalhão, uma graça! Jamais imaginei me apegar assim a um peludinho desses. Agora, educar o bichinho tem sido um desafio. O lance do xixi e cocô no lugar certo, hmmm, demora... E andar de carro então? Caramba! A vantagem é que ele tem se mostrado altamente sociável, e isso vale todo o esforço. Achei até um site interessante para donos de primeira viagem: www.vidadecao.com.br, bem interessante. Fico por aqui - a ansiedade em fazer todo o resto de coisas que deixei para o domingo também ajuda a vencer a imaginação (uma pena).

quinta-feira, 17 de abril de 2008

"Essa canção não é mais que uma canção, quem dera fosse uma declaração de amor...". Cantando hoje lembrei do tempo em que, talvez pela primeira vez na vida, ouvi de verdade uma canção. Acontece que, como muitos adolescentes, tentei aprender a tocar violão quando tinha meus 14, 15 anos. Digo tentei porque nunca consegui fazer isso muito bem e hoje já posso dizer que não sei mais nada mesmo. E, naquela época (dizem que quando usamos esse termo a velhice tá começando a bater na porta), a professora insistia que devíamos saber um mínimo de canto para poder tocar direito. O mínimo que ela falava era cantar na mesma tonalidade da música, o que é ultra, tri, mega básico. Mas eu nunca tinha reparado. E foi então que passei a ouvir música. De verdade. Depois que a gente inicia esse processo, o ato de cantar transforma-se num verdadeiro mergulho: a alma entra na música, mistura-se a ela e, por alguns minutos, a realidade deixa de existir.*

A título de curiosidade, diz a lenda que a música em português é uma versão de Chico Buarque para o original, composto por Pablo Milanez. O músico, cubano, criou a letra como uma homenagem a seu país (Iolanda é o codinome para Cuba, que não podia ser citada na época em países como o Brasil). Bom, informações googlenianas, é sempre bom verificar.

*Nesse processo de ouvir, deixo claro que ainda estou evoluindo. E quem não está?

domingo, 6 de abril de 2008

Queriam que se chamasse Gizmo, por causa da cara de futuro gremlin do bicho. Mas Gizmo não é nome que se dê a um ser vivo, faz favor. Não no Brasil. Eu chamaria de John. Sempre quis um cão chamado John. E yorkshire é raça inglesa, tem tudo a ver com John. Mas isso aqui é uma democracia e o nome também não foi aprovado pela maioria (50% + 1). Então, ficou Teco mesmo. Um Teco de cachorro. É, fui finalmente vencida pela insistência do maridão e ganhei uma bolinha de pêlo ambulante. Melhor: uma maquininha de fazer xixi no lugar errado. Mas absolutamente fofa e encantadora.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Meu nome é Débora. Sem h, com acento no e. Escrito da forma mais simples e óbvia que o português (o idioma, não o atendente do cartório) permitiu. Não tem absolutamente nada a ver com Mônica. E certamente não é igual a Denise, Andréia, Daniela ou Déia. Apesar disso, 70% das pessoas que conheço me chama por esses nomes na hora da pressa. Ou pior, nas conversas tranqüilas do dia-a-dia.

Débora. Há tempos que fiz as pazes com esse nome (quando era criança ficava me perguntando por que cargas d’água meus pais não me chamaram de Sandra, Elisangela, Ana ou qualquer nome que na época me parecia mais bonito). Aliás, acho que ele tem tudo a ver comigo – é a minha cara. Não sirvo para ter outra assinatura. Minha alma também é Débora.

Daí vem o dilema: minha auto-imagem é distorcida, ou a imagem que passo aos outros não corresponde à realidade? E afinal o que você tem a ver com isso?

O problema dos blogs é que invariavelmente eles nos lembram um divã...